Eu era um poço de preconceitos
No dia a dia, entre os amigos
Destilava meu desprezo
Contra judeus, negros e nordestinos
Mas aí a lei Caó veio
E agora não tem jeito
Se deles mal falo deles posso ser preso
Então procuro outro meio
Pois o caminho não é mais o racismo
E como sou desocupado mesmo
Ou uso mal o meu pouco tempo
Vou à cata de novos inimigos
Pois só assim satisfaço os meus sentidos
E nesses grupos tenho um prato cheio:
portugueses: burros, mesmo tendo aqui enriquecido;
louras: com cabelos verdadeiro ou tingido, curto ou comprido, o que conta é na cabeça o vazio. Nas piadinhas a ridicularizo, mesmo que sejam mais cultas que o meu face todo reunido.
anões: estes, coitados, quase não vejo. São tão pequenos... E são ótimos, engraçadinhos, dos programas de auditório os mascotezinhos. O que eu quero ver é o enterro de um deles, e não saber o que fizeram quando vivos;
obesos: estes, então, são "perfeitos"! Me irritam a todo momento, pois não são tão lindos quanto os artistas e os modelos. E como não posso xingá-los na rua ou no coletivo, já que tenho medo, p(b)osto aqui como os acho feios;
E assim vou vivendo, encontrando nestes acima defeitos
Tem outros tipos, mas agora não me lembro
E compartilho isto com gente que fecha comigo
E enquanto pelo politicamente correto não sou pego
Na internet esse povo eu humilho
21 de janeiro, às 23:00
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
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