ESPELHO GLORIOSO
- Espelho!
- Espelho não, rapaz! É Espelho Glorioso.
- Ah, foi mal... É Espelho Glorioso.
- Isso!
- E saudações alvinegras!
- A situação não está pra saudar nada, meu caro Manoel...
- Eu sei, mas a gente não pode perder a esperança.
- É verdade. Afinal, "só" estamos rebaixados e devendo R$ 1.000.000.000,00...
- É, você tem razão, tá difícil. Mas a gente tem que lutar para triunfar, vencer talvez o pior momento da sua história. E por falar em vencer, Espelho Glorioso: o Botafogo sai dessa?
- Não...
- Não?
- Calma, você me corta, pô! Quero dizer: não se levanta sem a sua torcida. Por melhor que seja o seu trabalho, a diretoria não vai conseguir nada sozinha.
- Você acha, Glorioso?
- Claro! Ou você acha que o Corinthians saiu da segundona pra se tornar campeão mundial como? Já viu a torcida deles, o "bando de locos"?
- Verdade...
- E o Atlético - MG, a mesma coisa.
- É mesmo, véi! Todos eles tiveram a torcida apoiando, além do bom trabalho das respectivas diretorias.
- A torcida do Botafogo, meu caro Manoel, é conhecida nacionalmente pelo seu desânimo. Ela não "banca" o time, não o "empurra". Só vai ao estádio quando o time está bem, e não como deveria, pois ainda assim está desconfiada.
- É...
- Você, por exemplo: qual foi a última vez que você foi ao estádio torcer pelo nosso Fogão?
- Cara... torcer, torcer, mesmo, foi em fevereiro de 2001. Foi na final do Rio - São Paulo no Maracanã, contra o São Paulo, quando a gente perdeu.
- Fevereiro de 2001? Cara, você tá de sacanagem! Daqui a dois meses vai fazer catorze anos! Catorze anos? Assim você assusta até quem tá lendo a história! Catorze anos...
- Calma, Glorioso!
- Calma? Você me pede calma? Mais de uma década pra ir ao estádio ver o time de coração, uma boa parte desse tempo morando perto do Maraca e me pede calma? Porra, se você morasse em Manaus eu eu entenderia, mas aqui no Rio de Janeiro? Aliás, nesse campeonato agora em que fomos rebaixados, os manauaras talvez tenham ajudado mais que os cariocas. O time teve 100% de aproveitamento na Arena Amazônia, durante o Brasileirão, com o pessoal indo em massa. Já aqui...
- Calma, Glorioso! Não precisa ficar assim comigo...
- Não precisa? Porra, você demonstra o seu amor assim, torcendo no sofá ou em bar, e isso quando para pra ver os jogos e ainda acha-se no direito de ficar sentido? Meu Deus, eu queria ver o saudoso Russão ouvindo isto de você! Ele ia te tacar é uma muleta...
- Mas o time não ajuda, cara!
- Não ajuda? E em 2007, não era bom?
- É, mas aí perdeu pro São Paulo no Engenhão...
- Tudo bem, a torcida encheu o estádio e o time fez aquele papelão, deu a Síndrome do Cagaço. Depois veio aquele doping, que a gente não sabe se foi mesmo, do Dodô. Aí a torcida ficou esmorecida e parou de apoiar o time, não é? Quer dizer: a torcida menos a sua ilustre figura, porque você não foi nem quando o time era líder do Brasileirão!
- É.
- Você nem tem mais argumentos, cara! Você ainda tem menos entusiasmo que o torcedor médio do Botafogo. A torcida é a alma do time, cara! Pega o exemplo da torcida do "Fra".
- Não, pega leve! A do " Fra", não!
- É a do "Fra", sim! Não tem torcida igual à deste clube, Manoel, vamos ser verdadeiros! Lá mesmo, no já citado ano de 2007. Os caras estavam ameaçados de rebaixamento, aí veio o Papai Joel, o time deles começou a ganhar, a torcida enchendo o Maraca... Até que o clube ficou em terceiro e conseguiu se classificar para a Libertadores.
- Deslancharam depois daquela vitória sobre o São Paulo, que acabou sendo o campeão brasileiro, lá no Maraca.
- Pois é, enquanto éramos cotados pra ser campeões brasileiros e broxamos na derrota contra os tricolores paulistas, o Urubu por pouco não levou o título.
- Mas isso foi culpa dos jogadores e do Cuca. Aquela Síndrome do Cagaço...
- Mas será que seria assim se a torcida tivesse "adotado", "bancado" o time?
- Você tem razão. Faltou ali a torcida pra embalar o time.
- Mas vai falar isso pra um botafoguense! Só falta o cara bater em você... E eu nem vou falar do Brasileirão de 2011!
- Melhor, não. Mas em 2014 teve o jogo em que o Gigante voltou. Quase 60.000 no Maraca...
- Mas aquilo não durou muito. Logo depois o time mostrou que era fraco; e não dava mesmo pra bancar a equipe com aquela mulambada. Tanto que acabamos caindo pra Segundona.
- Mas e então, Glorioso? O que a gente pode fazer de efetivo pelo nosso Fogão?
- Cara, esse ano de 2014 foi o ano B, o ano do rebaixamento à série B pela segunda vez...
- Porra, Espelho Glorioso, isso eu já sei!
- De novo você me interrompe? Deixa eu terminar, cacete! Seguinte: se esse foi o ano B do Botafogo, 2015 pode ser o ano A, o da volta à série A; e também o ano V, o ano da virada, o da reconstrução e da construção de um clube verdadeiramente grande, como um Atlético Mineiro ou um " Curíntia", que partiram da série B pra, respectivamente, a Libertadores da América e a Libertadores e o Mundial de Clubes.
- E como a gente pode fazer isso, Glorioso?
- Bom, pra início de conversa, eu gostei dessa nova diretoria; mais ainda que o Capita, o Carlos Alberto Torres, faz parte dela. Mas a missão é muito difícil, cara! Pagar... pagar, não, equacionar uma dívida de R$ 1.000.000.000,00 é pica. Sozinha a diretoria não vai conseguir e periga o clube virar uma espécie de América e, na pior das hipóteses, falir.
- Caramba...
- Pois é. Agora a torcida vai ter que abraçar literalmente o Botafogo.
- Como assim " literalmente"?
- É, cara, abraçar... Torcedores botafoguenses dando as mãos e envolvendo o Engenhão num abraçaço.
- Até aí a ideia é boa. Mas e depois?
- Depois eu tive a ideia... - e quero que você a leve depois pra diretoria - de ser feita uma campanha com o titulo "Abrace o Botafogo", usando a foto da torcida envolvendo o Engenhão.
- Mas e depois?
- Depois a diretoria diminui os preços dos ingressos e convoca a torcida a ir ali; mesmo pra ver os jogos do Carioquinha, que eu não morro de amores, mas prepara o time para os jogos daquela "carne de pescoço mal cozida" que vai ser a série B.
- E mais o que, Glorioso?
- Também se atrairia mais sócios e incentivar-se-ia - gostou da mesóclise? - a compra de produtos e serviços com a marca do Botafogo, sendo a camisa oficial do futebol profissional o carro-chefe. E por último a venda da foto, a do abraçaço no Engenhão, como suvenir, como uma maneira de o torcedor, uma maneira de o torcedor ajudar o clube financeiramente e ter uma lembrança de uma época que pode ser a arrancada do clube que quer ser grande de verdade, e não se tornar um Mequinha. Tá na hora do torcedor mostrar se ama mesmo o clube.
- E qual é a minha parte nisso, Espelho Glorioso?
- Primeiro você se compromete a "empurrar" o time, a voltar a ter orgulho de torcer pelo Alvinegro, de vestir a camisa, ir ao estádio. Depois eu quero que você envie essas ideias que lhe dei à diretoria, como pedi antes.
- Vou sim, pode ter certeza!
- Palavra de botafoguense?
- Juro, Espelho Glorioso.
- Então assume o compromisso de ir ao estádio torcer pelo time, ao invés de ficar só na frente da televisão, como eles querem.
- Porra, Espelho Glorioso, eu já assumi o compromisso! Eu tenho palavra, vou "bancar" o time.
- Bom. Então começa a vestir a camisa oficial do Botafogo.
- É que...
- O quê?
- É que eu não tenho a camisa do clube...
- Tá de novo de sacanagem comigo! Não tem camisa do Botafogo? E aquela?
- Eu perdi no banheiro do clube, quando voltava da piscina.
- É triste, mas não adianta reclamar agora. Seguinte: pede uma pra sua esposa. Você faz aniversário agora, mesmo...
- Boa ideia!
- Quero também que você me traga cada comprovante do ingresso dos jogos em que você for.
- Tudo bem.
- Isso! E trata de mostra amor de verdade pelo nosso Botafogo, hein?
- Pode contar comigo.
- E agora me ajeita ali na frente da televisão. Tem programa esportivo e eles com certeza vão falar sobre o Botafogo.
- Pra já!
FIM.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
sábado, 27 de dezembro de 2014
ESPELHO GAY
- Espelhooo!
- Ai, Meu Deus! Que foi, Mona? Que gritaria é essa? Não sabe esperar? Ai...
- Desculpa, Espelho! É que você demorou...
- E por acaso cinco segundinhos é demorar, meu amor? Vai tomar Maracujina, você tá muito tensa! Ai...
- Ai, eu já pedi desculpa, vai! É que eu tô com um probleminha.
- Você e os seus probleminhas! Logo hoje, que eu estou estragada?
- Estragado por quê?
- Quantas vezes eu vou ter que repetir? É estragada, entendeu? ES-TRA-GA-DA! Separando as sílabas, em caixa-alta e, principalmente, no feminino, mona! Bom, eu estou assim porque eu recebi um espelho novinho, um pós adolescente surfista que é a cara daquele que ganhou o mundial de surfe pela primeira vez pro Brasil, aqui em casa hoje, menina. Mas fala, mona: qual é o seu "pobreminha"? Vai me dizer que é com o seu bofe? Ai, Meu Deus! Dá até calor falar desse homem, esse deus de Ébano! Ele parece o Obama mais jovem, ui!
- Espelho!
- Desculpa, mona, mas é inevitável! O seu bofe é MA-RA-VI-LHO-SO! Aqueles bíceps, o peitoral, as coxas, a bundinha, o...
- Espelho!
- Ai, desculpa, eu me empolguei!
- Para de ficar babando aí pelo meu homem e deixa eu falar! Olha que eu dou na sua moldura, sua bicha!
- Ai, mona, brinca assim não! Desse jeito você me magoa...
- Você sabe que eu amo você, bicha! Eu tô brincando. É que você às vezes parece que tá no palco, na televisão, sei lá.
- Você sabe muito bem que eu sou uma diva. Que eu canto, danço e sou une merveilleuse chanteuse. Quer me ouvir cantar Edith Piaf um pouquinho, ma belle Frances?
- Não agora, Espelho gay, minha diva. Deixa pra outra vez que eu for me olhar em você.
- Então vai ouvir essas gostosinhas desafinadas do Funk, vai!
- Eu vou ouvir você, Espelho! É que agora eu tenho uma questão urgente. Seguinte: meu marido tá ficando esquisito, cada vez mais pervertido, mais tarado...
- O que o seu bofe MA-RA-VI-LHO-SO aprontou agora? Se for ménage eu quero participar!
- Não, sua louca! Não é nada disso.
- Então, é o quê?
- É que ele me comprou um biquíni do tipo micro fio dental...
- Ai, mona, você tava precisando mesmo! Aquele seu biquíni parece mais um daqueles usados pelas americanas. Acho um horror quando você fica nua na minha frente! Uma loura - natural, hein? - linda, gostosa, 102 cm de quadril e com aquela marca enorme de bronzeado na bunda?
- Pois é, ele reclama também do meu biquíni. Aí, comprou este aqui...
- Menina, o que é isso?! Quase um string...
- Até você se assustou, tão pequeno que ele é!
- Pequeno? Isso é minúsculo!
- Você não gostou, que nem eu, não é?
- Não, chérie.
- Não?
- Não. Eu adorei, mona!
- É?
- Claro!
- Quer dizer que se fosse eu, você usaria?
- Ai, Meu Deus! Imagina eu só um diazinho com aquele bofe... Gente, que loucura!
- Para, sua louca! Responde logo, vai!
- Meu amor, ma chérie: eu nunca usaria um biquíni desse aí, porque simplesmente eu não uso nada quando me bronzeio aqui do meu lado. Eu vou pra praia de nudismo... Mas esse aí está ótimo pra você, mona! Eu sempre achei aquele deus de Ébano de excelente gosto, apesar de você não ajudá-lo muito, não é?
- Então, eu devo vesti-lo?
- Não.
- Não?
- Não, você põe na cabeça e vai à feira! Claro que sim, sua bunduda! E por falar em praia: menina, como é que você ir à praia com aquele homem?
- Por quê?
- Tem sunga pra guardar aquilo tudo, mona? Gente, parece o Kid Bengala...
- Ai, para, Diva! Assim eu fico sem graça...
- Desculpa, ma chérie, mas não tem como não reparar quando o seu Obama sai do banho... Mas fala, vai: o que mais esse bofe tem feito com você? Lhe levou pra assistir a um showzinho erótico, é?
- Não!
- Com aquela cara de pervertido e ainda não fez isso? Deve ser por medo de você...
- Posso falar, bicha?
- Fala, mona...
- É que ele comprou umas roupas pra mim...
- Veste uma pra eu ver, vai!
- E então, o que você acha?
- Gente, que lindo!
- Você gostou?
- Não, eu odiei! É claro que eu gostei! Essa cor verde-abacate dessa blusa... Mas não tá faltando nada, não?
- Ele quer que eu use assim mesmo, sem sutiã, bicha...
- Gente, esse seu marido tá ficando safadinho, hein? Só esse paninho aí cobrindo os seios e o resto da blusa transparente? Menina...
- Você não acha exagerado?
- Não, mona! Deixa de ser travada, vai! Não aparece nada, só sugere. E há quanto tempo que eu falo das suas roupas, que elas são pouco sensuais? E, se as artistas podem, por que não você?
- É que eu não gosto de me expor assim. E, além da blusa e do micro fio dental, ele comprou outras blusas decotadas e uns shortinhos...
-Mas qual é o problema? Você não está mostrando nada demais! E, além do mais, o que é bonito é pra ser visto.
- Pensando bem, você tem razão. Vou usar!
- Isso, meu amor!
- Aprende uma coisa: homem adora mulher gostosa, sensual... com aquele ar de safadinha, sabe? Que põe aquela roupa de feira e sai por aí...
- Isso é verdade.
- Se for muito certinha, recatadinha, ele pega as da rua...
- Ai, é mesmo! Melhor ele achar a safada em casa.
- Isso, mona, tá aprendendo!
- Mas tem mais umas coisinhas...
- Que coisinhas, mademoiselle Frances?
- Umas fantasias loucas que ele tem. Tão loucas, que eu tenho até vergonha de contar...
- Ai, você é mesmo travada, hein? Conta logo, vai!
- Noutro dia ele me fez me imaginar dançando nua numa boate de strip tease pra um bando de gente. O pior foi que eu embarquei na fantasia e adorei!
- Então, foi bom?
- Não me lembro de já ter feito um sexo melhor.
- Então, qual é o problema?
- Ah, sei lá, é estranho...
- Mona, estranho seria ver vocês dois brigados, sem fazer sexo, ele lhe chifrando na rua... Você tem que aprender a Lei de Marta Suplicy.
- Lei de Marta Suplicy?
- É, mona, relaxa e goza! E cuida do seu homem, senão você vai perdê-lo. O pecado mora ao lado...
- O que você sabe? Ele está me chifrando?
- Ainda não.
- Como assim "ainda não"?
- Ai, Meu Deus! Eu e a minha boca...
- Agora que você começou, termina! Eu quero saber se vou ser corna.
- Seguinte: no outro dia ele estava se arrumando pra ir à produtora... Gente, só de lembrar dá calor! Bom, ele disse se mirando em mim, que estava difícil resistir à gostosona daí do apartamento ao lado, que ficou louco quando ela se agachou pra pegar a caneta que caiu no chão do corredor e deu pra ele ver a marquinha do micro fio dental e que ele só aguentou até aquele momento porque ama muito você.
- Ai, canalha, ele me paga!
- Ai, mona, você não aprendeu nada! Eu não disse agora há pouco pra você ser mais safada, que homem gosta de mulher assim, sua bunduda?
- É, você tem razão. Vou usar o biquíni quando a gente for "tomar" um sol e vou pôr hoje à noite quando a gente sair a blusa verde-abacate. E do jeito que ele sugeriu... Ai, Espelho, como eu posso lhe agradecer por tanto conselho?
- Bom, já que você não pode me emprestar o seu deus de Ébano, o seu Obama, então faz o seguinte: me põe na frente da sua cama. Quero ver tudinho!
- Fazer o que, né? Você sempre me cobra assim pelos seus conselhos...
- E não esquece de me passar uma flanelinha com um pouquinho de eau parfum, sil vous plaît...
- Ai, bicha, você é tão fresca!
- Meu amor: se você não gosta de mim, troca por espelho estivador...
- Você sabe que eu amo você, vai! Não consigo viver sem você, sua louca...
- Para, vai! Não fala assim que você me emociona... Vai estragar a minha maquiagem. Daqui a pouco o meu surfista chega!
- Tá bom, vai embora, vai! Vai se arrumar pra receber a sua visita.
- Vou, sim! E não se esquece: cuida do seu deus de Ébano.
- Claro! Amanhã eu vou estrear o biquíni que ele me deu na piscina.
- Mas usa protetor solar nessa derrière, menina!
- Vou usar. Tchau, bicha, lhe amo!
- Tchau, mona! Amo você, também.
- Espelhooo!
- Ai, Meu Deus! Que foi, Mona? Que gritaria é essa? Não sabe esperar? Ai...
- Desculpa, Espelho! É que você demorou...
- E por acaso cinco segundinhos é demorar, meu amor? Vai tomar Maracujina, você tá muito tensa! Ai...
- Ai, eu já pedi desculpa, vai! É que eu tô com um probleminha.
- Você e os seus probleminhas! Logo hoje, que eu estou estragada?
- Estragado por quê?
- Quantas vezes eu vou ter que repetir? É estragada, entendeu? ES-TRA-GA-DA! Separando as sílabas, em caixa-alta e, principalmente, no feminino, mona! Bom, eu estou assim porque eu recebi um espelho novinho, um pós adolescente surfista que é a cara daquele que ganhou o mundial de surfe pela primeira vez pro Brasil, aqui em casa hoje, menina. Mas fala, mona: qual é o seu "pobreminha"? Vai me dizer que é com o seu bofe? Ai, Meu Deus! Dá até calor falar desse homem, esse deus de Ébano! Ele parece o Obama mais jovem, ui!
- Espelho!
- Desculpa, mona, mas é inevitável! O seu bofe é MA-RA-VI-LHO-SO! Aqueles bíceps, o peitoral, as coxas, a bundinha, o...
- Espelho!
- Ai, desculpa, eu me empolguei!
- Para de ficar babando aí pelo meu homem e deixa eu falar! Olha que eu dou na sua moldura, sua bicha!
- Ai, mona, brinca assim não! Desse jeito você me magoa...
- Você sabe que eu amo você, bicha! Eu tô brincando. É que você às vezes parece que tá no palco, na televisão, sei lá.
- Você sabe muito bem que eu sou uma diva. Que eu canto, danço e sou une merveilleuse chanteuse. Quer me ouvir cantar Edith Piaf um pouquinho, ma belle Frances?
- Não agora, Espelho gay, minha diva. Deixa pra outra vez que eu for me olhar em você.
- Então vai ouvir essas gostosinhas desafinadas do Funk, vai!
- Eu vou ouvir você, Espelho! É que agora eu tenho uma questão urgente. Seguinte: meu marido tá ficando esquisito, cada vez mais pervertido, mais tarado...
- O que o seu bofe MA-RA-VI-LHO-SO aprontou agora? Se for ménage eu quero participar!
- Não, sua louca! Não é nada disso.
- Então, é o quê?
- É que ele me comprou um biquíni do tipo micro fio dental...
- Ai, mona, você tava precisando mesmo! Aquele seu biquíni parece mais um daqueles usados pelas americanas. Acho um horror quando você fica nua na minha frente! Uma loura - natural, hein? - linda, gostosa, 102 cm de quadril e com aquela marca enorme de bronzeado na bunda?
- Pois é, ele reclama também do meu biquíni. Aí, comprou este aqui...
- Menina, o que é isso?! Quase um string...
- Até você se assustou, tão pequeno que ele é!
- Pequeno? Isso é minúsculo!
- Você não gostou, que nem eu, não é?
- Não, chérie.
- Não?
- Não. Eu adorei, mona!
- É?
- Claro!
- Quer dizer que se fosse eu, você usaria?
- Ai, Meu Deus! Imagina eu só um diazinho com aquele bofe... Gente, que loucura!
- Para, sua louca! Responde logo, vai!
- Meu amor, ma chérie: eu nunca usaria um biquíni desse aí, porque simplesmente eu não uso nada quando me bronzeio aqui do meu lado. Eu vou pra praia de nudismo... Mas esse aí está ótimo pra você, mona! Eu sempre achei aquele deus de Ébano de excelente gosto, apesar de você não ajudá-lo muito, não é?
- Então, eu devo vesti-lo?
- Não.
- Não?
- Não, você põe na cabeça e vai à feira! Claro que sim, sua bunduda! E por falar em praia: menina, como é que você ir à praia com aquele homem?
- Por quê?
- Tem sunga pra guardar aquilo tudo, mona? Gente, parece o Kid Bengala...
- Ai, para, Diva! Assim eu fico sem graça...
- Desculpa, ma chérie, mas não tem como não reparar quando o seu Obama sai do banho... Mas fala, vai: o que mais esse bofe tem feito com você? Lhe levou pra assistir a um showzinho erótico, é?
- Não!
- Com aquela cara de pervertido e ainda não fez isso? Deve ser por medo de você...
- Posso falar, bicha?
- Fala, mona...
- É que ele comprou umas roupas pra mim...
- Veste uma pra eu ver, vai!
- E então, o que você acha?
- Gente, que lindo!
- Você gostou?
- Não, eu odiei! É claro que eu gostei! Essa cor verde-abacate dessa blusa... Mas não tá faltando nada, não?
- Ele quer que eu use assim mesmo, sem sutiã, bicha...
- Gente, esse seu marido tá ficando safadinho, hein? Só esse paninho aí cobrindo os seios e o resto da blusa transparente? Menina...
- Você não acha exagerado?
- Não, mona! Deixa de ser travada, vai! Não aparece nada, só sugere. E há quanto tempo que eu falo das suas roupas, que elas são pouco sensuais? E, se as artistas podem, por que não você?
- É que eu não gosto de me expor assim. E, além da blusa e do micro fio dental, ele comprou outras blusas decotadas e uns shortinhos...
-Mas qual é o problema? Você não está mostrando nada demais! E, além do mais, o que é bonito é pra ser visto.
- Pensando bem, você tem razão. Vou usar!
- Isso, meu amor!
- Aprende uma coisa: homem adora mulher gostosa, sensual... com aquele ar de safadinha, sabe? Que põe aquela roupa de feira e sai por aí...
- Isso é verdade.
- Se for muito certinha, recatadinha, ele pega as da rua...
- Ai, é mesmo! Melhor ele achar a safada em casa.
- Isso, mona, tá aprendendo!
- Mas tem mais umas coisinhas...
- Que coisinhas, mademoiselle Frances?
- Umas fantasias loucas que ele tem. Tão loucas, que eu tenho até vergonha de contar...
- Ai, você é mesmo travada, hein? Conta logo, vai!
- Noutro dia ele me fez me imaginar dançando nua numa boate de strip tease pra um bando de gente. O pior foi que eu embarquei na fantasia e adorei!
- Então, foi bom?
- Não me lembro de já ter feito um sexo melhor.
- Então, qual é o problema?
- Ah, sei lá, é estranho...
- Mona, estranho seria ver vocês dois brigados, sem fazer sexo, ele lhe chifrando na rua... Você tem que aprender a Lei de Marta Suplicy.
- Lei de Marta Suplicy?
- É, mona, relaxa e goza! E cuida do seu homem, senão você vai perdê-lo. O pecado mora ao lado...
- O que você sabe? Ele está me chifrando?
- Ainda não.
- Como assim "ainda não"?
- Ai, Meu Deus! Eu e a minha boca...
- Agora que você começou, termina! Eu quero saber se vou ser corna.
- Seguinte: no outro dia ele estava se arrumando pra ir à produtora... Gente, só de lembrar dá calor! Bom, ele disse se mirando em mim, que estava difícil resistir à gostosona daí do apartamento ao lado, que ficou louco quando ela se agachou pra pegar a caneta que caiu no chão do corredor e deu pra ele ver a marquinha do micro fio dental e que ele só aguentou até aquele momento porque ama muito você.
- Ai, canalha, ele me paga!
- Ai, mona, você não aprendeu nada! Eu não disse agora há pouco pra você ser mais safada, que homem gosta de mulher assim, sua bunduda?
- É, você tem razão. Vou usar o biquíni quando a gente for "tomar" um sol e vou pôr hoje à noite quando a gente sair a blusa verde-abacate. E do jeito que ele sugeriu... Ai, Espelho, como eu posso lhe agradecer por tanto conselho?
- Bom, já que você não pode me emprestar o seu deus de Ébano, o seu Obama, então faz o seguinte: me põe na frente da sua cama. Quero ver tudinho!
- Fazer o que, né? Você sempre me cobra assim pelos seus conselhos...
- E não esquece de me passar uma flanelinha com um pouquinho de eau parfum, sil vous plaît...
- Ai, bicha, você é tão fresca!
- Meu amor: se você não gosta de mim, troca por espelho estivador...
- Você sabe que eu amo você, vai! Não consigo viver sem você, sua louca...
- Para, vai! Não fala assim que você me emociona... Vai estragar a minha maquiagem. Daqui a pouco o meu surfista chega!
- Tá bom, vai embora, vai! Vai se arrumar pra receber a sua visita.
- Vou, sim! E não se esquece: cuida do seu deus de Ébano.
- Claro! Amanhã eu vou estrear o biquíni que ele me deu na piscina.
- Mas usa protetor solar nessa derrière, menina!
- Vou usar. Tchau, bicha, lhe amo!
- Tchau, mona! Amo você, também.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
ESPELHINHO
- Espelhinho!
- Que foi, Duda? (bocejando)Ãããããããã!
- Ah, sei lá que dia é hoje! Só sei que você me acordou sete e meia da manhã. E num domingo!
- Eu sei, mas você sabe o número do dia?
- Não.
- Dia 12 de outubro é o quê?
- Sei lá! É dia 12 de outubro.
- Você não ganhou nada hoje?
- Eu acordei agora, Dudinha! Nem tomei café ainda.
- Eu ganhei presente!
- Ué, hoje não é o seu aniversário...
- É o dia da gente, Espelhinho! É o Dia das Crianças!
- Ih, é hoje! Me esqueci.
- Eu ganhei sabe o quê?
- Sei lá! Para de enrolar e fala logo.
- Patins.
- Que maneiro, Dudinha! Era o que você queria, não era?
- Era. Meus pais deram direitinho o que eu queria. E você, vai ganhar o quê?
- Sei lá.
- Seus pais não falaram nada?
- Não. Só se eles estão escondendo de mim, pra fazer surpresa.
- Você pediu o quê?
- Um kit de futebol com bola e traves.
- O chato é que os meus pais ficaram implicando comigo, por eu brincar com os patins no quintal, fazendo barulho. E os seus pais, Espelhinho, reclamam muito de você?
- Ontem o meu pai reclamou.
- Por quê?
- Porque eu fiquei com medo de dormir sozinho por causa da chuva, dos relam...Como é que a gente chama isso?
- Relâmpago. Aprendi na escola na semana passada.
- É, relâmpago. Mas aí eu fui lá pro quarto deles e bati na porta. Tava mó silêncio... Aí o meu pai soltou um palavrão, minha mãe abriu a porta pra mim e ele disse: "Que saco, Espelhinho, você é mó empata! Por causa de você vou ficar no 0 x 0 hoje, não vai ter gol."
- É?
- Mó estranho, né? Será que os meus pais jogam pelada no quarto?
- Pelada?
- É, futebol, bola.
- Não sei, Espelhinho. Mas sabe que eu também queria saber o que os meus pais fazem no quarto?
- É?
- É, mó esquisitão. Minha mãe chega cansada da loja, fica reclamando, dizendo que é a primeira a chegar e a última a sair, que ela sustenta a roubalheira do governo... Aí o meu pai, que quando não escreve no caderno, faz naquele notebook, reclama que ela reclama demais, aí ela fala que ele não dá atenção a ela, que se ele gostasse dela ia ouvir as reclamações e concordar... Aí eles discutem pra caramba e depois fazem mó silêncio no quarto. Só a minha mãe que faz uns barulhos estranhos.
- Estranhos?
- É, uns gemidos, sei lá. Será que a minha mãe passa mal no quarto?
- Eu é que vou saber, Duda?
- É mesmo. E eu ainda não falei tudo. Aí o meu pai fala pra ela na manhã seguinte, no café, que o que eles fazem no quarto inspira um monte de histórias dele.
- O que o seu pai escreve, Dudinha?
- Tem história de tudo quanto é jeito. Tem um tal de ero...
- Que isso?
- Sei lá. Noutro dia ele estava na casinha dele, escrevendo... E você sabe que ele não gosta que eu passe lá dentro quando ele escreve, né? Então, eu entrei lá quando ele foi pro banheiro e vi na tela:"Conto eroti...". Só que eu não me lembro o resto, não deu pra ver direito porque ele saiu do banheiro e eu saí correndo.
- Seu pai trabalha em casa, né?
- É, ele é escritor.
- E ele não brinca com você?
- Muito pouco. Ele diz que não tem tempo, que é pra eu sair com a Etelvina, a minha
babá. Nem parece que ele tá em casa, nem nota que eu existo... Se pelo menos eu tivesse um irmão! Meu pai é chatão, todo sério, Espelhinho...
- Meu pai também fala isso.
- Fala?
- É, ele diz que o seu pai enche o saco dele quando quando tá se olhando na frente dele. O meu pai diz que ele pede conselhos, aí ele dá e o seu faz tudo errado depois. Aí o meu pai fica com raiva, reclama que o seu faz tudo ao contrário e aí reclama até da empregada de vocês, que não limpa ele direito, que passa mal a flanela... Aí ele fica de cara feia o resto do dia.
- Por que os nossos pais são tão mal humorados, Espelhinho?
- Não sei. Mas até que a minha mãe não é tão mal humorada. Mas ela reclama um pouquinho da sua mãe.
- O que ela fala?
- Que quando a sua mãe tá se olhando nela ela "despeja" tudo, só fala de problema. Mas eu ouvi também meu pai e minha mãe conversando no outro dia e ela dizia que a sua mãe falava tudinho que fazia no quarto com o seu pai.
- É mesmo?
- É. Ela também reclamou do biquíni da sua mãe, que deixava uma marquinha bem pequenininha. Aí o meu pai sorriu e ela deu mó tapão no braço dele.
- É mesmo, minha mãe usa um biquíni pequenininho. E que compra pra ela é o meu pai, é mole? Aí ela fala que o meu pai é um pevestido.
- Pevestido? O que é isso?
- Sei não.
- Nossos pais são estranhos, né, Dudinha?
- É. Mas você não vai saber o que ganhou?
- Não. Deixa os meus pais acordarem.
- Mas você sabe o que eu queria ganhar mesmo, Espelhinho?
- O quê?
- Um irmãozinho.
- Mas aí você ia tá velhona quando ele tivesse com 7 anos, como a gente tem agora.
- É, mas eu ia me distrair com ele, ajudar a cuidar...Não ia ficar sozinha, né?
- Chatão ficar sozinho...
- Espelhinho!
- Ih, é o meu pai me chamando! O que ele quer comigo?
- Vai lá ver que eu espero, vai!
- Caramba, Espelhinho! Você demorou muito. 15 minutos!
- É que eles me deram o presente.
- Foi o negócio de futebol mesmo?
- Não.
- Não? Maldade...
- É que eu menti pra você. Eu pedi patins de presente!
- Patins? Que legal! Mas você é mó mentiroso, hein, Espelhinho?
- Ah, é que eu queria fazer uma surpresa pra você.
- Pra que que você pediu isso também?
- Pra treinar as manobras com você, quando você ficar na frente do espelho, quer dizer, na minha frente, se olhando.
- Olha aqui, Barton! O exame deu positivo, amor!
- Ouviu isso, Espelhinho? É a minha mãe,ela tá feliz. Mas que negócio é esse de positivo? Eles compraram um notebook novo?
- Sei não.
- Dudinha! Maria Eduarda! Vem aqui, vamos pra praça pra comemorar!
- Agora você ouviu o meu pai, Espelhinho?
- É, ouvi. Vai lá, garota!
- Vou sim. Vai que ela muda de ideia...
- Vou lá também. Vou passear aqui do lado de dentro, no mundo do espelho, com os meus pais, eles falaram agora.Vou pra praia.
- Ué, tem praia aí do lado de vocês?
- Claro que tem!
- Tá, Espelhinho.Vai lá, vai!
- Vou sim, Duda. Tchau!
- Tchau!
FIM.
- Espelhinho!
- Que foi, Duda? (bocejando)Ãããããããã!
- Ah, sei lá que dia é hoje! Só sei que você me acordou sete e meia da manhã. E num domingo!
- Eu sei, mas você sabe o número do dia?
- Não.
- Dia 12 de outubro é o quê?
- Sei lá! É dia 12 de outubro.
- Você não ganhou nada hoje?
- Eu acordei agora, Dudinha! Nem tomei café ainda.
- Eu ganhei presente!
- Ué, hoje não é o seu aniversário...
- É o dia da gente, Espelhinho! É o Dia das Crianças!
- Ih, é hoje! Me esqueci.
- Eu ganhei sabe o quê?
- Sei lá! Para de enrolar e fala logo.
- Patins.
- Que maneiro, Dudinha! Era o que você queria, não era?
- Era. Meus pais deram direitinho o que eu queria. E você, vai ganhar o quê?
- Sei lá.
- Seus pais não falaram nada?
- Não. Só se eles estão escondendo de mim, pra fazer surpresa.
- Você pediu o quê?
- Um kit de futebol com bola e traves.
- O chato é que os meus pais ficaram implicando comigo, por eu brincar com os patins no quintal, fazendo barulho. E os seus pais, Espelhinho, reclamam muito de você?
- Ontem o meu pai reclamou.
- Por quê?
- Porque eu fiquei com medo de dormir sozinho por causa da chuva, dos relam...Como é que a gente chama isso?
- Relâmpago. Aprendi na escola na semana passada.
- É, relâmpago. Mas aí eu fui lá pro quarto deles e bati na porta. Tava mó silêncio... Aí o meu pai soltou um palavrão, minha mãe abriu a porta pra mim e ele disse: "Que saco, Espelhinho, você é mó empata! Por causa de você vou ficar no 0 x 0 hoje, não vai ter gol."
- É?
- Mó estranho, né? Será que os meus pais jogam pelada no quarto?
- Pelada?
- É, futebol, bola.
- Não sei, Espelhinho. Mas sabe que eu também queria saber o que os meus pais fazem no quarto?
- É?
- É, mó esquisitão. Minha mãe chega cansada da loja, fica reclamando, dizendo que é a primeira a chegar e a última a sair, que ela sustenta a roubalheira do governo... Aí o meu pai, que quando não escreve no caderno, faz naquele notebook, reclama que ela reclama demais, aí ela fala que ele não dá atenção a ela, que se ele gostasse dela ia ouvir as reclamações e concordar... Aí eles discutem pra caramba e depois fazem mó silêncio no quarto. Só a minha mãe que faz uns barulhos estranhos.
- Estranhos?
- É, uns gemidos, sei lá. Será que a minha mãe passa mal no quarto?
- Eu é que vou saber, Duda?
- É mesmo. E eu ainda não falei tudo. Aí o meu pai fala pra ela na manhã seguinte, no café, que o que eles fazem no quarto inspira um monte de histórias dele.
- O que o seu pai escreve, Dudinha?
- Tem história de tudo quanto é jeito. Tem um tal de ero...
- Que isso?
- Sei lá. Noutro dia ele estava na casinha dele, escrevendo... E você sabe que ele não gosta que eu passe lá dentro quando ele escreve, né? Então, eu entrei lá quando ele foi pro banheiro e vi na tela:"Conto eroti...". Só que eu não me lembro o resto, não deu pra ver direito porque ele saiu do banheiro e eu saí correndo.
- Seu pai trabalha em casa, né?
- É, ele é escritor.
- E ele não brinca com você?
- Muito pouco. Ele diz que não tem tempo, que é pra eu sair com a Etelvina, a minha
babá. Nem parece que ele tá em casa, nem nota que eu existo... Se pelo menos eu tivesse um irmão! Meu pai é chatão, todo sério, Espelhinho...
- Meu pai também fala isso.
- Fala?
- É, ele diz que o seu pai enche o saco dele quando quando tá se olhando na frente dele. O meu pai diz que ele pede conselhos, aí ele dá e o seu faz tudo errado depois. Aí o meu pai fica com raiva, reclama que o seu faz tudo ao contrário e aí reclama até da empregada de vocês, que não limpa ele direito, que passa mal a flanela... Aí ele fica de cara feia o resto do dia.
- Por que os nossos pais são tão mal humorados, Espelhinho?
- Não sei. Mas até que a minha mãe não é tão mal humorada. Mas ela reclama um pouquinho da sua mãe.
- O que ela fala?
- Que quando a sua mãe tá se olhando nela ela "despeja" tudo, só fala de problema. Mas eu ouvi também meu pai e minha mãe conversando no outro dia e ela dizia que a sua mãe falava tudinho que fazia no quarto com o seu pai.
- É mesmo?
- É. Ela também reclamou do biquíni da sua mãe, que deixava uma marquinha bem pequenininha. Aí o meu pai sorriu e ela deu mó tapão no braço dele.
- É mesmo, minha mãe usa um biquíni pequenininho. E que compra pra ela é o meu pai, é mole? Aí ela fala que o meu pai é um pevestido.
- Pevestido? O que é isso?
- Sei não.
- Nossos pais são estranhos, né, Dudinha?
- É. Mas você não vai saber o que ganhou?
- Não. Deixa os meus pais acordarem.
- Mas você sabe o que eu queria ganhar mesmo, Espelhinho?
- O quê?
- Um irmãozinho.
- Mas aí você ia tá velhona quando ele tivesse com 7 anos, como a gente tem agora.
- É, mas eu ia me distrair com ele, ajudar a cuidar...Não ia ficar sozinha, né?
- Chatão ficar sozinho...
- Espelhinho!
- Ih, é o meu pai me chamando! O que ele quer comigo?
- Vai lá ver que eu espero, vai!
- Caramba, Espelhinho! Você demorou muito. 15 minutos!
- É que eles me deram o presente.
- Foi o negócio de futebol mesmo?
- Não.
- Não? Maldade...
- É que eu menti pra você. Eu pedi patins de presente!
- Patins? Que legal! Mas você é mó mentiroso, hein, Espelhinho?
- Ah, é que eu queria fazer uma surpresa pra você.
- Pra que que você pediu isso também?
- Pra treinar as manobras com você, quando você ficar na frente do espelho, quer dizer, na minha frente, se olhando.
- Olha aqui, Barton! O exame deu positivo, amor!
- Ouviu isso, Espelhinho? É a minha mãe,ela tá feliz. Mas que negócio é esse de positivo? Eles compraram um notebook novo?
- Sei não.
- Dudinha! Maria Eduarda! Vem aqui, vamos pra praça pra comemorar!
- Agora você ouviu o meu pai, Espelhinho?
- É, ouvi. Vai lá, garota!
- Vou sim. Vai que ela muda de ideia...
- Vou lá também. Vou passear aqui do lado de dentro, no mundo do espelho, com os meus pais, eles falaram agora.Vou pra praia.
- Ué, tem praia aí do lado de vocês?
- Claro que tem!
- Tá, Espelhinho.Vai lá, vai!
- Vou sim, Duda. Tchau!
- Tchau!
FIM.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
E ME DEIXA COMER
- Jorge
- Fala, Cláudio.
- Tô bolado com um negócio aí...
- Então fala, pô!
- É a minha mulher, cara. Ela tá mudando muito.
- Ih, Claudião... Acha que tá levando chifre, é?
- Não, caramba! Nada a ver com isso.
- Então é o que, pô? O que lhe preocupa tanto assim? Olha o seu prato. Você nem começou a comer! A hora tá passando... Daqui a pouco a gente volta pro escritório.
- É que ela tá muito liberal...
- Liberal em que sentido? O que ela andou lhe sugerindo?
- Não, não é sacanagem, não, porra!
- Fala logo, cacete! Eu fico aqui falando com você e não como. Para de ficar "cozinhando", porra"!
- Aqui, cara. Olha a foto do que ela comprou e quer usar.
- Ca... Caramba!
- Que foi?
- É pequeno, hein?
- Tá vendo? Até você se assustou.
- Não, pô! Não é isso. Eu não estou assustado. É que me surpreendeu a esposa de um cara tão chato como você querer usar algo tão pequeno.
- Chato é o cacete, pô! Mas agora me diz: isto é biquíni que uma mãe de família use?
- Olha esta foto aqui no meu celular.
- Porra, é a sua mulher?
- De costas não dá pra ver a cara, não é? Mas é ela, sim. Não é menor do que o da sua esposa?
- Porra, você a deixa ir assim com você à praia?
- Deixo e gosto. Se bem que eu não mando porra nenhuma. Ela é dona do próprio nariz, trabalha, ganha praticamente o mesmo que eu; usa o que quiser e eu não tenho nada a ver com isso.
- Cara, você é muito moderno.. Mas você disse que gosta. Foi isso que eu ouvi?
- É, eu gosto de vê-la nesse biquíni da foto.Costumo dizer que nele ela tapa o cofrinho e deixa a Casa da Moeda toda à mostra. Aliás, fui eu que comprei. Eu compro quase todos.
- Vo.. você tá de sacanagem comigo?
- Tô lhe falando...Antes ela usava biquínis comuns; isso quando se bronzeava, que era muito de vez em quando. Naquele fim de mundo onde a gente morava era difícil, não tinha clube e a praia mais perto dali estava sempre muito poluída. Além disso o povo dali que nos era mais chegado só falava em igreja. Tipo lavagem cerebral, mesmo. Mal chegamos pra morar aqui mais perto e fomos logo à praia. Só que ela ainda tinha aquele ar provinciano, meio de roça. Só biquíni tapa-bunda... E aí eu resolvi compra um menor. Ela de início não queria, masacabou usando e eu fui comprando uns cada vez menores. Até chegar a isso aí que você vê.
- Eu vejo é quase nada aqui, Jorge!
- Deixa a sua mulher usar um fio dental, Cláudio! Deixa de ser chato, caretão...
- Porra, todo mundo fica olhando!
- E daí? O que é bonito é pra ser visto!
- É o cacete! Nenhum malandro vai ficar olhando a bunda da minha mulher assim, não! Eu não sou otário.
- Porra, assim você me ofende!
- Desculpa, mas é inevitável, véi! Como alguém deixa a esposa usare, pior, comprar pra ela um biquininho desse?
- Você não gosta de olhar a mulher dos outros?
- É.
- E a minha mulher não fica gostosa nesse biquíni?
- Qua'é, Jorge?
- Só estou lhe fazendo uma pergunta!. Custa responder?
- Pô. eu lhe respeito, cara...
- Olhar não tira pedaço, cacete! Responde logo, vai! Vou ficar puto mesmo se você me atrasar pro escritório.
- Tá.
- Tá, o quê?
- Tá, ela é gostosa! Aliás, eu sempre achei a sua esposa gostosa.
- Então, olhar tira pedaço?
- Não, mas fiquei sem graça.
- Deixa a sua esposa ser feliz, Cláudio! Deixa ela usar o que quiser! Eu não fico regulando as roupas que a minha usa, não. E é cada uma menor que a outra. E cada decote... Mas eu já fui ciumento. Não como você, claro! Você beira a neurose. Nunca fui assim, mas já impliquei. Hoje eu até gosto de ver a minha mulher chamativa, provocante.
- Você é pervertido, Jorge!
- Que mané, pervertido? Eu deixo a minha esposa ser feliz, sensual, se sentindo gostosa, desejada. Deixo-a livre pra não perdê-la de vez. E o sexo, então... Enquanto isso está você aí, travadão. Desse jeito acaba tomando uma bola nas costas...
- Vira essa boca pra lá!
- Não, é sério. Você é muito inseguro, cara! Tem que relaxar mais, usar a Lei de Marta Suplicy.
- Ley de Marta Suplicy?
- É, relaxa e goza...
- Ah, não sei, cara...
- Vai dizer que ela não reclama deste seu jeito?
- Reclama, fala que assim não dá; que me ama, mas vai acabar me deixando.
- Pois é, é aquilo o que eu disse: quanto mais prende, maia perde. Muda enquanto é tempo, cara! Deixa a sua esposa usar logo esse biquíni da foto... E para de controlar o que ela veste, vai!
- Caramba, cara, você tem razão! Eu estou estragando o meu casamento por causa de ciuminho babaca.
- E aí, vai deixar?
- Vou.
- Depois, quando você vir a marquinha, vai acabar gostando.
- Não gosto muito desta ideia, não, mas vou ceder.
- E me deixa comer.
- O quê?
- A comida, cara...
FIM.
- Jorge
- Fala, Cláudio.
- Tô bolado com um negócio aí...
- Então fala, pô!
- É a minha mulher, cara. Ela tá mudando muito.
- Ih, Claudião... Acha que tá levando chifre, é?
- Não, caramba! Nada a ver com isso.
- Então é o que, pô? O que lhe preocupa tanto assim? Olha o seu prato. Você nem começou a comer! A hora tá passando... Daqui a pouco a gente volta pro escritório.
- É que ela tá muito liberal...
- Liberal em que sentido? O que ela andou lhe sugerindo?
- Não, não é sacanagem, não, porra!
- Fala logo, cacete! Eu fico aqui falando com você e não como. Para de ficar "cozinhando", porra"!
- Aqui, cara. Olha a foto do que ela comprou e quer usar.
- Ca... Caramba!
- Que foi?
- É pequeno, hein?
- Tá vendo? Até você se assustou.
- Não, pô! Não é isso. Eu não estou assustado. É que me surpreendeu a esposa de um cara tão chato como você querer usar algo tão pequeno.
- Chato é o cacete, pô! Mas agora me diz: isto é biquíni que uma mãe de família use?
- Olha esta foto aqui no meu celular.
- Porra, é a sua mulher?
- De costas não dá pra ver a cara, não é? Mas é ela, sim. Não é menor do que o da sua esposa?
- Porra, você a deixa ir assim com você à praia?
- Deixo e gosto. Se bem que eu não mando porra nenhuma. Ela é dona do próprio nariz, trabalha, ganha praticamente o mesmo que eu; usa o que quiser e eu não tenho nada a ver com isso.
- Cara, você é muito moderno.. Mas você disse que gosta. Foi isso que eu ouvi?
- É, eu gosto de vê-la nesse biquíni da foto.Costumo dizer que nele ela tapa o cofrinho e deixa a Casa da Moeda toda à mostra. Aliás, fui eu que comprei. Eu compro quase todos.
- Vo.. você tá de sacanagem comigo?
- Tô lhe falando...Antes ela usava biquínis comuns; isso quando se bronzeava, que era muito de vez em quando. Naquele fim de mundo onde a gente morava era difícil, não tinha clube e a praia mais perto dali estava sempre muito poluída. Além disso o povo dali que nos era mais chegado só falava em igreja. Tipo lavagem cerebral, mesmo. Mal chegamos pra morar aqui mais perto e fomos logo à praia. Só que ela ainda tinha aquele ar provinciano, meio de roça. Só biquíni tapa-bunda... E aí eu resolvi compra um menor. Ela de início não queria, masacabou usando e eu fui comprando uns cada vez menores. Até chegar a isso aí que você vê.
- Eu vejo é quase nada aqui, Jorge!
- Deixa a sua mulher usar um fio dental, Cláudio! Deixa de ser chato, caretão...
- Porra, todo mundo fica olhando!
- E daí? O que é bonito é pra ser visto!
- É o cacete! Nenhum malandro vai ficar olhando a bunda da minha mulher assim, não! Eu não sou otário.
- Porra, assim você me ofende!
- Desculpa, mas é inevitável, véi! Como alguém deixa a esposa usare, pior, comprar pra ela um biquininho desse?
- Você não gosta de olhar a mulher dos outros?
- É.
- E a minha mulher não fica gostosa nesse biquíni?
- Qua'é, Jorge?
- Só estou lhe fazendo uma pergunta!. Custa responder?
- Pô. eu lhe respeito, cara...
- Olhar não tira pedaço, cacete! Responde logo, vai! Vou ficar puto mesmo se você me atrasar pro escritório.
- Tá.
- Tá, o quê?
- Tá, ela é gostosa! Aliás, eu sempre achei a sua esposa gostosa.
- Então, olhar tira pedaço?
- Não, mas fiquei sem graça.
- Deixa a sua esposa ser feliz, Cláudio! Deixa ela usar o que quiser! Eu não fico regulando as roupas que a minha usa, não. E é cada uma menor que a outra. E cada decote... Mas eu já fui ciumento. Não como você, claro! Você beira a neurose. Nunca fui assim, mas já impliquei. Hoje eu até gosto de ver a minha mulher chamativa, provocante.
- Você é pervertido, Jorge!
- Que mané, pervertido? Eu deixo a minha esposa ser feliz, sensual, se sentindo gostosa, desejada. Deixo-a livre pra não perdê-la de vez. E o sexo, então... Enquanto isso está você aí, travadão. Desse jeito acaba tomando uma bola nas costas...
- Vira essa boca pra lá!
- Não, é sério. Você é muito inseguro, cara! Tem que relaxar mais, usar a Lei de Marta Suplicy.
- Ley de Marta Suplicy?
- É, relaxa e goza...
- Ah, não sei, cara...
- Vai dizer que ela não reclama deste seu jeito?
- Reclama, fala que assim não dá; que me ama, mas vai acabar me deixando.
- Pois é, é aquilo o que eu disse: quanto mais prende, maia perde. Muda enquanto é tempo, cara! Deixa a sua esposa usar logo esse biquíni da foto... E para de controlar o que ela veste, vai!
- Caramba, cara, você tem razão! Eu estou estragando o meu casamento por causa de ciuminho babaca.
- E aí, vai deixar?
- Vou.
- Depois, quando você vir a marquinha, vai acabar gostando.
- Não gosto muito desta ideia, não, mas vou ceder.
- E me deixa comer.
- O quê?
- A comida, cara...
FIM.
DONA VILMA
- Oi, Dona Vilma.
- Pois não, seu Haroldo?
- É que eu quero lhe pedir uma coisa.
- É sobre as eleições. Quero uma recontagem de votos.
- O quê?
- Sim, é isso! Quero, como candidato derrotado na última eleição para síndico e morador deste condomínio de 320 apartamentos, a garantia de que tudo correu bem nessa eleição.
- Mas, por quê?
- Porque eu e muitos condôminos daqui temos dúvidas em relação ao resultado que garantiu a sua reeleição; ainda mais depois que a senhora passou a usar essas benditas urnas eletrônicas!
- O senhor está desconfiando de mim?
- Eu e quase a metade dos condôminos.
- Mas isso é um absurdo!
- Absurdo ou não, é um direito nosso.
- Falta seriedade ao senhor!
- Olha, Dona Vilma, a senhora me derrotou por 51% a 48% dos votos válidos, que foram 300 dos 310 condôminos que votaram. Isso dá 9 pessoas. É muito pouco...
- Mas não tem cabimento esse negócio! Nenhum morador veio falar disso comigo.
- Se a senhora entrar no meu Facebook... Aliás, o que foi aquilo que fizeram comigo durante a eleição, hein? Até inventaram que eu envenenei aqueles gatos durante a eleição, apesar de terem visto o seu sobrinho dando comida pra eles. Pois puseram o meu nome com a minha foto no face e o troço viralizou. Como traduziram o post, até em Inglês eu recebi ameaças.
- Eu não tenho nada a ver com isso, não sabia de nada!
- Eu já ouvi isso antes... Mas, se a senhora vir a minha página vai perder a conta com tanta reclamação sobre as urnas. Tanta gente que quer que a senhora acabe logo com essa dúvida.
- Não, isso não tem sentido!
- Lhe seria bom também, pra poder provar que a sua vitória foi legítima.
- Não, esse prédio não é Venezuela, nem Bolívia! Somos uma democracia.
- Ah, tá bom... mas a senhora não vai, não é? Então eu não vou lhe deixar em paz, vou ser uma oposição pior que a senhora fez quando eu era síndico e arrumei as finanças do prédio! Vou começar questionando o cabide de empregos que a senhora pôs aqui no condomínio pra empregar seus parentes e seus amiguinhos! E aquela cocaína toda que a PM achou na sala de máquinas? Engraçado que o inquérito ficou engavetado... E logo na delegacia onde o seu filho é delegado! E a sua amizade com aqueles síndicos ditadores, inclusive o boliviano traficante?
- O senhor não se atreva!
- Todo mundo está dizendo que vocês têm um projeto de se perpetuar no poder nesses prédios aqui das redondezas.
- Olha aqui, o senhor já passou dos limites! Vou chamar a polícia!
- Aquela que desceu o cacete na gente quando estávamos no pátio protestando? A do batalhão onde entrou o seu primo como comandante?
- Cala a boca!
- Então a senhora me responda: vai recontar os votos ou vai fazer como o seu síndico vizinho?
- Nãããããõooo!!!!
- Pois a senhora saiba que eu vou levar todo mundo na próxima reunião. Não vai ter moleza. Vai ser, como eu já disse, a pior oposição que a senhora já enfrentou!
- O senhor tome cuidado! Não brinque comigo...
- Não tenho medo das suas ameaças, Dona Vilma! E a senhora passe bem!
- Pois eu quero é que o senhor passe mal, mesmo! Tchau!
FIM.
- Oi, Dona Vilma.
- Pois não, seu Haroldo?
- É que eu quero lhe pedir uma coisa.
- É sobre as eleições. Quero uma recontagem de votos.
- O quê?
- Sim, é isso! Quero, como candidato derrotado na última eleição para síndico e morador deste condomínio de 320 apartamentos, a garantia de que tudo correu bem nessa eleição.
- Mas, por quê?
- Porque eu e muitos condôminos daqui temos dúvidas em relação ao resultado que garantiu a sua reeleição; ainda mais depois que a senhora passou a usar essas benditas urnas eletrônicas!
- O senhor está desconfiando de mim?
- Eu e quase a metade dos condôminos.
- Mas isso é um absurdo!
- Absurdo ou não, é um direito nosso.
- Falta seriedade ao senhor!
- Olha, Dona Vilma, a senhora me derrotou por 51% a 48% dos votos válidos, que foram 300 dos 310 condôminos que votaram. Isso dá 9 pessoas. É muito pouco...
- Mas não tem cabimento esse negócio! Nenhum morador veio falar disso comigo.
- Se a senhora entrar no meu Facebook... Aliás, o que foi aquilo que fizeram comigo durante a eleição, hein? Até inventaram que eu envenenei aqueles gatos durante a eleição, apesar de terem visto o seu sobrinho dando comida pra eles. Pois puseram o meu nome com a minha foto no face e o troço viralizou. Como traduziram o post, até em Inglês eu recebi ameaças.
- Eu não tenho nada a ver com isso, não sabia de nada!
- Eu já ouvi isso antes... Mas, se a senhora vir a minha página vai perder a conta com tanta reclamação sobre as urnas. Tanta gente que quer que a senhora acabe logo com essa dúvida.
- Não, isso não tem sentido!
- Lhe seria bom também, pra poder provar que a sua vitória foi legítima.
- Não, esse prédio não é Venezuela, nem Bolívia! Somos uma democracia.
- Ah, tá bom... mas a senhora não vai, não é? Então eu não vou lhe deixar em paz, vou ser uma oposição pior que a senhora fez quando eu era síndico e arrumei as finanças do prédio! Vou começar questionando o cabide de empregos que a senhora pôs aqui no condomínio pra empregar seus parentes e seus amiguinhos! E aquela cocaína toda que a PM achou na sala de máquinas? Engraçado que o inquérito ficou engavetado... E logo na delegacia onde o seu filho é delegado! E a sua amizade com aqueles síndicos ditadores, inclusive o boliviano traficante?
- O senhor não se atreva!
- Todo mundo está dizendo que vocês têm um projeto de se perpetuar no poder nesses prédios aqui das redondezas.
- Olha aqui, o senhor já passou dos limites! Vou chamar a polícia!
- Aquela que desceu o cacete na gente quando estávamos no pátio protestando? A do batalhão onde entrou o seu primo como comandante?
- Cala a boca!
- Então a senhora me responda: vai recontar os votos ou vai fazer como o seu síndico vizinho?
- Nãããããõooo!!!!
- Pois a senhora saiba que eu vou levar todo mundo na próxima reunião. Não vai ter moleza. Vai ser, como eu já disse, a pior oposição que a senhora já enfrentou!
- O senhor tome cuidado! Não brinque comigo...
- Não tenho medo das suas ameaças, Dona Vilma! E a senhora passe bem!
- Pois eu quero é que o senhor passe mal, mesmo! Tchau!
FIM.
sábado, 20 de dezembro de 2014
ACORDA!
- Oi! O quê? O que é isso?
- Acorda, seu vagabundo!
- Quem tá falando?
- É o seu colchão, energúmeno!
- Que brincadeira idiota é essa? Pegadinha, é?
- Que pegadinha! É a vera, parça...
- Cadê a câmera?
- Câmera? Não tem câmera aqui, não.
(gritando): - Isso é sacanagem, hein? Quem fez isso? Vou olhar debaixo da cama, deve ter alguém escondido. O som vem daí. Ih, não tem nada aqui embaixo! Estranho...
- Acredita agora?
- Claro que não! É brincadeira que fizeram comigo, armação. (gritando)Aparece aí, vai! Vocês não me enganam com essa história de colchão. Isso não fala, não mexe. Só serve pra gente dormir em cima
- Olha, ontem à tarde eu já tive que pôr pra correr daqui a sua gata, que ficava afiando as garras em mim. Agora vou fazer o mesmo com você. Te prepaaaara!
- Qual foi? Por que tá balançando?
- Eu avisei pra você...
- Essa pegadinha é boa, hein? Será que eu vou ficar famoso?
- Famoso é o cacete!
- Vou entrar na pilha, então. E aí, colchão, o que você quer comigo?
- Tira o lençol aí embaixo do travesseiro.
- Tá bom, você que manda!
- Isso!
- Meu Deus, você tem olhos, nariz e boca!
- Bu!
- Sai!
- Olha aqui, seu vagabundo, seu energúmeno, seu mentecapto! Já são onze da manhã e eu tenho que aturar você em cima de mim. Onze horas! Enquanto você dorme aí, o povo trabalha lá fora. Sua mãe e seu pai estão lá, ralando pra lhe bancar!
- Quer dizer que além de você ter cara feia, dá bronca também?
- É que eu estou cansado de ver os seus pais preocupados com você, com o seu futuro. Dando esporros, dando conselhos. Tudo em vão.
- Mas isso é problema nosso, não seu.
- É meu também! Você fica dez horas em cima de mim. Se ainda fosse um doente, alguém que precisa... Mas é só a doença da preguiça! E estes lençóis, esta fronha? Tudo fedendo! Faz uma semana que eles estão aqui. Eu gosto de limpeza, não sou que nem você!
- Ah, Colchão, esqueci...
- Caramba, você é preguiçoso, mesmo! Assim não vai vencer na vida, vai ser um loser.
- Meus pais vão sempre me bancar, Colchão...
- Você acredita nisso? Pois ontem mesmo eu recebi a ligação, quando você deixou o sem fio aqui, de um primo meu, um colchão de um casal que morava na Tijuca e foi morar em Santa Cruz, ou melhor, numa comunidade da periferia de Santa Cruz, porque os pais dele se cansaram de sustentar os dois. Quer dizer, nem foi culpa da coitada; ela trabalha e ganha pouco e começou agora a estudar Edificações, mas pagou pelo erro dele também. O cara não soube aproveitar a educação que os pais deram pra ele e nem procurava trabalhar decentemente, se firmar num emprego, e os dois se encheram. Eles até disseram que por ela manteriam a ajuda por ela ser uma menina esforçada, mas não queriam sustentar mais o filho vagabundo, um irresponsável de 35 anos. E ela já está quase desistindo dele...
- É mesmo, Colchão?
- É. Agora veja a sua situação: 21 anos, só com o ensino médio, sem qualquer qualificação pra o mercado de trabalho e sem vontade de trabalhar.
- Mas eu estava trabalhando! É que eu ainda tava na experiência e eles resolveram diminuir o número de funcionários...
- Quem você quer enganar com esse seu discurso? É isso o que você põe quando preenche as fichas de emprego?
- Mas é a verdade...
- Você sabe que na verdade a culpa pela sua demissão naquele escritório foi sua, mesmo. Cacete, trabalhando no Centro da Cidade, 20 minutos de metrô daqui de Copacabana, só de segunda a sexta, com direito a feriadão, Carnaval, recesso de Natal e Ano Novo e você desperdiça?! Vai dizer que o trabalho era ruim?
- Tirando o salário, não. O ambiente era ótimo, todo mundo se respeitava ali e eu fiz um monte de parça.
- Quanto ao salário, é assim mesmo. No começo é pouco, mas à medida que você se esforça e estuda alguma coisa que sirva no serviço você cresce na empresa. Só que tem que ter paciência, não é?
- Caceta, você fala que nem a minha mãe!
- É que isso é tão óbvio que todo mundo que é sensato fala o mesmo, rapaz.
- É, o Xande me mandou a mesma letra...
- É aquele seu amigo que estuda Marketing?
- É um que se forma agora no fim do ano. Já estagia há algum tempo numa agência pica e pelo visto vai ser contratado por ela.
- Mas você não ia estudar isso com ele? Não fez o vestibular também?
- É que ele passou e eu, não. É que eu sou burro...
- Burro, não. Preguiçoso, indolente, sim. E, além do mais, você podia ter estudado numa faculdade particular. Você não queria era estudar.
- Nada a ver, Colchão...
- É preguiçoso, sim! Não entendo como um cara tão inteligente, tão perspicaz como você está assim, sem evoluir.Nesse nosso tempo de convivência eu tenho notado o quanto você enxerga além dos outros. Aquelas suas teorias da conspiração, por exemplo: antes do Edward Snowden surgir você já escrevia no Facebook que o pessoal que usava a Internet estava sendo espionado. Não deu outra...
- Essa eu acertei, mas não fiquei famoso.
- Ficar famoso igual a ele? Pra fugir pra Rússia?
- É, o cara largou até a namorada no Havaí e meteu o pé.
- Tem também essa sua teoria sobre as redes sociais, de que elas foram na verdade criadas pelas grandes nações, EUA à frente de tudo, com o intuito de manipular e monitorar as pessoas. E que caras como o Zuckerberg são apenas testas-de-ferro. Fora o questionamento que você faz sobre a morte do cinegrafista da Band. Como é que o sujeito que atirou foi filmado em todo o trajeto e menos no momento em que atira no Santiago com o rojão? E aquele que se vestia igual ao acusado e estava conversando com policiais momentos antes do crime? E a história dos Black Blocs? Só eles aparecerem que tudo melou nas manifestações.
- É, eu e uma meia dúzia reparamos as coisas...
- Então, cara? Você tem potencial, pode ainda ter um futuro decente, e não esse aí que lhe espera. Já pensou ter que sair de Copa e ir morar na periferia de Santa Cruz? Ou Japeri, ou Queimados, sei lá.
- É sinistro...
- Cara, eu não tenho bola de cristal, mas é o que provavelmente lhe espera se você não mudar agora o rumo da sua vida.
- Então eu faço o que, Colchão?
- Só vou lhe dar a dica porque gosto de você, cara. Seguinte: ontem à tarde eu também conversei com outro colchão amigo meu...
- Mó fofoqueirão você, Colchão! Vai disparar a conta do telefone e vão me culpar...
- Você quer que eu pare de falar agora? Se quiser, eu paro.
- Não, pô, fala aí!
- Então... - e não se atreva a me interromper de novo! - o cara que dorme nele é o dono de uma produtora pica, top de linha, de filmes.
- E daí?
- E daí que ele tá precisando de gente pra trabalhar ali.
- E é pra que, assistente de produção?
- Não, ele está desesperado atrás de um office boy. O antigo foi promovido.
- Porra, Colchão, office boy...
- Parça, é pegar ou largar esta chance. E, mesmo que indiretamente, você vai trabalhar com cinema e televisão, principalmente.
- Eu nunca vou ter chance de trabalhar diretamente com isso...
- Tá vendo como você é, cara? Além de preguiçoso, é pessimista! Claro que você pode se dar bem lá dentro. É só se esforçar, não fazer só o seu, ser polivalente.
- É, Colchão, você tem razão...
- E então, vai querer ou não? Olha que tem que ser rápido...
- Tá, vou lá ver o emprego. Fala aí o endereço.
- Cara, por coincidência a sua mãe ia falar desse emprego com você. Quer dizer: ela falou, não é? Só que você acordou, mijou e voltou pra aqui. Foi uma amiga dela que avisou. O endereço tá lá na mesa da sala.
- Porra, Colchão, você é parça, mesmo!
- Eu faço isso por mim também, cara! Quero que você me dê um pouco de descanso, fique menos horas em cima de mim.
- O que eu faço pra retribuir isso, cara?
- Primeiro: fecha essa porta do quarto, pra idiota da sua gata não me furar e me encher de pêlos. Depois troca esta roupa de cama suja. E por último abre essa merda de janela pra entrar um sol, tirar este cheiro de mofo que tá em mim!
- Valeu, Colchão! Missão dada é missão cumprida.
- Mas agora só fecha a porta e abre a cortina. Quero que você vá correndo pra produtora, pra pegar esse emprego. Mas fala que você tem nível médio de Inglês e não esquece de, se o povo lá já não souber, citar o nome da sua mãe, cara! A amiga dela é a esposa do dono.
- Vou lá, então!
- E olha!
- O quê?
- Se eles lhe contratarem, vê se trabalha de boa, hein? Não vai me deixar e nem a sua mãe mal com nossos respectivos amigos.
- Vou não.
- E nem tente me xisnovar, dizer que eu consigo falar, porque eu sei fingir. Ninguém vai acreditar em você; vai fazer papel de ridículo. E se você insistir, tentar arrancar a verdade, vai se dar mal. Eu tenho amigos, e se algo acontecer comigo, você nunca mais vai poder dormir num colchão.
- Pô, Colchão, me ameaçando? Vou fazer isso contigo, não!
- É só por segurança, sabe? É que nós colchões somos uma espécie de irmandade, na pior das hipóteses uma máfia. Ou você nunca ouviu sobre gente que morreu dormindo? Às vezes de infarto, outras caindo da cama...
- Calma, Colchão, sem noia! Não vou lhe xisnovar, já falei.
- Só por garantia, mesmo. Sem ressentimentos...
- Fiquei até com medo de você agora...
- Mantendo o nosso segredo, não precisa ter medo.
- Tá bom.
- Isso! E vai logo ver o emprego, vai!
- Valeu, fui!
FIM.
- Oi! O quê? O que é isso?
- Acorda, seu vagabundo!
- Quem tá falando?
- É o seu colchão, energúmeno!
- Que brincadeira idiota é essa? Pegadinha, é?
- Que pegadinha! É a vera, parça...
- Cadê a câmera?
- Câmera? Não tem câmera aqui, não.
(gritando): - Isso é sacanagem, hein? Quem fez isso? Vou olhar debaixo da cama, deve ter alguém escondido. O som vem daí. Ih, não tem nada aqui embaixo! Estranho...
- Acredita agora?
- Claro que não! É brincadeira que fizeram comigo, armação. (gritando)Aparece aí, vai! Vocês não me enganam com essa história de colchão. Isso não fala, não mexe. Só serve pra gente dormir em cima
- Olha, ontem à tarde eu já tive que pôr pra correr daqui a sua gata, que ficava afiando as garras em mim. Agora vou fazer o mesmo com você. Te prepaaaara!
- Qual foi? Por que tá balançando?
- Eu avisei pra você...
- Essa pegadinha é boa, hein? Será que eu vou ficar famoso?
- Famoso é o cacete!
- Vou entrar na pilha, então. E aí, colchão, o que você quer comigo?
- Tira o lençol aí embaixo do travesseiro.
- Tá bom, você que manda!
- Isso!
- Meu Deus, você tem olhos, nariz e boca!
- Bu!
- Sai!
- Olha aqui, seu vagabundo, seu energúmeno, seu mentecapto! Já são onze da manhã e eu tenho que aturar você em cima de mim. Onze horas! Enquanto você dorme aí, o povo trabalha lá fora. Sua mãe e seu pai estão lá, ralando pra lhe bancar!
- Quer dizer que além de você ter cara feia, dá bronca também?
- É que eu estou cansado de ver os seus pais preocupados com você, com o seu futuro. Dando esporros, dando conselhos. Tudo em vão.
- Mas isso é problema nosso, não seu.
- É meu também! Você fica dez horas em cima de mim. Se ainda fosse um doente, alguém que precisa... Mas é só a doença da preguiça! E estes lençóis, esta fronha? Tudo fedendo! Faz uma semana que eles estão aqui. Eu gosto de limpeza, não sou que nem você!
- Ah, Colchão, esqueci...
- Caramba, você é preguiçoso, mesmo! Assim não vai vencer na vida, vai ser um loser.
- Meus pais vão sempre me bancar, Colchão...
- Você acredita nisso? Pois ontem mesmo eu recebi a ligação, quando você deixou o sem fio aqui, de um primo meu, um colchão de um casal que morava na Tijuca e foi morar em Santa Cruz, ou melhor, numa comunidade da periferia de Santa Cruz, porque os pais dele se cansaram de sustentar os dois. Quer dizer, nem foi culpa da coitada; ela trabalha e ganha pouco e começou agora a estudar Edificações, mas pagou pelo erro dele também. O cara não soube aproveitar a educação que os pais deram pra ele e nem procurava trabalhar decentemente, se firmar num emprego, e os dois se encheram. Eles até disseram que por ela manteriam a ajuda por ela ser uma menina esforçada, mas não queriam sustentar mais o filho vagabundo, um irresponsável de 35 anos. E ela já está quase desistindo dele...
- É mesmo, Colchão?
- É. Agora veja a sua situação: 21 anos, só com o ensino médio, sem qualquer qualificação pra o mercado de trabalho e sem vontade de trabalhar.
- Mas eu estava trabalhando! É que eu ainda tava na experiência e eles resolveram diminuir o número de funcionários...
- Quem você quer enganar com esse seu discurso? É isso o que você põe quando preenche as fichas de emprego?
- Mas é a verdade...
- Você sabe que na verdade a culpa pela sua demissão naquele escritório foi sua, mesmo. Cacete, trabalhando no Centro da Cidade, 20 minutos de metrô daqui de Copacabana, só de segunda a sexta, com direito a feriadão, Carnaval, recesso de Natal e Ano Novo e você desperdiça?! Vai dizer que o trabalho era ruim?
- Tirando o salário, não. O ambiente era ótimo, todo mundo se respeitava ali e eu fiz um monte de parça.
- Quanto ao salário, é assim mesmo. No começo é pouco, mas à medida que você se esforça e estuda alguma coisa que sirva no serviço você cresce na empresa. Só que tem que ter paciência, não é?
- Caceta, você fala que nem a minha mãe!
- É que isso é tão óbvio que todo mundo que é sensato fala o mesmo, rapaz.
- É, o Xande me mandou a mesma letra...
- É aquele seu amigo que estuda Marketing?
- É um que se forma agora no fim do ano. Já estagia há algum tempo numa agência pica e pelo visto vai ser contratado por ela.
- Mas você não ia estudar isso com ele? Não fez o vestibular também?
- É que ele passou e eu, não. É que eu sou burro...
- Burro, não. Preguiçoso, indolente, sim. E, além do mais, você podia ter estudado numa faculdade particular. Você não queria era estudar.
- Nada a ver, Colchão...
- É preguiçoso, sim! Não entendo como um cara tão inteligente, tão perspicaz como você está assim, sem evoluir.Nesse nosso tempo de convivência eu tenho notado o quanto você enxerga além dos outros. Aquelas suas teorias da conspiração, por exemplo: antes do Edward Snowden surgir você já escrevia no Facebook que o pessoal que usava a Internet estava sendo espionado. Não deu outra...
- Essa eu acertei, mas não fiquei famoso.
- Ficar famoso igual a ele? Pra fugir pra Rússia?
- É, o cara largou até a namorada no Havaí e meteu o pé.
- Tem também essa sua teoria sobre as redes sociais, de que elas foram na verdade criadas pelas grandes nações, EUA à frente de tudo, com o intuito de manipular e monitorar as pessoas. E que caras como o Zuckerberg são apenas testas-de-ferro. Fora o questionamento que você faz sobre a morte do cinegrafista da Band. Como é que o sujeito que atirou foi filmado em todo o trajeto e menos no momento em que atira no Santiago com o rojão? E aquele que se vestia igual ao acusado e estava conversando com policiais momentos antes do crime? E a história dos Black Blocs? Só eles aparecerem que tudo melou nas manifestações.
- É, eu e uma meia dúzia reparamos as coisas...
- Então, cara? Você tem potencial, pode ainda ter um futuro decente, e não esse aí que lhe espera. Já pensou ter que sair de Copa e ir morar na periferia de Santa Cruz? Ou Japeri, ou Queimados, sei lá.
- É sinistro...
- Cara, eu não tenho bola de cristal, mas é o que provavelmente lhe espera se você não mudar agora o rumo da sua vida.
- Então eu faço o que, Colchão?
- Só vou lhe dar a dica porque gosto de você, cara. Seguinte: ontem à tarde eu também conversei com outro colchão amigo meu...
- Mó fofoqueirão você, Colchão! Vai disparar a conta do telefone e vão me culpar...
- Você quer que eu pare de falar agora? Se quiser, eu paro.
- Não, pô, fala aí!
- Então... - e não se atreva a me interromper de novo! - o cara que dorme nele é o dono de uma produtora pica, top de linha, de filmes.
- E daí?
- E daí que ele tá precisando de gente pra trabalhar ali.
- E é pra que, assistente de produção?
- Não, ele está desesperado atrás de um office boy. O antigo foi promovido.
- Porra, Colchão, office boy...
- Parça, é pegar ou largar esta chance. E, mesmo que indiretamente, você vai trabalhar com cinema e televisão, principalmente.
- Eu nunca vou ter chance de trabalhar diretamente com isso...
- Tá vendo como você é, cara? Além de preguiçoso, é pessimista! Claro que você pode se dar bem lá dentro. É só se esforçar, não fazer só o seu, ser polivalente.
- É, Colchão, você tem razão...
- E então, vai querer ou não? Olha que tem que ser rápido...
- Tá, vou lá ver o emprego. Fala aí o endereço.
- Cara, por coincidência a sua mãe ia falar desse emprego com você. Quer dizer: ela falou, não é? Só que você acordou, mijou e voltou pra aqui. Foi uma amiga dela que avisou. O endereço tá lá na mesa da sala.
- Porra, Colchão, você é parça, mesmo!
- Eu faço isso por mim também, cara! Quero que você me dê um pouco de descanso, fique menos horas em cima de mim.
- O que eu faço pra retribuir isso, cara?
- Primeiro: fecha essa porta do quarto, pra idiota da sua gata não me furar e me encher de pêlos. Depois troca esta roupa de cama suja. E por último abre essa merda de janela pra entrar um sol, tirar este cheiro de mofo que tá em mim!
- Valeu, Colchão! Missão dada é missão cumprida.
- Mas agora só fecha a porta e abre a cortina. Quero que você vá correndo pra produtora, pra pegar esse emprego. Mas fala que você tem nível médio de Inglês e não esquece de, se o povo lá já não souber, citar o nome da sua mãe, cara! A amiga dela é a esposa do dono.
- Vou lá, então!
- E olha!
- O quê?
- Se eles lhe contratarem, vê se trabalha de boa, hein? Não vai me deixar e nem a sua mãe mal com nossos respectivos amigos.
- Vou não.
- E nem tente me xisnovar, dizer que eu consigo falar, porque eu sei fingir. Ninguém vai acreditar em você; vai fazer papel de ridículo. E se você insistir, tentar arrancar a verdade, vai se dar mal. Eu tenho amigos, e se algo acontecer comigo, você nunca mais vai poder dormir num colchão.
- Pô, Colchão, me ameaçando? Vou fazer isso contigo, não!
- É só por segurança, sabe? É que nós colchões somos uma espécie de irmandade, na pior das hipóteses uma máfia. Ou você nunca ouviu sobre gente que morreu dormindo? Às vezes de infarto, outras caindo da cama...
- Calma, Colchão, sem noia! Não vou lhe xisnovar, já falei.
- Só por garantia, mesmo. Sem ressentimentos...
- Fiquei até com medo de você agora...
- Mantendo o nosso segredo, não precisa ter medo.
- Tá bom.
- Isso! E vai logo ver o emprego, vai!
- Valeu, fui!
FIM.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
À BEIRA DA PISCINA
- Alô?
- Gostosa!
- O que é isso? Quem tá ligando?
- Um cara que adora lhe ver, um voyeur.
- Ô seu tarado! Não tem o que fazer? Vai procurar uma mulher, seu onanista!
- Eu prefiro ficar observando você aí, à beira da piscina, "tomando" um solzinho...
- É só na covardia, no cinco contra um, não é?
- Você deveria gostar de receber homenagens...
- Gostar? Eu não preciso disso, seu tarado! Eu tenho um marido ótimo, que me satisfaz.
- Se ele lhe satisfizesse mesmo, não deixaria intacta uma loura maravilhosa como você, seminua...
- Ele está na empresa dele, trabalhando muito! Até queria, mas não podia ficar aqui comigo. E eu não estou nada seminua! Estou de biquíni.
- Esse micro fio-dental que você usa agora? Atrás ele só cobre o cofrinho e mostra toda a Casa da Moeda e na frente é quase um tapa-sexo...
- Olha aqui, seu idiota! Eu estou na minha casa; posso até ficar nua, se quiser.
- Quem dera que você ficasse nua...
- O que você quer comigo, seu doente?! Olha que eu chamo a polícia, hein?
- Só porque eu estou lhe admirando?
- Não. É porque você é um tarado, uma ameaça!
- Ameaça? Eu só quero lhe ver, não sou um estuprador.
- Eu já falei demais com você, vou desligar!
- Você já o teria feito, se quisesse mesmo.
- O quê?
- É isso mesmo que você ouviu. Você gosta de saber que está sendo observada, desejada...
- Que absurdo!
- Você gosta de ser chamada de gostosa, de saber que tocam umazinha pra você.
- Você é louco mesmo!
- Louco de tesão, com o pau duro a tanto tempo por ver você que daqui a pouco tem priapismo.
- Pois tomara que tenha mesmo! Que o seu pau, seu tarado, fique duro por tanto tempo que lhe deixe broxa logo!
- É só eu parar de lhe observar que com o tempo ele relaxa. Nenhuma das mulheres que eu vejo por aí me deixa assim com tanto tesão.
- Não dá pra eu curtir as minhas merecidas férias sossegada, sem um louco me espiando?
-Você não liga de estar sendo espiada. De vez em quando eu flagro você olhando à sua volta, como se perguntando se mesmo distante a observam. Não lhe dá tesão saber que lhe olham e lhe desejam?
- Não preciso disso! Me basta o meu marido me desejando.
- Toda mulher gosta de ser admirada, desejada. Vivem reclamando das cantadas, mas quando não ouvem mais gracinhas nas ruas sentem falta. E tem muito homem que se diz ciumento, mas gosta de ver a sua namorada ou esposa bonita, chamativa.
- Mas duvido que gostem de tarados como você babando ao vê-las de biquíni.
- Eu vejo umas mulheres acompanhadas com uns biquínis... E os seus pares não fazem cara de que não estão gostando, não. Acho até que eles sentem tesão de vê-las expostas daquele jeito...
- Você é muito pervertido! Ainda bem que o meu marido não é assim.
- Quem lhe garante?
- Eu o conheço bem, tá!
- Tá bom... Mas vamos esquecer um pouco esse cara que não é capaz de se atrasar pra comer você aí mesmo, na piscina. Um cara que só lhe dá um beijo e vai embora.
- Você me observa mesmo, hein? Mas como, se a vista da minha casa não é defasada? De onde você poderia estar me observando?
- Não adianta que eu não caio na sua armadilha! Sei da sua rotina, mas você não vai saber onde estou e quem eu sou. Não por enquanto.
- O que mais você sabe sobre mim?
- Que você não gosta de ir à praia porque se acha gorda. Vejo o seu marido arrumando as coisas pra ir lá com o seu filho e reclamando que é frescura sua isso, que o seu corpo é bonito, que o que é bonito é pra ser visto...
- Mas eu sou gorda. Malho pra caralho, mas sou gorda.
- Você é larga; esta é a sua estrutura física. Uma gorda esbelta, que tem cinturinha, curvilínea.
- Gorda, não. Gordinha...
- Gordinha é eufemismo! Assuma o seu tipo físico. Você é gorda e gostosa ao mesmo tempo, porra!
- Você fala igualzinho ao meu marido... Como ele, só quer me agradar.
- Se você não se acha gostosa não é problema meu! Isso não vai tirar o meu tesão por você.
- O que você quer comigo, afinal?
- Quer saber mesmo?
- Claro, quero! Fala, pra acabar com isso.
- Faz um topless pra mim.
- De jeito nenhum!
- Por que não? Não tem ninguém olhando mesmo...
- Pro meu marido eu faço, não pra um desconhecido.
- Tira, vai! Ninguém vai saber.
- Não, nem pensar!
- Vai me dizer que não acha isso excitante?
- Si... quer dizer, não!
- Quase que você se entregou... Tira, vai!
- Não.
- Vou desligar, então. E você não fala comigo nunca mais. Você já viu que o meu número é restrito.
- Ah, não sei... Nem te conheço.
- Tira, tira, tira...
- Tá bom! Mas é só isso, hein?
- Você não vai fazer nada que não queira. Mas tira, vai! Eu espero.
- E agora que você já viu o que queria, está satisfeito?
- Eu já tinha os visto antes, mas assim é diferente. Assim eles ficam mais bonitos, mais sensuais.
- Como você já viu os meus peitos?
- Você anda bem à vontade em casa...
- Absurdo... Agora vai me deixar em paz?
- Quer?
- Quero.
- Então vou desligar. Tchau...
- Não!
- Não desliga?
- É...
- Então vamos continuar a brincadeira.
- O que você quer agora?
- Bottomless.
- Tirar tudo, não!
- Somos só eu e você, ninguém mais pode ver a gente. Tira, vai...
- Será que os meus peitinhos não são o suficiente pra você, seu onanista, seu punheteiro?
- Peitinhos? Meu pau encaixa aí direitinho. Faço uma bela espanhola neles...
- Chega, seu tarado! Se divirta com esta cena...
- É pouco pra mim! E pra você também, que eu sei.
- Ah, não sei, isso é loucura...
- Usa depois como fantasia no sexo com ele...
- Isso é sacanagem com ele...
- Pra ele vai ser só uma fantasia, não precisa contar a verdade.
- Ah, não sei...
- Tira, porra!
- Ai, calma!
- Calma é o caralho! Tira essa porra desse quase tapa-sexo que você tá usando, merda!
- Ai, tá bom...
- Tô aqui esperando ansiosamente, como um adolescente.
- Gente, que loucura! Eu fiquei peladinha pra um desconhecido...
- Que bocetinha linda você tem!
- Você gostou?
- Claro que sim! Toda depiladinha, toda trabalhada no brazilian waxing...
- Eu prefiro assim, é mais higiênico.
- Eu também. Não esfola o meu pau e tem um gosto melhor.
- Hmmmm...
- Você deve estar toda molhadinha, não é?
- Você sabe que sim.
- Prova um pouquinho por mim.
- Um pouquinho do quê?
- Põe a mão na xotinha e leva à boca, vai!
- Isso é nojento!
- Faz, vai!
- No way!
- Não? Então, tchau...
- Espera!
- Vai fazer o que eu pedi?
- Vou. Hmmmm, aiiii!
- Isso, esfrega bem o dedinho aí! Tá bom, muito bom... Agora chupa, vai! Chupa como se você fosse uma puta gulosa com o meu pau na boca...
- Hmmm... Ai, que delícia!
- Caralho, você é um tesão! Quantos anos você tem, hein?
- Uma mulher não conta a sua idade pra qualquer um, não!
- Você fica peladinha pra mim, prova a bocetinha e não quer me contar a sua idade?
- Tá bom, 42 anos...
- Pensei que tinha no máximo uns 36.
- Obrigada.
- Eu é que agradeço pelo espetáculo.
- Acabou? Vai desligar?
- Não, é cedo ainda!
- Ah, bom!
- Mas então eu vou querer que você se masturbe.
- Nem sozinha eu já fiz isso!
- Então perde o cabaço comigo, vai!
- De jeito nenhum!
- Você tá louquinha pra fazer! Pega a sua mãozinha esquerda e faz pra mim, vai!
- Como você sabe que eu sou canhota?
- Observando.
- Você sabe demais de mim...
- É. Mas toca logo essa porra dessa siririca, caralho!
- Calma, não precisa ser grosso!
- Grosso? Quando estivermos sozinhos você vai ver como sou grande e grosso. E chega de conversinha, hein? Mete logo o dedo do fio terra na rachinha e esfrega bem esse clitóris, sua putinha!
- Hmmmm...
- Isso, se imagina dançando nuazinha no palco de uma boate! Pensa que tem um monte de gente na plateia, um monte de caras de pau duro por você...
- Ai, eu já tive esse tipo de fantasia com o meu marido...
- Pelo menos ele é criativo, não é? Mas esquece o cara, porra! Deixa só a gente aqui. Agora você está toda abertinha, se esfregando na barra do poll dance...
- Delícia... Eu já trepei várias vezes com essa fantasia.
- Isso, toca, vai! Agora eu sou o segurança da boate que tá louco pra lhe "comer". Aí você passa nuazinha por mim no corredor.
- O que você vai fazer comigo, seu safado?
- Nada que você não queira.
- Como assim?
- Exatamente: como. Mas primeiro eu lhe pego pelo braço, meto a mão na sua bocetinha e toco uma siririca em você.
- Você vai me agarrar, seu tarado?
- Como já disse, não vou fazer nada que você não queira.
- Continua.
- Aí vou "arrastar" você pra dentro de um quartinho que quase ninguém na boate conhece, vou lhe chupar todinha, vou pôr você pra chupar o meu pau, vou meter na sua bocetinha e terminar comendo o seu cuzinho.
- Ai, o cuzinho não! O cuzinho dói...
- Vou botar com jeito.
- Então tá.
- Agora vai, sua vadia! Isso, toca, se masturba, vai! Imagina eu fazendo barba, cabelo e bigode em você; o serviço completo...
- Ai, que delícia! Ai, ai... aaaaiiiiii!
- Isso, vagabunda! Goza bastante, vai! Goza aí que eu gozo aqui...
- Caralho, que delícia! Não sabia que siririca era tão bom assim.
- Foi bom também pra você?
- Adorei!
- Vem me encontrar, então!
- Na.. não! Isso, não! Isso já é passar demais dos limites; eu sou fiel a ele.
- Vem, vai... Você não vai se arrepender.
- Não, chega! That's enough!
- Então tá bom, nunca mais lhe ligo.
- Só porque eu não quero lhe dar, você não vai mais me ligar?
- Se assim já foi tão bom, imagina quando a gente se encontrar?
- Então tá bom, eu vou lhe encontrar. Mas ainda não decidi se vou lhe dar, tá?
- Como você quiser.
- Onde, então?
- Sabe o motel Manchete?
- Aquele do slogan "Aconteceu, vem pro Manchete."?
- Isso. Sabe onde é, né?
- Sei. Há tempos que ele não me leva lá...
- Pois eu lhe encontro lá na esquina daqui a uma hora. Quando eu chegar, dou três buzinadas e aceno.
- Tá bom, a gente se encontra lá.
- Não vejo a hora, gostosa! Tchau!
- Tchau.
Uma hora depois:
- Oi.
- Oi. Lhe liguei pra dizer que eu vou me atrasar um pouco. É que o trânsito... Você sabe como é aqui no Rio de Janeiro, ainda mais pelas bandas da Barra.
- Que bom que você ligou.
- Por quê?
- É que eu não quero mais...
- Como assim?
- Não quero, não quero mais! E amo demais o meu marido e só consigo fazer sexo com ele! Desde que demos o primeiro beijo, há 18 anos, que eu não sei o que é outro homem. Tudo bem que esfriou um pouco nos últimos tempos, mas não é nada que não possamos resolver com, sei lá, uma boa viagem às praias do Ceará.
- Foi tão bom pelo celular. Imagina quando a gente se tocar.
- É diferente. Aquilo foi só uma fantasia, isso já é dar um passo muito adiante; não estou preparada pra isso.
- Então quer dizer que você só me usou pra realizar uma fantasia, não é? Pra depois gastar com o oficial...
- Não, não é nada disso... Olha, vamos parar por aqui! Isso já foi longe demais. Não quero traí-lo e pronto!
- Quer dizer que eu não tenho nenhuma chance com você?
- Não.
- Que pena! Seria ótimo o nosso sexo.
- Tchau.
- Tchau, minha loura gostosa!
(Falando sozinha dentro do carro): - Foi melhor assim. Nunca traí o meu Sávio e não seria agora que eu o faria. Se não está bom, é melhor sentarmos e conversarmos. Trair, nunca! Ué, três buzinadas? E ele está acenando ali do carro? Eu não falei pra esse imbecil que não ia rolar?! Que escro... Sávio? É o Sávio ali no carro? Mas como assim? Será que ele me seguiu? Ele tá sinalizando pra entrar no Manchete. Ai, Meu Deus!
Cinco minutos depois:
- Oi, Sávio.
- É só isso que você tem pra me dizer?
- Vamos primeiro sair daqui e entrar na suíte, vai!
- E agora que a gente já está na suíte, desembucha, vai, mulher!
- Eu é que tenho que perguntar. O que você estava fazendo ali?
- Não vou inventar mais, Sinara. Era eu ao telefone.
- Você?
- É, eu! Nunca imaginei que você aceitaria aquilo tudo, que ficaria nua pra um desconhecido que você não sabia nem qual era a cara. Que se masturbaria pra ele ver e por pouco não estaria aqui fodendo com ele!
- Mas era você!
- Eu sabia disso. Você, não!
- Olha, eu não queria, mas vou ter que fazer que nem uma personagem do Nelson Rodrigues: é que eu estou frustrada, você não é mais o mesmo! Há quanto tempo que você não toca uma punheta na minha frente, por exemplo?
- O que está faltando pra você, Sinara?
- Ah, sei lá! Você não é mais o mesmo, não tem mais aquele jeito sacana, não tem tantas fantasias no nosso sexo, não vamos mais ao motel... É só trabalhar, trabalhar... ! Não tem ninguém ali pra lhe substituir de vez em quando? E hoje? Você, como tem sido ultimamente, só me deu um beijo, que não foi nem de língua, de despedida. Porra, eu entrei de férias! Estou ali me bronzeando seminua pra você, e só um beijinho? E sem língua?! Olha, você não é o culpado de tudo, mas tem deixado a desejar, deixou o nosso casamento cair na rotina.
- Por que você acha que eu fiz isso hoje?
- Sei lá! Pra me testar, eu acho.
- Tudo bem, não vou mentir. Foi também pra isso, mas a priori eu só queria brincar. Eu ia me identificar, porque eu queria o tesão daquilo, mas aí...
- Mas aí o que, Savio?
- Daí que eu resolvi lhe testar.
- Me testar? Você não confia em mim?
- Agora eu confio. Mas só em você não dar pra outro.
- E você acha certo tudo isso o que você fez? Até a voz você mudou!
- O que eu acho é que eu estou cheio de tesão por você.
- Você se masturbou mesmo?
- Nunca toquei uma punheta tão gostosa! Nem nos tempos de moleque. Mas não gozei, só tive aquela sensação boa...
- E de onde você me olhou?
- Daquela casa que está à venda. Peguei a chave com o proprietário.
- Aquela que você fotografou o telefone no outro dia? Que disse que era pro amigo?
- Pois é, fiquei ali lhe espiando.
- Mas ela é longe...
- Eu usei binóculo pra enxergar melhor, não perder nenhum detalhe. Deu pra ver direitinho você tocando aquela siririca, o movimento do dedo fio-terra passando no seu clitóris...
- Você adora o meu fio terra, hein, Sávio? E eu que achava que você não era mais safado... Tô vendo que você ficou pior.
- Você ainda não viu nada.
- Vamos viajar um pouco, amor! O Luiz já tem 16 anos, os meus pais moram perto da gente e podem ficar com ele enquanto a gente viaja sozinho pras praias do Ceará. Depois vamos pra Tambaba...
- Acho ótimo. Vou providenciar isso lá na firma, preparar o gerente Oswaldo pra tomar conta de tudo. Porra, todo mundo ali tira férias, menos eu!
- Isso, adorei! Mas e agora, o que vamos fazer?
- Você sabe. Vamos aproveitar a suíte, esta piscina...
- Seu pervertido! Vai me mostrar que é grande e grosso, vai?
- Tá bom assim? É grande e grosso o suficiente pra você?
- Deixa eu pegar pra ver, seu punheteiro, seu covarde, seu onanista...
- Vai, sua cachorra, sua exibicionista! Pega no meu pau, vai! Caralho, que delícia...
- Te amo, Savio!
- Eu também te amo, Sinara!
FIM.
- Não. É porque você é um tarado, uma ameaça!
- Ameaça? Eu só quero lhe ver, não sou um estuprador.
- Eu já falei demais com você, vou desligar!
- Você já o teria feito, se quisesse mesmo.
- O quê?
- É isso mesmo que você ouviu. Você gosta de saber que está sendo observada, desejada...
- Que absurdo!
- Você gosta de ser chamada de gostosa, de saber que tocam umazinha pra você.
- Você é louco mesmo!
- Louco de tesão, com o pau duro a tanto tempo por ver você que daqui a pouco tem priapismo.
- Pois tomara que tenha mesmo! Que o seu pau, seu tarado, fique duro por tanto tempo que lhe deixe broxa logo!
- É só eu parar de lhe observar que com o tempo ele relaxa. Nenhuma das mulheres que eu vejo por aí me deixa assim com tanto tesão.
- Não dá pra eu curtir as minhas merecidas férias sossegada, sem um louco me espiando?
-Você não liga de estar sendo espiada. De vez em quando eu flagro você olhando à sua volta, como se perguntando se mesmo distante a observam. Não lhe dá tesão saber que lhe olham e lhe desejam?
- Não preciso disso! Me basta o meu marido me desejando.
- Toda mulher gosta de ser admirada, desejada. Vivem reclamando das cantadas, mas quando não ouvem mais gracinhas nas ruas sentem falta. E tem muito homem que se diz ciumento, mas gosta de ver a sua namorada ou esposa bonita, chamativa.
- Mas duvido que gostem de tarados como você babando ao vê-las de biquíni.
- Eu vejo umas mulheres acompanhadas com uns biquínis... E os seus pares não fazem cara de que não estão gostando, não. Acho até que eles sentem tesão de vê-las expostas daquele jeito...
- Você é muito pervertido! Ainda bem que o meu marido não é assim.
- Quem lhe garante?
- Eu o conheço bem, tá!
- Tá bom... Mas vamos esquecer um pouco esse cara que não é capaz de se atrasar pra comer você aí mesmo, na piscina. Um cara que só lhe dá um beijo e vai embora.
- Você me observa mesmo, hein? Mas como, se a vista da minha casa não é defasada? De onde você poderia estar me observando?
- Não adianta que eu não caio na sua armadilha! Sei da sua rotina, mas você não vai saber onde estou e quem eu sou. Não por enquanto.
- O que mais você sabe sobre mim?
- Que você não gosta de ir à praia porque se acha gorda. Vejo o seu marido arrumando as coisas pra ir lá com o seu filho e reclamando que é frescura sua isso, que o seu corpo é bonito, que o que é bonito é pra ser visto...
- Mas eu sou gorda. Malho pra caralho, mas sou gorda.
- Você é larga; esta é a sua estrutura física. Uma gorda esbelta, que tem cinturinha, curvilínea.
- Gorda, não. Gordinha...
- Gordinha é eufemismo! Assuma o seu tipo físico. Você é gorda e gostosa ao mesmo tempo, porra!
- Você fala igualzinho ao meu marido... Como ele, só quer me agradar.
- Se você não se acha gostosa não é problema meu! Isso não vai tirar o meu tesão por você.
- O que você quer comigo, afinal?
- Quer saber mesmo?
- Claro, quero! Fala, pra acabar com isso.
- Faz um topless pra mim.
- De jeito nenhum!
- Por que não? Não tem ninguém olhando mesmo...
- Pro meu marido eu faço, não pra um desconhecido.
- Tira, vai! Ninguém vai saber.
- Não, nem pensar!
- Vai me dizer que não acha isso excitante?
- Si... quer dizer, não!
- Quase que você se entregou... Tira, vai!
- Não.
- Vou desligar, então. E você não fala comigo nunca mais. Você já viu que o meu número é restrito.
- Ah, não sei... Nem te conheço.
- Tira, tira, tira...
- Tá bom! Mas é só isso, hein?
- Você não vai fazer nada que não queira. Mas tira, vai! Eu espero.
- E agora que você já viu o que queria, está satisfeito?
- Eu já tinha os visto antes, mas assim é diferente. Assim eles ficam mais bonitos, mais sensuais.
- Como você já viu os meus peitos?
- Você anda bem à vontade em casa...
- Absurdo... Agora vai me deixar em paz?
- Quer?
- Quero.
- Então vou desligar. Tchau...
- Não!
- Não desliga?
- É...
- Então vamos continuar a brincadeira.
- O que você quer agora?
- Bottomless.
- Tirar tudo, não!
- Somos só eu e você, ninguém mais pode ver a gente. Tira, vai...
- Será que os meus peitinhos não são o suficiente pra você, seu onanista, seu punheteiro?
- Peitinhos? Meu pau encaixa aí direitinho. Faço uma bela espanhola neles...
- Chega, seu tarado! Se divirta com esta cena...
- É pouco pra mim! E pra você também, que eu sei.
- Ah, não sei, isso é loucura...
- Usa depois como fantasia no sexo com ele...
- Isso é sacanagem com ele...
- Pra ele vai ser só uma fantasia, não precisa contar a verdade.
- Ah, não sei...
- Tira, porra!
- Ai, calma!
- Calma é o caralho! Tira essa porra desse quase tapa-sexo que você tá usando, merda!
- Ai, tá bom...
- Tô aqui esperando ansiosamente, como um adolescente.
- Gente, que loucura! Eu fiquei peladinha pra um desconhecido...
- Que bocetinha linda você tem!
- Você gostou?
- Claro que sim! Toda depiladinha, toda trabalhada no brazilian waxing...
- Eu prefiro assim, é mais higiênico.
- Eu também. Não esfola o meu pau e tem um gosto melhor.
- Hmmmm...
- Você deve estar toda molhadinha, não é?
- Você sabe que sim.
- Prova um pouquinho por mim.
- Um pouquinho do quê?
- Põe a mão na xotinha e leva à boca, vai!
- Isso é nojento!
- Faz, vai!
- No way!
- Não? Então, tchau...
- Espera!
- Vai fazer o que eu pedi?
- Vou. Hmmmm, aiiii!
- Isso, esfrega bem o dedinho aí! Tá bom, muito bom... Agora chupa, vai! Chupa como se você fosse uma puta gulosa com o meu pau na boca...
- Hmmm... Ai, que delícia!
- Caralho, você é um tesão! Quantos anos você tem, hein?
- Uma mulher não conta a sua idade pra qualquer um, não!
- Você fica peladinha pra mim, prova a bocetinha e não quer me contar a sua idade?
- Tá bom, 42 anos...
- Pensei que tinha no máximo uns 36.
- Obrigada.
- Eu é que agradeço pelo espetáculo.
- Acabou? Vai desligar?
- Não, é cedo ainda!
- Ah, bom!
- Mas então eu vou querer que você se masturbe.
- Nem sozinha eu já fiz isso!
- Então perde o cabaço comigo, vai!
- De jeito nenhum!
- Você tá louquinha pra fazer! Pega a sua mãozinha esquerda e faz pra mim, vai!
- Como você sabe que eu sou canhota?
- Observando.
- Você sabe demais de mim...
- É. Mas toca logo essa porra dessa siririca, caralho!
- Calma, não precisa ser grosso!
- Grosso? Quando estivermos sozinhos você vai ver como sou grande e grosso. E chega de conversinha, hein? Mete logo o dedo do fio terra na rachinha e esfrega bem esse clitóris, sua putinha!
- Hmmmm...
- Isso, se imagina dançando nuazinha no palco de uma boate! Pensa que tem um monte de gente na plateia, um monte de caras de pau duro por você...
- Ai, eu já tive esse tipo de fantasia com o meu marido...
- Pelo menos ele é criativo, não é? Mas esquece o cara, porra! Deixa só a gente aqui. Agora você está toda abertinha, se esfregando na barra do poll dance...
- Delícia... Eu já trepei várias vezes com essa fantasia.
- Isso, toca, vai! Agora eu sou o segurança da boate que tá louco pra lhe "comer". Aí você passa nuazinha por mim no corredor.
- O que você vai fazer comigo, seu safado?
- Nada que você não queira.
- Como assim?
- Exatamente: como. Mas primeiro eu lhe pego pelo braço, meto a mão na sua bocetinha e toco uma siririca em você.
- Você vai me agarrar, seu tarado?
- Como já disse, não vou fazer nada que você não queira.
- Continua.
- Aí vou "arrastar" você pra dentro de um quartinho que quase ninguém na boate conhece, vou lhe chupar todinha, vou pôr você pra chupar o meu pau, vou meter na sua bocetinha e terminar comendo o seu cuzinho.
- Ai, o cuzinho não! O cuzinho dói...
- Vou botar com jeito.
- Então tá.
- Agora vai, sua vadia! Isso, toca, se masturba, vai! Imagina eu fazendo barba, cabelo e bigode em você; o serviço completo...
- Ai, que delícia! Ai, ai... aaaaiiiiii!
- Isso, vagabunda! Goza bastante, vai! Goza aí que eu gozo aqui...
- Caralho, que delícia! Não sabia que siririca era tão bom assim.
- Foi bom também pra você?
- Adorei!
- Vem me encontrar, então!
- Na.. não! Isso, não! Isso já é passar demais dos limites; eu sou fiel a ele.
- Vem, vai... Você não vai se arrepender.
- Não, chega! That's enough!
- Então tá bom, nunca mais lhe ligo.
- Só porque eu não quero lhe dar, você não vai mais me ligar?
- Se assim já foi tão bom, imagina quando a gente se encontrar?
- Então tá bom, eu vou lhe encontrar. Mas ainda não decidi se vou lhe dar, tá?
- Como você quiser.
- Onde, então?
- Sabe o motel Manchete?
- Aquele do slogan "Aconteceu, vem pro Manchete."?
- Isso. Sabe onde é, né?
- Sei. Há tempos que ele não me leva lá...
- Pois eu lhe encontro lá na esquina daqui a uma hora. Quando eu chegar, dou três buzinadas e aceno.
- Tá bom, a gente se encontra lá.
- Não vejo a hora, gostosa! Tchau!
- Tchau.
Uma hora depois:
- Oi.
- Oi. Lhe liguei pra dizer que eu vou me atrasar um pouco. É que o trânsito... Você sabe como é aqui no Rio de Janeiro, ainda mais pelas bandas da Barra.
- Que bom que você ligou.
- Por quê?
- É que eu não quero mais...
- Como assim?
- Não quero, não quero mais! E amo demais o meu marido e só consigo fazer sexo com ele! Desde que demos o primeiro beijo, há 18 anos, que eu não sei o que é outro homem. Tudo bem que esfriou um pouco nos últimos tempos, mas não é nada que não possamos resolver com, sei lá, uma boa viagem às praias do Ceará.
- Foi tão bom pelo celular. Imagina quando a gente se tocar.
- É diferente. Aquilo foi só uma fantasia, isso já é dar um passo muito adiante; não estou preparada pra isso.
- Então quer dizer que você só me usou pra realizar uma fantasia, não é? Pra depois gastar com o oficial...
- Não, não é nada disso... Olha, vamos parar por aqui! Isso já foi longe demais. Não quero traí-lo e pronto!
- Quer dizer que eu não tenho nenhuma chance com você?
- Não.
- Que pena! Seria ótimo o nosso sexo.
- Tchau.
- Tchau, minha loura gostosa!
(Falando sozinha dentro do carro): - Foi melhor assim. Nunca traí o meu Sávio e não seria agora que eu o faria. Se não está bom, é melhor sentarmos e conversarmos. Trair, nunca! Ué, três buzinadas? E ele está acenando ali do carro? Eu não falei pra esse imbecil que não ia rolar?! Que escro... Sávio? É o Sávio ali no carro? Mas como assim? Será que ele me seguiu? Ele tá sinalizando pra entrar no Manchete. Ai, Meu Deus!
Cinco minutos depois:
- Oi, Sávio.
- É só isso que você tem pra me dizer?
- Vamos primeiro sair daqui e entrar na suíte, vai!
- E agora que a gente já está na suíte, desembucha, vai, mulher!
- Eu é que tenho que perguntar. O que você estava fazendo ali?
- Não vou inventar mais, Sinara. Era eu ao telefone.
- Você?
- É, eu! Nunca imaginei que você aceitaria aquilo tudo, que ficaria nua pra um desconhecido que você não sabia nem qual era a cara. Que se masturbaria pra ele ver e por pouco não estaria aqui fodendo com ele!
- Mas era você!
- Eu sabia disso. Você, não!
- Olha, eu não queria, mas vou ter que fazer que nem uma personagem do Nelson Rodrigues: é que eu estou frustrada, você não é mais o mesmo! Há quanto tempo que você não toca uma punheta na minha frente, por exemplo?
- O que está faltando pra você, Sinara?
- Ah, sei lá! Você não é mais o mesmo, não tem mais aquele jeito sacana, não tem tantas fantasias no nosso sexo, não vamos mais ao motel... É só trabalhar, trabalhar... ! Não tem ninguém ali pra lhe substituir de vez em quando? E hoje? Você, como tem sido ultimamente, só me deu um beijo, que não foi nem de língua, de despedida. Porra, eu entrei de férias! Estou ali me bronzeando seminua pra você, e só um beijinho? E sem língua?! Olha, você não é o culpado de tudo, mas tem deixado a desejar, deixou o nosso casamento cair na rotina.
- Por que você acha que eu fiz isso hoje?
- Sei lá! Pra me testar, eu acho.
- Tudo bem, não vou mentir. Foi também pra isso, mas a priori eu só queria brincar. Eu ia me identificar, porque eu queria o tesão daquilo, mas aí...
- Mas aí o que, Savio?
- Daí que eu resolvi lhe testar.
- Me testar? Você não confia em mim?
- Agora eu confio. Mas só em você não dar pra outro.
- E você acha certo tudo isso o que você fez? Até a voz você mudou!
- O que eu acho é que eu estou cheio de tesão por você.
- Você se masturbou mesmo?
- Nunca toquei uma punheta tão gostosa! Nem nos tempos de moleque. Mas não gozei, só tive aquela sensação boa...
- E de onde você me olhou?
- Daquela casa que está à venda. Peguei a chave com o proprietário.
- Aquela que você fotografou o telefone no outro dia? Que disse que era pro amigo?
- Pois é, fiquei ali lhe espiando.
- Mas ela é longe...
- Eu usei binóculo pra enxergar melhor, não perder nenhum detalhe. Deu pra ver direitinho você tocando aquela siririca, o movimento do dedo fio-terra passando no seu clitóris...
- Você adora o meu fio terra, hein, Sávio? E eu que achava que você não era mais safado... Tô vendo que você ficou pior.
- Você ainda não viu nada.
- Vamos viajar um pouco, amor! O Luiz já tem 16 anos, os meus pais moram perto da gente e podem ficar com ele enquanto a gente viaja sozinho pras praias do Ceará. Depois vamos pra Tambaba...
- Acho ótimo. Vou providenciar isso lá na firma, preparar o gerente Oswaldo pra tomar conta de tudo. Porra, todo mundo ali tira férias, menos eu!
- Isso, adorei! Mas e agora, o que vamos fazer?
- Você sabe. Vamos aproveitar a suíte, esta piscina...
- Seu pervertido! Vai me mostrar que é grande e grosso, vai?
- Tá bom assim? É grande e grosso o suficiente pra você?
- Deixa eu pegar pra ver, seu punheteiro, seu covarde, seu onanista...
- Vai, sua cachorra, sua exibicionista! Pega no meu pau, vai! Caralho, que delícia...
- Te amo, Savio!
- Eu também te amo, Sinara!
FIM.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
SÓ ISTO IMPORTA
Futebol
Paixão?
Só para o torcedor
Que até chora
Quando perde a seleção
Gasta o que tem e não tem
Pra ver o país campeão
Porque pra eles, véi
Tudo é money
Muita corrupção
E dá-lhe cambistas de ONGs
Cambistas treinadores
Cambistas jogadores e ex-jogadores
E encabeçando
A Fifa, irmão
E aquela convocação
O cara que nem jogou bem
Mas se valorizou e foi embora
Vendido para um clube de fora
Ah, ainda nem citei
A máfia das apostas
Estranhos erros dos juízes
O zagueiro que "fura" a bola
O seu time não ganhou
Mas alguém ganhou
Pois é
Enquanto você torce
Lamenta a derrota
Ou comemora a vitória
Vê o jogo com emoção
Eles contam as notas
Só isto importa
Futebol
Paixão?
Só para o torcedor
Que até chora
Quando perde a seleção
Gasta o que tem e não tem
Pra ver o país campeão
Porque pra eles, véi
Tudo é money
Muita corrupção
E dá-lhe cambistas de ONGs
Cambistas treinadores
Cambistas jogadores e ex-jogadores
E encabeçando
A Fifa, irmão
E aquela convocação
O cara que nem jogou bem
Mas se valorizou e foi embora
Vendido para um clube de fora
Ah, ainda nem citei
A máfia das apostas
Estranhos erros dos juízes
O zagueiro que "fura" a bola
O seu time não ganhou
Mas alguém ganhou
Pois é
Enquanto você torce
Lamenta a derrota
Ou comemora a vitória
Vê o jogo com emoção
Eles contam as notas
Só isto importa
NÃO RACIONALIZE O TESÃO
Não racionalize o tesão
Deixe-se levar pela emoção
Não seja tão racional
Às vezes é bom ser visceral
Sai dessa cozinha
Que um pouco no dia
Tome o poder a lascívia
Abaixo a "autorrepressão"
E pra sair da teoria
E ir para a prática
Tenho uma ideia genial
Vamos à praia, que tal?
Ponha este fio dental
Joga fora aquele biquinão
Deixa de ser tímida
Se é bonita é pra ser vista
E depois vou ver sua marquinha
Lhe fazer de refeição
Tê-la como prato principal
E se pergunta a vizinha:
"Cara boa. Foi comida?"
Diga: "Fui sim, vizinha."
Não racionalize o tesão
Deixe-se levar pela emoção
Não seja tão racional
Às vezes é bom ser visceral
Sai dessa cozinha
Que um pouco no dia
Tome o poder a lascívia
Abaixo a "autorrepressão"
E pra sair da teoria
E ir para a prática
Tenho uma ideia genial
Vamos à praia, que tal?
Ponha este fio dental
Joga fora aquele biquinão
Deixa de ser tímida
Se é bonita é pra ser vista
E depois vou ver sua marquinha
Lhe fazer de refeição
Tê-la como prato principal
E se pergunta a vizinha:
"Cara boa. Foi comida?"
Diga: "Fui sim, vizinha."
sexta-feira, 11 de julho de 2014
It's cool see Netherlands
England
Germany
And France
Originally white
But in the Cup
Are miscegenated
Many colors, many races
White, black
Arab descendants
All togheter and mixed
There's no better campaign
To the big racist
Than the goal done
By Divock Origi
Black skin, of course
And the Belgium's queen
Jumping, comemorating
From the honour tribune
And Balotelli, from Italy?
Black man born in land of the boot
Who put his foot on the ball
And for it goals makes
For what campaign?
Of racism is gained
In the football field
With players who donate
Really sweat
Don't pretend
The love for the country of origin
Or for who they became naturalized
They don't know
But give a damn
To the intolerant people
Who just have anger
Don't support
To the human race
England
Germany
And France
Originally white
But in the Cup
Are miscegenated
Many colors, many races
White, black
Arab descendants
All togheter and mixed
There's no better campaign
To the big racist
Than the goal done
By Divock Origi
Black skin, of course
And the Belgium's queen
Jumping, comemorating
From the honour tribune
And Balotelli, from Italy?
Black man born in land of the boot
Who put his foot on the ball
And for it goals makes
For what campaign?
Of racism is gained
In the football field
With players who donate
Really sweat
Don't pretend
The love for the country of origin
Or for who they became naturalized
They don't know
But give a damn
To the intolerant people
Who just have anger
Don't support
To the human race
- EU TE AMO
- EU TAMBÉM TE AMO
- Eu te amo.
- Eu também te amo.
Não é tudo
o que procuramos?
Ou que eu estava procurando
Há algo melhor para ouvirmos?
Pois há 11 anos
Encontrei quem me diz isto
Por quem o meu sentimento
Aumenta a cada ano
E a julgar pelo escrito no início
Imagino
Que o sentimento é mútuo
Por isso digo
Aliás, juro
Não preciso de muito
Se feliz no trabalho
Pagar o que devo
Criar os filhos
E ter nosso cantinho
E, é claro
Não posso esquecê-lo
O desejo
Porque amor sem o mesmo
É, mal comparando
Comida sem tempero
Não tem sentido
O resto
Um jeito encontramos
Pra conquistarmos
Sempre juntos
Sem querer o mundo
Só nosso pedacinho
Simples nós sermos
Como estes versos
- EU TAMBÉM TE AMO
- Eu te amo.
- Eu também te amo.
Não é tudo
o que procuramos?
Ou que eu estava procurando
Há algo melhor para ouvirmos?
Pois há 11 anos
Encontrei quem me diz isto
Por quem o meu sentimento
Aumenta a cada ano
E a julgar pelo escrito no início
Imagino
Que o sentimento é mútuo
Por isso digo
Aliás, juro
Não preciso de muito
Se feliz no trabalho
Pagar o que devo
Criar os filhos
E ter nosso cantinho
E, é claro
Não posso esquecê-lo
O desejo
Porque amor sem o mesmo
É, mal comparando
Comida sem tempero
Não tem sentido
O resto
Um jeito encontramos
Pra conquistarmos
Sempre juntos
Sem querer o mundo
Só nosso pedacinho
Simples nós sermos
Como estes versos
PIIII!!!!!
Piiii!
Eu quero falar palavrão
Pô, é jogo da Seleção!
Mas tem aqui a minha filha
Se eu fizer a família
Me chama a atenção
Que piiii!
Piiii!
Não posso ver jogo assim
Tá difícil pra piiii!
Não tem quem resista
A tanta emoção
Copa do Mundo é piiii, irmão!
Piiii, treinador!
Faz logo a substituição
Tira essa piiii da partida
Olha o que ele fez aí!
Lembra, somos pentacampeões
E pro time alemão
Falta só uma estrelinha
Faz na Rússia a nossa alegria
A hora é agora, piiii!
Bota a taça na nossa mão.
Piiii!
Eu quero falar palavrão
Pô, é jogo da Seleção!
Mas tem aqui a minha filha
Se eu fizer a família
Me chama a atenção
Que piiii!
Piiii!
Não posso ver jogo assim
Tá difícil pra piiii!
Não tem quem resista
A tanta emoção
Copa do Mundo é piiii, irmão!
Piiii, treinador!
Faz logo a substituição
Tira essa piiii da partida
Olha o que ele fez aí!
Lembra, somos pentacampeões
E pro time alemão
Falta só uma estrelinha
Faz na Rússia a nossa alegria
A hora é agora, piiii!
Bota a taça na nossa mão.
QUERO
Quero
Escrever como o Gerson
O Canhotinha de Ouro
Que num espaço pequeno
Resolvia o jogo
O jeito incisivo
Do Jairzinho
Matar a poesia no peito
Entrar com bola e tudo
Ter aquele fôlego
Driblar a falta de ideias
Como o Garrincha
Em campo fazia
Ser a alegria do povo
Ops! Do pessoal do Facebook...
Ter a calma, a segurança
Do Didi em 58
Pegar a caneta
E dizer pro meu pensamento
Que posso vencer o vazio
Meter uma folha seca
Na folha seca de versos
Ser da pequena área o gênio
Digo, do papel, do I-phone ou tablet
Um Romário da escrita
Ser um craque econômico
Vencer a minha Copa do Mundo
Como ele fez em 94
Não ter todo
Mas só um pouquinho do talento
Do maior de todos os tempos
Não um Rei Pelé da poesia
Não sou tão ousado
Só compor um ou outro gol bonito
Um por cento que ele fez em campo
Quero
Escrever como o Gerson
O Canhotinha de Ouro
Que num espaço pequeno
Resolvia o jogo
O jeito incisivo
Do Jairzinho
Matar a poesia no peito
Entrar com bola e tudo
Ter aquele fôlego
Driblar a falta de ideias
Como o Garrincha
Em campo fazia
Ser a alegria do povo
Ops! Do pessoal do Facebook...
Ter a calma, a segurança
Do Didi em 58
Pegar a caneta
E dizer pro meu pensamento
Que posso vencer o vazio
Meter uma folha seca
Na folha seca de versos
Ser da pequena área o gênio
Digo, do papel, do I-phone ou tablet
Um Romário da escrita
Ser um craque econômico
Vencer a minha Copa do Mundo
Como ele fez em 94
Não ter todo
Mas só um pouquinho do talento
Do maior de todos os tempos
Não um Rei Pelé da poesia
Não sou tão ousado
Só compor um ou outro gol bonito
Um por cento que ele fez em campo
PRA QUE CAMPANHA?
Legal ver a Holanda
A Inglaterra
A Alemanha
E a França
Originalmente brancas
Mas que na Copa
São miscigenadas
Várias cores, várias raças
Negros, brancos
Descendentes de árabes
Tudo junto e misturado
Não há melhor campanha
Pro racistão recalcado
Que o gol marcado
Por Divock Origi
Pele negra, claro
E a rainha da Bélgica
Pulando, festejando
Na tribuna de honra
E o Balotelli, da Itália?
Negro nascido na terra da bota
Que bota o pé na bola
E pelo país gols marca
Pra que campanha?
Do racismo se ganha
É em campo
Com jogadores que se doam
Suam de verdade
Sentem real amor
Pelo país de origem
Ou por quem se naturalizaram
Sem saber dão uma banana
Pra essa gente tacanha
Que só tem raiva
Não torce
Pela raça humana
Legal ver a Holanda
A Inglaterra
A Alemanha
E a França
Originalmente brancas
Mas que na Copa
São miscigenadas
Várias cores, várias raças
Negros, brancos
Descendentes de árabes
Tudo junto e misturado
Não há melhor campanha
Pro racistão recalcado
Que o gol marcado
Por Divock Origi
Pele negra, claro
E a rainha da Bélgica
Pulando, festejando
Na tribuna de honra
E o Balotelli, da Itália?
Negro nascido na terra da bota
Que bota o pé na bola
E pelo país gols marca
Pra que campanha?
Do racismo se ganha
É em campo
Com jogadores que se doam
Suam de verdade
Sentem real amor
Pelo país de origem
Ou por quem se naturalizaram
Sem saber dão uma banana
Pra essa gente tacanha
Que só tem raiva
Não torce
Pela raça humana
sábado, 5 de julho de 2014
CADÊ O COME?
Cadê o come?
Que mata a minha fome
De futebol arte
Quem é o chef
Que me oferece
Um banquete
De dribles desconcertantes?
Quem "come" a bola?
Cadê Garrincha, Pelé, Maradona
Di Stéfano, Puskas, Pet
Didi, Ronaldinho, Rivelino, Pepe
Zico, Romário, Nilton Santos?
Quem é o garçom
que me serve
Jogadas maravilhosas?
Ovinho, bicicleta, balão
elástico, drible da vaca
Quem em campo tira onda?
Quem é o dono do restaurante
que só tem comida insossa?
Que deixa a torcida magra
Só osso e pele
Cheia de correria e força
Faminta de encanto
Cadê o come?
Que mata a minha fome
De futebol arte
Quem é o chef
Que me oferece
Um banquete
De dribles desconcertantes?
Quem "come" a bola?
Cadê Garrincha, Pelé, Maradona
Di Stéfano, Puskas, Pet
Didi, Ronaldinho, Rivelino, Pepe
Zico, Romário, Nilton Santos?
Quem é o garçom
que me serve
Jogadas maravilhosas?
Ovinho, bicicleta, balão
elástico, drible da vaca
Quem em campo tira onda?
Quem é o dono do restaurante
que só tem comida insossa?
Que deixa a torcida magra
Só osso e pele
Cheia de correria e força
Faminta de encanto
terça-feira, 1 de julho de 2014
QUEM DISSE QUE EU NÃO VEJO BELEZA?
Quem disse que eu não vejo beleza?
Quem disse que é feia?
Será sua própria cabeça?
Isso é coisa da concorrência
Pois saiba que eu tenho é medo
De perdê-la
Pois sei que é bela
E os outros sabem o mesmo
A cada dia o meu amor aumenta
E o meu desejo
Por isso lhe encho de dedos
Ou acha que eu só interpreto?
Se eu fosse fingir meu sentimento
E esse tesão que eu tenho
Teria atuação canhestra
Estragaria a cena
Não sou Tarcísio Meira
Mas minha atuação é verdadeira
Porque não tem texto
Vem de dentro
Com ela ganho vários prêmios
Oscar, Cannes, Berlim e Veneza
Mas ter você pra mim já chega
Quem disse que eu não vejo beleza?
Quem disse que é feia?
Será sua própria cabeça?
Isso é coisa da concorrência
Pois saiba que eu tenho é medo
De perdê-la
Pois sei que é bela
E os outros sabem o mesmo
A cada dia o meu amor aumenta
E o meu desejo
Por isso lhe encho de dedos
Ou acha que eu só interpreto?
Se eu fosse fingir meu sentimento
E esse tesão que eu tenho
Teria atuação canhestra
Estragaria a cena
Não sou Tarcísio Meira
Mas minha atuação é verdadeira
Porque não tem texto
Vem de dentro
Com ela ganho vários prêmios
Oscar, Cannes, Berlim e Veneza
Mas ter você pra mim já chega
sábado, 21 de junho de 2014
NÃO TEM POESIA/ TEM POESIA
Não tem poesia
O seu "casa-trabalho, trabalho-casa"
Chegar em casa e fazer quase nada
Dormir tantas horas e estar cansada
Quase nunca darmos "umazinha"
Pouco irmos à piscina
Menos ainda à praia
Mas ir correndo à cachoeira com a família
Tem poesia
Sairmos um pouco de casa
Chegar em casa e mantê-la arrumada
Estar mais disposta, dar uma namorada
Termos noites mais ativas
Irmos mais à piscina
Estamos no Rio, que tal também praia?
Lembrar que eu AINDA sou da família
Não tem poesia
O seu "casa-trabalho, trabalho-casa"
Chegar em casa e fazer quase nada
Dormir tantas horas e estar cansada
Quase nunca darmos "umazinha"
Pouco irmos à piscina
Menos ainda à praia
Mas ir correndo à cachoeira com a família
Tem poesia
Sairmos um pouco de casa
Chegar em casa e mantê-la arrumada
Estar mais disposta, dar uma namorada
Termos noites mais ativas
Irmos mais à piscina
Estamos no Rio, que tal também praia?
Lembrar que eu AINDA sou da família
BOAS LEMBRANÇAS
Boas lembranças
Podem ser más lembranças
Se perdidas num ponto
Distante no tempo
Se foram um dia sonho
E hoje são só lamento
Se delas fugimos do encontro
Para evitar o tormento
Se não foram concretizadas
Pelos planos cortados ao meio
Por atrapalharem as andanças
Do atual momento
Por matarem a esperança
De um novo começo
Por impedirem o novo
Por serem vagas lembranças
Algo que no passado vivemos
Mas se nos questionam
Se deixaríamos quem conquistamos
Pra voltar estes anos todos
Viajar no tempo
E não saber se há reencontro
Não valeria a mudança
Amaríamos mais quem temos
Boas lembranças
Podem ser más lembranças
Se perdidas num ponto
Distante no tempo
Se foram um dia sonho
E hoje são só lamento
Se delas fugimos do encontro
Para evitar o tormento
Se não foram concretizadas
Pelos planos cortados ao meio
Por atrapalharem as andanças
Do atual momento
Por matarem a esperança
De um novo começo
Por impedirem o novo
Por serem vagas lembranças
Algo que no passado vivemos
Mas se nos questionam
Se deixaríamos quem conquistamos
Pra voltar estes anos todos
Viajar no tempo
E não saber se há reencontro
Não valeria a mudança
Amaríamos mais quem temos
quinta-feira, 19 de junho de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
DONA DE CASA
Dona de casa
É a que faz tudo em casa
E quando não faz tudo em casa
Dizem:"Fez nada em casa!"
Se fosse empregada
Do lar seria a secretária
Que 44 horas trabalha
Tem carteira, é remunerada
Já ela, ganha nada
Talvez uma mesada
Pra trabalhar como escrava
E, caso separada
O ex a achincalha
Que quer tudo e não fez nada
Concordo que ela não trabalha
Ela, sim, se acaba
E pra eles vale nada
Dona de casa
É a que faz tudo em casa
E quando não faz tudo em casa
Dizem:"Fez nada em casa!"
Se fosse empregada
Do lar seria a secretária
Que 44 horas trabalha
Tem carteira, é remunerada
Já ela, ganha nada
Talvez uma mesada
Pra trabalhar como escrava
E, caso separada
O ex a achincalha
Que quer tudo e não fez nada
Concordo que ela não trabalha
Ela, sim, se acaba
E pra eles vale nada
O ATO DE ESCREVER
O ato de escrever prescinde da preocupação com a receptividade dos receptores da mensagem. Se fosse por isso, melhor seria eu enviar posts com frases feitas e uma bela paisagem ao fundo. Provavelmente me encheriam de curtidas e comentários. Até um cadáver todo perfurado com facas curtem! Não é isso que eu quero. Quero é postar meus textos e, principalmente, minhas poesias - vício... - e ver se encontro, no face, gente que gosta de se arriscar, sair do lugar comum. Se eu ofendo ou assusto alguém com elas, desolé, não é a minha intenção.
Muito do que eu escrevo vem da minha imaginação ou do: "Quem conta um conto, acrescenta um ponto.".
The end.
O ato de escrever prescinde da preocupação com a receptividade dos receptores da mensagem. Se fosse por isso, melhor seria eu enviar posts com frases feitas e uma bela paisagem ao fundo. Provavelmente me encheriam de curtidas e comentários. Até um cadáver todo perfurado com facas curtem! Não é isso que eu quero. Quero é postar meus textos e, principalmente, minhas poesias - vício... - e ver se encontro, no face, gente que gosta de se arriscar, sair do lugar comum. Se eu ofendo ou assusto alguém com elas, desolé, não é a minha intenção.
Muito do que eu escrevo vem da minha imaginação ou do: "Quem conta um conto, acrescenta um ponto.".
The end.
Xenofobia e Racismo x Futebol
É engraçado ver o contraste entre o futebol e a política na Europa. Você vê seleções como Bélgica, Inglaterra e Alemanha, e o que vê de negros e descendentes de árabes... A França, então, é um caso à parte, pois a maioria dos integrantes do time faz parte dos grupos étnicos acima citados. Domingo(15-06-2014) eu só vi um típico francês, com ancestrais da época do Asterix, na seleção francesa. Tinha até um jogador com sobrenome espanhol...
Já na política (político sempre é um sujeito problemático...) a xenofobia - e o racismo como um todo - cresce a passos largos.
É engraçado ver o contraste entre o futebol e a política na Europa. Você vê seleções como Bélgica, Inglaterra e Alemanha, e o que vê de negros e descendentes de árabes... A França, então, é um caso à parte, pois a maioria dos integrantes do time faz parte dos grupos étnicos acima citados. Domingo(15-06-2014) eu só vi um típico francês, com ancestrais da época do Asterix, na seleção francesa. Tinha até um jogador com sobrenome espanhol...
Já na política (político sempre é um sujeito problemático...) a xenofobia - e o racismo como um todo - cresce a passos largos.
SEU MAIOR PATRIMÔNIO
Seu maior patrimônio
é a energia
Algo que você não vê
Mas em você habita
E está em volta também
Vale muito mais que ouro
Mas pagar não precisa
E a cura materializa
Viabiliza o sonho
Muda sua vida
Pois quando estiver no sufoco
Que é quando procuram socorro
Mentaliza, ora ou irradia
É fácil fazer
E só bem vai trazer
Tá esperando o quê?
Só tem que ter
Confiança em você
Partícula Divina
Do Todo
Seu maior patrimônio
é a energia
Algo que você não vê
Mas em você habita
E está em volta também
Vale muito mais que ouro
Mas pagar não precisa
E a cura materializa
Viabiliza o sonho
Muda sua vida
Pois quando estiver no sufoco
Que é quando procuram socorro
Mentaliza, ora ou irradia
É fácil fazer
E só bem vai trazer
Tá esperando o quê?
Só tem que ter
Confiança em você
Partícula Divina
Do Todo
FORÇA
Por mais que tudo vá contra
Algo me diz
que dentro de mim
há uma FORÇA
Que quando eu digo: - Desisto!
Vem a resposta:
Não agora!
Não se entregue assim!
Tente outra, e mais outra...
Porque vai chegar a hora
que o mal se dará por vencido
ao descobrir
que a luta é inglória.
Que lhe enfrentar é derrota.
Que é sua a vitória.
Por mais que tudo vá contra
Algo me diz
que dentro de mim
há uma FORÇA
Que quando eu digo: - Desisto!
Vem a resposta:
Não agora!
Não se entregue assim!
Tente outra, e mais outra...
Porque vai chegar a hora
que o mal se dará por vencido
ao descobrir
que a luta é inglória.
Que lhe enfrentar é derrota.
Que é sua a vitória.
sábado, 14 de junho de 2014
PELÉ KING
What is this Pelé country
That doesn't recognize him
As the idol that he is
Tha tif you wear
The Brazil's shirt, te 10
And behind it the name of him
Can take many kicks
From brazilian that prefer
Valorize who is outside
Like Messi
Who mistreats their teammates
That disappointed in 2010
And is so far from him at 26
In number of goals
Or even in World Cup, that he hasn't
And who the argentines don't believe
If we want to look like him
So we start
Doing like they do
What is this Pelé country
That doesn't recognize him
As the idol that he is
Tha tif you wear
The Brazil's shirt, te 10
And behind it the name of him
Can take many kicks
From brazilian that prefer
Valorize who is outside
Like Messi
Who mistreats their teammates
That disappointed in 2010
And is so far from him at 26
In number of goals
Or even in World Cup, that he hasn't
And who the argentines don't believe
If we want to look like him
So we start
Doing like they do
AQUI NA ESQUINA 02-06-2014
Aqui na esquina
da Pereira com a Ambrosina
Peluda se refestela ao Sol
Ficar parado é um saco
E eu nem trouxe papel e caneta
para escrever uma poesia
Preciso de outras rimas
Algo que sirva
para a palavra "Sol"
'Cês têm uma ideia?
Anzol?
Cachecol?
Tetrahidrocanabinol?
essa última, então,
o povo daqui queima...
E ela ali, quietinha
Na sua paz canina
Sem neuroses do dia a dia
Meia hora se passou
Acho que já vou
Peraí! E rima pra saco?
Caral...
Chega!
Acabou
Aqui na esquina
da Pereira com a Ambrosina
Peluda se refestela ao Sol
Ficar parado é um saco
E eu nem trouxe papel e caneta
para escrever uma poesia
Preciso de outras rimas
Algo que sirva
para a palavra "Sol"
'Cês têm uma ideia?
Anzol?
Cachecol?
Tetrahidrocanabinol?
essa última, então,
o povo daqui queima...
E ela ali, quietinha
Na sua paz canina
Sem neuroses do dia a dia
Meia hora se passou
Acho que já vou
Peraí! E rima pra saco?
Caral...
Chega!
Acabou
NA LAJE
Na laje
vejo-a à vontade
Só o Sol veste a pele
Que imagem...
Um desejo incontrolável
deste cenário fazer parte
Deitar ao seu lado
Sentir a cútis quente
Sem marca de biquíni aparente
Ficar relaxado
e inevitavelmente excitado
Mas pra ela é feriado
E eu, não muito inteligente
Escolhi um trabalho
em que hoje eu trabalho
E daqui a pouco parto
Mas não tem um dia que eu falte
Há quinze anos, que eu me lembre
Já fui até doente!
E hoje lá tem muita gente
É, povo do face...
Não vai ser fácil
Deixá-los sem gerente
Mas inevitavelmente
Hoje eu fico "doente"
Na laje
vejo-a à vontade
Só o Sol veste a pele
Que imagem...
Um desejo incontrolável
deste cenário fazer parte
Deitar ao seu lado
Sentir a cútis quente
Sem marca de biquíni aparente
Ficar relaxado
e inevitavelmente excitado
Mas pra ela é feriado
E eu, não muito inteligente
Escolhi um trabalho
em que hoje eu trabalho
E daqui a pouco parto
Mas não tem um dia que eu falte
Há quinze anos, que eu me lembre
Já fui até doente!
E hoje lá tem muita gente
É, povo do face...
Não vai ser fácil
Deixá-los sem gerente
Mas inevitavelmente
Hoje eu fico "doente"
AH, MULEKE!
Ah, muleke!
E de prima se sabia
Era o Jorge Nunes que surgia
no estádio, comentando a partida
Ou na rua do Livramento, na sede
da Tupi. Sempre na latinha
Tão jovem...
Nem parecia a idade que tinha
Que o digam as pretinhas...
Comentarista do povo, figura querida
Da galera vascaína
E de todas as torcidas
E não era só alegre
De futebol entendia
O que dizia, acontecia
Fossem coisas positivas
Ou mesmo negativas
Pois hoje e sempre
Sentiremos sua ida
Mas era a hora da partida
Vai o homem, a obra permanece
E lá de cima ele ilumina
essa gente sua amiga
Ah, muleke!
E de prima se sabia
Era o Jorge Nunes que surgia
no estádio, comentando a partida
Ou na rua do Livramento, na sede
da Tupi. Sempre na latinha
Tão jovem...
Nem parecia a idade que tinha
Que o digam as pretinhas...
Comentarista do povo, figura querida
Da galera vascaína
E de todas as torcidas
E não era só alegre
De futebol entendia
O que dizia, acontecia
Fossem coisas positivas
Ou mesmo negativas
Pois hoje e sempre
Sentiremos sua ida
Mas era a hora da partida
Vai o homem, a obra permanece
E lá de cima ele ilumina
essa gente sua amiga
MARAVILHOSA!
Maravilhosa!
Você ouve e nem olha
Não dá bola
Fica com ar sério
Mas quando passa em frente à obra
'Cê adora...
Faz unha e cabelo
Veste aquela roupa nova
Um shortinho vermelho
Mal sabe que o povo inteiro
olha mais pro que rebola
Se bem que tá valendo
o conjunto da obra
A gente gosta mesmo
é quando você volta
Algo tá esquecendo
Será que é fato verdadeiro?
Ou você gosta
de passar na nossa porta?
Só que agora virou moda
o politicamente correto
Uma cantadinha agora
virou desrespeito
Ou melhor, assédio
Se bobear nos levam presos
Desse jeito
daqui pra frente lhe ignoram...
E finalizo com a aposta:
você e outras
mulheres maravilhosas
vão sentir falta do tempo
em que ouviam: "Maravilhosa!"
Maravilhosa!
Você ouve e nem olha
Não dá bola
Fica com ar sério
Mas quando passa em frente à obra
'Cê adora...
Faz unha e cabelo
Veste aquela roupa nova
Um shortinho vermelho
Mal sabe que o povo inteiro
olha mais pro que rebola
Se bem que tá valendo
o conjunto da obra
A gente gosta mesmo
é quando você volta
Algo tá esquecendo
Será que é fato verdadeiro?
Ou você gosta
de passar na nossa porta?
Só que agora virou moda
o politicamente correto
Uma cantadinha agora
virou desrespeito
Ou melhor, assédio
Se bobear nos levam presos
Desse jeito
daqui pra frente lhe ignoram...
E finalizo com a aposta:
você e outras
mulheres maravilhosas
vão sentir falta do tempo
em que ouviam: "Maravilhosa!"
quinta-feira, 12 de junho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
FORÇA 11-06-2014
Por mais que tudo vá contra
Algo me diz
que dentro de mim
há uma FORÇA
Que quando digo:
- Desisto!
Vem a resposta:
- Não agora!
Não se entregue assim!
- Tente outra, e mais outra...
- Porque vai chegar a hora
que o mal se dará por vencido
ao descobrir
que a luta é inglória
Que enfrentá-lo é derrota.
Que é sua a vitória.
Por mais que tudo vá contra
Algo me diz
que dentro de mim
há uma FORÇA
Que quando digo:
- Desisto!
Vem a resposta:
- Não agora!
Não se entregue assim!
- Tente outra, e mais outra...
- Porque vai chegar a hora
que o mal se dará por vencido
ao descobrir
que a luta é inglória
Que enfrentá-lo é derrota.
Que é sua a vitória.
domingo, 8 de junho de 2014
Pô, poesia! 02-05-2014
- Pô, poesia!
- Isso são horas?
- Por que me acorda?
- O quê? Escrita?
- Não! Não quero saber disso agora.
- Pô, eu tô com a minha mina...
- E acabei de dar umazinha...
- 'Cê viu, né, safadinha?
- Vou dar uma dormida.
- 'Cê fica aí, quietinha.
- Não! Nem uma horinha...
- Lhe conheço, não sou idiota.
- Vai tudo até a aurora.
- Deixa pra amanhã. Tô fora
- Pô, poesia!
- Isso são horas?
- Por que me acorda?
- O quê? Escrita?
- Não! Não quero saber disso agora.
- Pô, eu tô com a minha mina...
- E acabei de dar umazinha...
- 'Cê viu, né, safadinha?
- Vou dar uma dormida.
- 'Cê fica aí, quietinha.
- Não! Nem uma horinha...
- Lhe conheço, não sou idiota.
- Vai tudo até a aurora.
- Deixa pra amanhã. Tô fora
Esse Negócio de Poesia
Esse negócio de poesia
é uma coisa compulsiva
'Cê acredita?
Peguei a caneta na mochila
E parei agora na esquina
Devido à ideia repentina
Se eu não fizesse, fugiria
Parece encosto, me azucrina
Quero sossego. Ô vida!
Até dando umazinha...
Ah, aí eu continuo... Se liga!
Vou deixar na mão uma rainha?
Mas, voltando ao que eu dizia,
esse troço vicia
Vou a um geneticista
Perguntar se é mal de família
E se ele me curaria
Mas será que eu gostaria?
Esse negócio de poesia
é uma coisa compulsiva
'Cê acredita?
Peguei a caneta na mochila
E parei agora na esquina
Devido à ideia repentina
Se eu não fizesse, fugiria
Parece encosto, me azucrina
Quero sossego. Ô vida!
Até dando umazinha...
Ah, aí eu continuo... Se liga!
Vou deixar na mão uma rainha?
Mas, voltando ao que eu dizia,
esse troço vicia
Vou a um geneticista
Perguntar se é mal de família
E se ele me curaria
Mas será que eu gostaria?
sábado, 7 de junho de 2014
Escrever É O Que Preciso 29-04-2014
Escrever é o que preciso
Dá à vida algum sentido
Por eso tengo muchas ganas
E quando o dia acaba
Pego a caneta e o papel, e na sala
Tomo a escrever, compulsivo
O silêncio toma conta. Alívio
Só interrompo se a patroa chama
Ou "dorme" nua na cama
Mas se não rola isso
Avanço a madrugada
E entre frases com sentido
E rabiscos
Pouco durmo, fico na bagaça
Escrevendo ou naquilo
Meu tempo eu dedico
Se nela amor eu deposito
E divido nada
O resto eu digito
e com todos compartilho
Isto sim, pode ser visto
Escrever é o que preciso
Dá à vida algum sentido
Por eso tengo muchas ganas
E quando o dia acaba
Pego a caneta e o papel, e na sala
Tomo a escrever, compulsivo
O silêncio toma conta. Alívio
Só interrompo se a patroa chama
Ou "dorme" nua na cama
Mas se não rola isso
Avanço a madrugada
E entre frases com sentido
E rabiscos
Pouco durmo, fico na bagaça
Escrevendo ou naquilo
Meu tempo eu dedico
Se nela amor eu deposito
E divido nada
O resto eu digito
e com todos compartilho
Isto sim, pode ser visto
Only The Sky You Wear is The Best 24-04-2014
So much time you spend
In the search of new clothes
Street shops, shoppings, internet
What a stress...
So look at this sky, it's open
So beautiful day. How about a beach?
Bikini? Forget...
We'll go to Abricó(Rio de Janeiro's nude beach), there it doesn't work
And there, while sunset is next
You'll see in peaceful, nothing makes you upset
And as I see your little mark vanishes
You'll discover in a way uncontested
That only the sky you wear is the best
So much time you spend
In the search of new clothes
Street shops, shoppings, internet
What a stress...
So look at this sky, it's open
So beautiful day. How about a beach?
Bikini? Forget...
We'll go to Abricó(Rio de Janeiro's nude beach), there it doesn't work
And there, while sunset is next
You'll see in peaceful, nothing makes you upset
And as I see your little mark vanishes
You'll discover in a way uncontested
That only the sky you wear is the best
Minha Esposa É Única, Mas Vale Por Duas 07-06-2014
Hoje ela é a enfermeira
Amanhã a médica
Noutro dia a prostituta
Ou do ônibus a passageira
Sou um "conquistador", que pensa
que cada dia tem uma
Sempre de diferentes maneiras
Às vezes até duas
Quando ela passa, calor abunda
Cada transa nossa é intensa
Minha esposa é única
mas vale por duas
Hoje ela é a enfermeira
Amanhã a médica
Noutro dia a prostituta
Ou do ônibus a passageira
Sou um "conquistador", que pensa
que cada dia tem uma
Sempre de diferentes maneiras
Às vezes até duas
Quando ela passa, calor abunda
Cada transa nossa é intensa
Minha esposa é única
mas vale por duas
Sua Pele É O Melhor Que Veste 24-04-2014
Tanto tempo que investe
Na busca por novas vestes
Lojas de rua, shoppings, internet
Quanto estresse
Então olha pro céu, azul celeste
Dia lindo, uma praia merece
Biquíni? Esquece...
Na praia de Abricó não serve
E lá, ao passo que a tarde desce
Sentirá uma paz, nada aborrece
E enquanto na sua tez imberbe
a marquinha desaparece
descobrirá de forma inconteste
que a sua pele é o melhor que veste
Tanto tempo que investe
Na busca por novas vestes
Lojas de rua, shoppings, internet
Quanto estresse
Então olha pro céu, azul celeste
Dia lindo, uma praia merece
Biquíni? Esquece...
Na praia de Abricó não serve
E lá, ao passo que a tarde desce
Sentirá uma paz, nada aborrece
E enquanto na sua tez imberbe
a marquinha desaparece
descobrirá de forma inconteste
que a sua pele é o melhor que veste
quinta-feira, 5 de junho de 2014
sera 18-04-2014
sera
q todo mundo vai escreve desse geito
como eu fasso neça ora
cem pontuassao cem til cem assento
e com o portuges incorreto
q eh tao feio
sera
q a prossima reforma otografica
vai aboli da gramatica o testo
do modo como oje eh feito
e alem dos erro de agora
vai tudo se curto como no façe
e por fim sera
q vo jogar fora
a caneta e o caderno q tenho
ja q nos ultimo tempo
tudo fico fora de moda
q eu eh q estou obzoleto
sera
q todo mundo vai escreve desse geito
como eu fasso neça ora
cem pontuassao cem til cem assento
e com o portuges incorreto
q eh tao feio
sera
q a prossima reforma otografica
vai aboli da gramatica o testo
do modo como oje eh feito
e alem dos erro de agora
vai tudo se curto como no façe
e por fim sera
q vo jogar fora
a caneta e o caderno q tenho
ja q nos ultimo tempo
tudo fico fora de moda
q eu eh q estou obzoleto
ARGUMENTO 16-04-2014
Nenhum ARGUMENTO petista ou de um de seus asseclas vai me convencer de que o projeto deles para o Brasil é bom, pelo simples fato de que o partido quer me tirar o ARGUMENTO, e me obrigar a aceitar o ARGUMENTO dele.
Mas, pelo menos na minha página do facebook, o ARGUMENTO é livre, por isso o ARGUMENTO de qualquer um, seja da direita ou da esquerda, pode postá-lo aqui.
Enquanto o ARGUMENTO é livre aqui no Brasil.
Nenhum ARGUMENTO petista ou de um de seus asseclas vai me convencer de que o projeto deles para o Brasil é bom, pelo simples fato de que o partido quer me tirar o ARGUMENTO, e me obrigar a aceitar o ARGUMENTO dele.
Mas, pelo menos na minha página do facebook, o ARGUMENTO é livre, por isso o ARGUMENTO de qualquer um, seja da direita ou da esquerda, pode postá-lo aqui.
Enquanto o ARGUMENTO é livre aqui no Brasil.
Mãããêêê, Vou Escrever Um Livro!
- Mãããêêêê, vou escrever um livro!
- Calma, tô aqui! Livro de que, menino?
- De poesia. Quando eu completar cem.
- Cê tá se sentindo bem?
- Ué, por quê?
- Porque você escreve no face tudo isso.
- Sim, tudo bem. Mas... Que que tem?
- Lembra do "amigo" que chamou sua poesia de lixo?
- E foi o único que comentou aquilo...
- Pois é, filho...
- No face é esse o nível.
- Li que dá dinheiro mesmo é fazer joguinho.
- Com poesia não se compra nem um quilo de acém.
- Mas mãe, escrever dá à minha vida sentido...
- Filho, o Brasil é um país que não lê.
- E aí você vai viver sem...
... sem roupa, sem comida e sem abrigo.
- E compor música, mãe? Eu sou bom nisso!
- É Sertanejo Universitário, Psirico?
- Não! Eu faço melhor que isso.
- Mas é o que te enche de notas de cem...
e não deixa seus bolsos vazios.
- É mãe, fazer o quê?
- Que tal, filho, pôr os pés no chão, estudar Português - Inglês?
- Vai fazer essa faculdade, ter um futuro digno.
- Você tá certa. Sonhar não faz sentido.
- Só acontece, filho, se estiver no seu destino
- Ah, mãe! O que eu seria sem você?
- Um rapaz responsável, inteligente e bonito!
- Sabia que eu amo você?
- Ai, me beija não! Não quero chorar tão cedinho.
- E olha! São quase cinco!
- Pega a marmita e embrulha bem.
- Sabe como é no aperto do trem...
- Tchau, mãe, fica bem!
- Deus te proteja e te dê juízo, Amém!
- Mãããêêêê, vou escrever um livro!
- Calma, tô aqui! Livro de que, menino?
- De poesia. Quando eu completar cem.
- Cê tá se sentindo bem?
- Ué, por quê?
- Porque você escreve no face tudo isso.
- Sim, tudo bem. Mas... Que que tem?
- Lembra do "amigo" que chamou sua poesia de lixo?
- E foi o único que comentou aquilo...
- Pois é, filho...
- No face é esse o nível.
- Li que dá dinheiro mesmo é fazer joguinho.
- Com poesia não se compra nem um quilo de acém.
- Mas mãe, escrever dá à minha vida sentido...
- Filho, o Brasil é um país que não lê.
- E aí você vai viver sem...
... sem roupa, sem comida e sem abrigo.
- E compor música, mãe? Eu sou bom nisso!
- É Sertanejo Universitário, Psirico?
- Não! Eu faço melhor que isso.
- Mas é o que te enche de notas de cem...
e não deixa seus bolsos vazios.
- É mãe, fazer o quê?
- Que tal, filho, pôr os pés no chão, estudar Português - Inglês?
- Vai fazer essa faculdade, ter um futuro digno.
- Você tá certa. Sonhar não faz sentido.
- Só acontece, filho, se estiver no seu destino
- Ah, mãe! O que eu seria sem você?
- Um rapaz responsável, inteligente e bonito!
- Sabia que eu amo você?
- Ai, me beija não! Não quero chorar tão cedinho.
- E olha! São quase cinco!
- Pega a marmita e embrulha bem.
- Sabe como é no aperto do trem...
- Tchau, mãe, fica bem!
- Deus te proteja e te dê juízo, Amém!
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Super Haroldinho
É um pássaro?
Um avião?
Um triciclo?
Não, é o Super Haroldinho!
Que faz seu programa aos domingos
Quando dá 9:00 no seu redondinho
1280 am ou 96,5 fm no radinho
Ou digita Tupi.am/ Tupi.fm, fio!
E prepara o seu ouvido
Eles falam o que tem ser dito
Liga logo, menino!
Quero ouvir tudinho...
É um pássaro?
Um avião?
Um triciclo?
Não, é o Super Haroldinho!
Que faz seu programa aos domingos
Quando dá 9:00 no seu redondinho
1280 am ou 96,5 fm no radinho
Ou digita Tupi.am/ Tupi.fm, fio!
E prepara o seu ouvido
Eles falam o que tem ser dito
Liga logo, menino!
Quero ouvir tudinho...
Em Nota 29-03-2014
Sem água em casa, que bosta!
Eu pago a conta e me fazem de idiota
Ligo pra empresa (im)prestadora
A atendente finge que se importa
Diz:" Vamos enviar uma equipe em 24 horas."
Mais um dia assim na rua onde a gente mora
Por fim o protocolo:"Por favor, anota."
Três dias se passam, minha energia se esgota
Nada de água até agora...
O vizinho diz: "Ora que melhora."
Melhor ligar pra rádio agora
Estou na espera que ela resolva
É triste, mas só atendem dessa forma
O comunicador cobra ao vivo uma resposta
E ela vem em nota
Uma desculpa que a assessoria deles bola
Porque hoje virou moda
Não falam com as pessoas
É pela internet que rola
Nos enrolam
uns manés de diploma
Que estudaram pra dizer pouca coisa
Tanto tempo de faculdade e escola
Pra transcrever o que a empresa conta
Pra que consciência se a grana é ótima?
O povinho que se exploda
É sempre esse samba de uma só nota
A solução? Em outubro não vota
Pra ser tratado de melhor forma
Mostrá-los que não são dignos de nota
E não ter mais que ler esta poesia monocórdia
Sem água em casa, que bosta!
Eu pago a conta e me fazem de idiota
Ligo pra empresa (im)prestadora
A atendente finge que se importa
Diz:" Vamos enviar uma equipe em 24 horas."
Mais um dia assim na rua onde a gente mora
Por fim o protocolo:"Por favor, anota."
Três dias se passam, minha energia se esgota
Nada de água até agora...
O vizinho diz: "Ora que melhora."
Melhor ligar pra rádio agora
Estou na espera que ela resolva
É triste, mas só atendem dessa forma
O comunicador cobra ao vivo uma resposta
E ela vem em nota
Uma desculpa que a assessoria deles bola
Porque hoje virou moda
Não falam com as pessoas
É pela internet que rola
Nos enrolam
uns manés de diploma
Que estudaram pra dizer pouca coisa
Tanto tempo de faculdade e escola
Pra transcrever o que a empresa conta
Pra que consciência se a grana é ótima?
O povinho que se exploda
É sempre esse samba de uma só nota
A solução? Em outubro não vota
Pra ser tratado de melhor forma
Mostrá-los que não são dignos de nota
E não ter mais que ler esta poesia monocórdia
Me Incomoda 29-03-2014
Me incomoda
Que a Coreia do Norte seu povo mata, tortura, esfola
Que a Rússia e a China, na ONU, a favor deles vota
Que aquele paiseco até sequestra gente de fora
Que todo mundo o condena e o Brasil nem dá bola
Que querem pôr no meu país o regime daquela droga
Que tem gente aqui que até as FARC adora
Que o Comunismo está voltando à moda
Que por isto um brasileiros querem os militares de volta
Que parece que aqui o que é ruim volta
Que a gente acaba repetindo a história
Que com comunas ou milicos a Democracia vai embora
Que fico tão puto que findo a poesia agora
Me incomoda
Que a Coreia do Norte seu povo mata, tortura, esfola
Que a Rússia e a China, na ONU, a favor deles vota
Que aquele paiseco até sequestra gente de fora
Que todo mundo o condena e o Brasil nem dá bola
Que querem pôr no meu país o regime daquela droga
Que tem gente aqui que até as FARC adora
Que o Comunismo está voltando à moda
Que por isto um brasileiros querem os militares de volta
Que parece que aqui o que é ruim volta
Que a gente acaba repetindo a história
Que com comunas ou milicos a Democracia vai embora
Que fico tão puto que findo a poesia agora
Um Dia Sem Fúria
Estava contando à mulher a ideia de um conto que teve
Falava entusiasmadamente para ela que, deitada na cama, não lhe dava lá muita atenção. Desvia-a para a filha e a sobrinha, que jantavam. Ela gritou:
- Eduarda, come a comida!
Ele olhou para ela, que continuou "solenemente" para ele, continuando a bronca na filha para não ouvi-lo.
Pelo menos aquela era a impressão que ele tinha, pois sempre que tratava de assuntos menos fúteis isso acontecia.
Saiu irritado do quarto, mas antes parou na porta e disse para a esposa:
- Seria melhor você dizer que eu falo demais, além desses assuntos não serem lá muito interessantes para você! Seria pelo menos mais educado da sua parte.
Ela - como a própria dizia - calada estava, calada ficou.
Ele foi para o computador para escrever e gravar as ideias que estava tendo, pois se deixasse para depois era bem provável que esquecesse.
Influenciado que fora pela "discussão" com a mulher, teve um bloqueio de ideias. Tudo o que pensou antes do "monólogo" lhe escapara.
Em um determinado momento chegou a se sentir um Barton Fink.
Mas a perturbação dele era devido à raiva, e não a um bloqueio emocional por medo de escrever ou inadequação ao lugar onde estava.
E, além de tudo, ali não era um cenário de um filme dos Irmãos Coen.
Achou melhor ir dormir, pois daquele jeito nada sairia.
Antes entrou rapidamente no face e, inebriado pelo sono, se perdeu lendo - e fechando os olhos - num post que dizia: "Amanhã será um dia como nunca você viveu antes!".
E foi deitar-se, "morto" de sono.
Acordou pela manhã, se levantou e foi ler o jornal. A manchete era sobre a absolvição dos mensaleiros pelo crime de formação de quadrilha, assunto que ele já vira na televisão no dia anterior.
Estranhamente, não se interessou pelo assunto.
Logo ele, que na véspera tinha se indignado com tudo.
Mas ele não estava nem aí, e foi direto para os quadrinhos e em seguida para a coluna social.
Só amenidades...
Achou aquilo tudo estranho. Logo ele, que achava aquelas partes do jornal tão fúteis.
Mas se sentia calmo, e isso era o que interessava.
Ligou o rádio para ouvi-lo, enquanto preparava o café.
Quem falava era o Ricardo Boechat, conhecido pela sua contundência.
E o apresentador falava exatamente sobre aquela vergonhosa absolvição.
E ele, que adorava ouvir o Boechat e suas críticas aos podres poderes, não aturou-o sequer 5 minutos e trocou de emissora no rádio.
- Tá mais pra Boechato - disse.
Boechato?
Algo de estranho lhe acontecia...
Pôs em uma daquelas rádios de sala de espera de consultório, a qual as pessoas ouvem enquanto leem "Caras" e coisas do tipo. Elas sempre tocam as mesmas músicas. Tudo bem que não rola nelas um Charles Aznavour, Edith Piaf ou Pepino di Capri, já que as canções são sempre brasileiras ou americanas, mas o que toca é muito bom.
E naquele momento se ouvia "Is This Love", do Bob Marley, que ele adorava e estava estudando a letra para aprender Inglês.
Pois, at that moment, ele a achou um saco e mudou de estação de novo.
Pôs em uma daquelas rádios em que o locutor "Grita o tempo todo, achando que os seus ouvintes são surdos.", como ele costumava dizer.
Ou que tenha feito locução de anúncio do Guanabara...
Tocava uma daquelas músicas baianas de Carnaval, a qual ele gostou de imediato.
E ficou lá ouvindo, batendo o pé para acompanhar o ritmo.
Foi ao quarto dar um bom dia à esposa e beijá-la.
E nem um carinho mais audacioso, uma palavra mais sacana, como ele sempre fazia.
A esposa estranhou, mas não disse nada.
Acabou por assistir um trechinho do programa da Ana Maria "Chata", como ele a chamava.
Era alguma virose, não era possível!
Mas ele estava se sentindo muito bem.
Saiu de casa e nem reclamou da sujeira em que se encontrava o corredor do prédio, que havia sido lavado há três dias e já se encontrava daquele jeito, devido a um vizinho louco - louco mesmo, com laudo psiquiátrico e tudo -, contumaz em fazer aquilo.
O cara louco, mas não rasgava cenzinho...
Nada o abalava naquele dia.
E saiu feliz em direção ao trabalho.
Pegou o metrô, que estava como sempre lotado.
No vagão o calor era insuportável, pois o ar condicionado era fraco demais.
E, para agravar a situação, o carro parava a toda hora, com o locutor pedindo para os passageiros aguardarem a "liberação do tráfego à frente".
A viagem demorada e aquele calor insuportável fez até alguns passageiros passarem mal.
E ele ali, todo suado.
Mas nenhuma palavra contra o governador, cuja esposa, advogada, representava os interesses daquela empresa concessionária do Metrô.
- Como o secretário de transportes falou, vão chegar novos vagões. - Disse.
Antes de chegar ao trabalho, parou e postou no face uma daquelas mensagens edificantes, lindinhas, com uma bela paisagem ao fundo.
Os "amigos" perguntaram se era ele mesmo.
- Claro! - respondeu. - E tenham um belo dia, de paz e realizações.
- Que cidade cidade linda a nossa, sem problemas! - exclamou, na rua.
Inebriado que estava pela "beleza" da cidade, nem viu o amontoado de lixo que estava sobre a calçada e tropeçou nele.
Era a greve dos garis, que já durava três dias.
- A prefeitura faz o melhor. - pensou.
Chegando ao trabalho foi logo ao banheiro, e nem cobrou - educadamente, porém firme - do rapaz da limpeza a reposição do refil do sabonete, que ele sempre demorava para fazer, deixando os funcionários sem poder fazer a higiene completa.
Pois ele era o único que cobrava do faxineiro, e sempre obtinha resultado.
Mas naquele atípico dia nada mudava o seu humor.
Chegando à área de trabalho, encontrou os colegas indignados, pois não tinham recebido a premiação por bater a meta de produtividade relativa ao ano anterior, que era para ter vindo no contracheque daquele mês.
Sabedores do seu espírito de liderança, pediram-no para encabeçar aquela reivindicação ao chefe.
Afinal, ele sabia falar como poucos com o cara.
- A empresa deve ter suas razões. - disse, recusando-se a fazê-lo.
- Razão? Serve a viagem amanhã do chefe à Europa, de férias? - perguntou um dos indignados - e confuso com aquela estranha recusa -.
- Não, gente, eu não quero saber disso, não. - disse, para mais estranhamento dos colegas de trabalho.
E todos foram embora resignados, sem saber muito o que fazer.
Ele foi para o batente.
Mais tarde almoçou no restaurante careiro e ruim, que ele nunca havia ido antes e,como de costume, foi tomar açaí após a refeição.
Pois o açaí tinha passado de R$ 5,00 para R$ 9,00!
Ah, não! Aí já era demais, essa ele não deixaria passar!
Pois deixou, sim, e pagou os "surreais" R$ 9,00 daquele açaí padrão FIFA...
Na volta para casa o sufoco de sempre no Metrô, e nem uma palavra de reprovação do serviço, ou mesmo um sentimento de descontentamento.
Quase foi atropelado ao atravessar o sinal, que estava vermelho para os carros, mas nem uma reclamação.
Chegando em casa reparou no portão com defeito.
Era o louco - o que não rasgava cenzinho - que havia, numa de suas crises, batido o portão várias vezes e com tanta força que o havia quebrado.
Coisa que o idiota nunca fizera na porta da própria casa.
Até a vizinha que defendia aquele mentecapto, dizendo que aquilo tudo que ele costumava fazer era normal, daquela vez reclamou daquilo tudo, tão indignada que queria até chamar a polícia.
E ele nada falou em relação àquilo que o maluco fizera.
Não falou nem quando o dito cujo passou por ele encarando-o, com ar marrento de quem não aguentava sequer uma porrada.
Apenas entrou em casa.
Conversou apenas futilidades com a esposa, como era do agrado dela.
Mas até ela estranhou aquele jeito, e puxou assunto sobre algo com mais conteúdo.
Ele não queria saber daquilo, queria era falar sobre a música do tal do "Funk Ostentação", que ele havia ouvido de um bar, em som altíssimo.
- Enlouqueceu - pensou a esposa.
Foi tomar banho e nem reclamou com a filha de oito anos das roupas espalhadas no chão do banheiro, que ela sempre deixava.
Ligou o computador e compartilhou no facebook a imagem de uma mulher gorda, de biquíni, que viera com o texto:" Adoro transar com flamenguista".
Ele achava aquilo um absurdo, desrespeito com alguém que, provavelmente, não pedira para estar exposta daquele jeito, mas daquela vez preferiu comentar:KKKKKKK!
Foi deitar-se sem ao menos escrever uma das suas poesias, muitas vezes com críticas políticas.
Nem tentou nada com a esposa, que dormia nua.
Acordou na manhã seguinte e ligou o rádio, que estava na tal estação onde "Os locutores falam alto, como se os ouvintes fossem surdos.".
Trocou imediatamente de estação, sintonizando o Ricardo Boechat.
Ouviu e comentou alguma coisa que o radialista falava.
Foi tomar banho, mas antes reclamou com a filha da roupa que ainda estava no chão.
Em seguida arrumou-se e, antes de sair, beijou a filha e foi ao quarto despedir-se e bolinar a esposa, que estava em casa àquela hora por estar de férias no trabalho.
Não perdeu a chance de falar mal do programa da "Ana Maria Chata".
Chegando à frente do prédio notou que a porta de alumínio que protegia o hidrômetro fora roubada.
Alguém havia entrado no prédio, ou fora alguém do prédio, já que o portão estava com defeito e os vagabundos não iriam se contentar em roubar apenas aquele objeto barato.
Reclamou, em alto e bom som, que à noite resolveria aquilo e o problema causado no portão.
Definitivamente, ele estava "de volta".
E foi embora para o trabalho.
Fim.
Estava contando à mulher a ideia de um conto que teve
Falava entusiasmadamente para ela que, deitada na cama, não lhe dava lá muita atenção. Desvia-a para a filha e a sobrinha, que jantavam. Ela gritou:
- Eduarda, come a comida!
Ele olhou para ela, que continuou "solenemente" para ele, continuando a bronca na filha para não ouvi-lo.
Pelo menos aquela era a impressão que ele tinha, pois sempre que tratava de assuntos menos fúteis isso acontecia.
Saiu irritado do quarto, mas antes parou na porta e disse para a esposa:
- Seria melhor você dizer que eu falo demais, além desses assuntos não serem lá muito interessantes para você! Seria pelo menos mais educado da sua parte.
Ela - como a própria dizia - calada estava, calada ficou.
Ele foi para o computador para escrever e gravar as ideias que estava tendo, pois se deixasse para depois era bem provável que esquecesse.
Influenciado que fora pela "discussão" com a mulher, teve um bloqueio de ideias. Tudo o que pensou antes do "monólogo" lhe escapara.
Em um determinado momento chegou a se sentir um Barton Fink.
Mas a perturbação dele era devido à raiva, e não a um bloqueio emocional por medo de escrever ou inadequação ao lugar onde estava.
E, além de tudo, ali não era um cenário de um filme dos Irmãos Coen.
Achou melhor ir dormir, pois daquele jeito nada sairia.
Antes entrou rapidamente no face e, inebriado pelo sono, se perdeu lendo - e fechando os olhos - num post que dizia: "Amanhã será um dia como nunca você viveu antes!".
E foi deitar-se, "morto" de sono.
Acordou pela manhã, se levantou e foi ler o jornal. A manchete era sobre a absolvição dos mensaleiros pelo crime de formação de quadrilha, assunto que ele já vira na televisão no dia anterior.
Estranhamente, não se interessou pelo assunto.
Logo ele, que na véspera tinha se indignado com tudo.
Mas ele não estava nem aí, e foi direto para os quadrinhos e em seguida para a coluna social.
Só amenidades...
Achou aquilo tudo estranho. Logo ele, que achava aquelas partes do jornal tão fúteis.
Mas se sentia calmo, e isso era o que interessava.
Ligou o rádio para ouvi-lo, enquanto preparava o café.
Quem falava era o Ricardo Boechat, conhecido pela sua contundência.
E o apresentador falava exatamente sobre aquela vergonhosa absolvição.
E ele, que adorava ouvir o Boechat e suas críticas aos podres poderes, não aturou-o sequer 5 minutos e trocou de emissora no rádio.
- Tá mais pra Boechato - disse.
Boechato?
Algo de estranho lhe acontecia...
Pôs em uma daquelas rádios de sala de espera de consultório, a qual as pessoas ouvem enquanto leem "Caras" e coisas do tipo. Elas sempre tocam as mesmas músicas. Tudo bem que não rola nelas um Charles Aznavour, Edith Piaf ou Pepino di Capri, já que as canções são sempre brasileiras ou americanas, mas o que toca é muito bom.
E naquele momento se ouvia "Is This Love", do Bob Marley, que ele adorava e estava estudando a letra para aprender Inglês.
Pois, at that moment, ele a achou um saco e mudou de estação de novo.
Pôs em uma daquelas rádios em que o locutor "Grita o tempo todo, achando que os seus ouvintes são surdos.", como ele costumava dizer.
Ou que tenha feito locução de anúncio do Guanabara...
Tocava uma daquelas músicas baianas de Carnaval, a qual ele gostou de imediato.
E ficou lá ouvindo, batendo o pé para acompanhar o ritmo.
Foi ao quarto dar um bom dia à esposa e beijá-la.
E nem um carinho mais audacioso, uma palavra mais sacana, como ele sempre fazia.
A esposa estranhou, mas não disse nada.
Acabou por assistir um trechinho do programa da Ana Maria "Chata", como ele a chamava.
Era alguma virose, não era possível!
Mas ele estava se sentindo muito bem.
Saiu de casa e nem reclamou da sujeira em que se encontrava o corredor do prédio, que havia sido lavado há três dias e já se encontrava daquele jeito, devido a um vizinho louco - louco mesmo, com laudo psiquiátrico e tudo -, contumaz em fazer aquilo.
O cara louco, mas não rasgava cenzinho...
Nada o abalava naquele dia.
E saiu feliz em direção ao trabalho.
Pegou o metrô, que estava como sempre lotado.
No vagão o calor era insuportável, pois o ar condicionado era fraco demais.
E, para agravar a situação, o carro parava a toda hora, com o locutor pedindo para os passageiros aguardarem a "liberação do tráfego à frente".
A viagem demorada e aquele calor insuportável fez até alguns passageiros passarem mal.
E ele ali, todo suado.
Mas nenhuma palavra contra o governador, cuja esposa, advogada, representava os interesses daquela empresa concessionária do Metrô.
- Como o secretário de transportes falou, vão chegar novos vagões. - Disse.
Antes de chegar ao trabalho, parou e postou no face uma daquelas mensagens edificantes, lindinhas, com uma bela paisagem ao fundo.
Os "amigos" perguntaram se era ele mesmo.
- Claro! - respondeu. - E tenham um belo dia, de paz e realizações.
- Que cidade cidade linda a nossa, sem problemas! - exclamou, na rua.
Inebriado que estava pela "beleza" da cidade, nem viu o amontoado de lixo que estava sobre a calçada e tropeçou nele.
Era a greve dos garis, que já durava três dias.
- A prefeitura faz o melhor. - pensou.
Chegando ao trabalho foi logo ao banheiro, e nem cobrou - educadamente, porém firme - do rapaz da limpeza a reposição do refil do sabonete, que ele sempre demorava para fazer, deixando os funcionários sem poder fazer a higiene completa.
Pois ele era o único que cobrava do faxineiro, e sempre obtinha resultado.
Mas naquele atípico dia nada mudava o seu humor.
Chegando à área de trabalho, encontrou os colegas indignados, pois não tinham recebido a premiação por bater a meta de produtividade relativa ao ano anterior, que era para ter vindo no contracheque daquele mês.
Sabedores do seu espírito de liderança, pediram-no para encabeçar aquela reivindicação ao chefe.
Afinal, ele sabia falar como poucos com o cara.
- A empresa deve ter suas razões. - disse, recusando-se a fazê-lo.
- Razão? Serve a viagem amanhã do chefe à Europa, de férias? - perguntou um dos indignados - e confuso com aquela estranha recusa -.
- Não, gente, eu não quero saber disso, não. - disse, para mais estranhamento dos colegas de trabalho.
E todos foram embora resignados, sem saber muito o que fazer.
Ele foi para o batente.
Mais tarde almoçou no restaurante careiro e ruim, que ele nunca havia ido antes e,como de costume, foi tomar açaí após a refeição.
Pois o açaí tinha passado de R$ 5,00 para R$ 9,00!
Ah, não! Aí já era demais, essa ele não deixaria passar!
Pois deixou, sim, e pagou os "surreais" R$ 9,00 daquele açaí padrão FIFA...
Na volta para casa o sufoco de sempre no Metrô, e nem uma palavra de reprovação do serviço, ou mesmo um sentimento de descontentamento.
Quase foi atropelado ao atravessar o sinal, que estava vermelho para os carros, mas nem uma reclamação.
Chegando em casa reparou no portão com defeito.
Era o louco - o que não rasgava cenzinho - que havia, numa de suas crises, batido o portão várias vezes e com tanta força que o havia quebrado.
Coisa que o idiota nunca fizera na porta da própria casa.
Até a vizinha que defendia aquele mentecapto, dizendo que aquilo tudo que ele costumava fazer era normal, daquela vez reclamou daquilo tudo, tão indignada que queria até chamar a polícia.
E ele nada falou em relação àquilo que o maluco fizera.
Não falou nem quando o dito cujo passou por ele encarando-o, com ar marrento de quem não aguentava sequer uma porrada.
Apenas entrou em casa.
Conversou apenas futilidades com a esposa, como era do agrado dela.
Mas até ela estranhou aquele jeito, e puxou assunto sobre algo com mais conteúdo.
Ele não queria saber daquilo, queria era falar sobre a música do tal do "Funk Ostentação", que ele havia ouvido de um bar, em som altíssimo.
- Enlouqueceu - pensou a esposa.
Foi tomar banho e nem reclamou com a filha de oito anos das roupas espalhadas no chão do banheiro, que ela sempre deixava.
Ligou o computador e compartilhou no facebook a imagem de uma mulher gorda, de biquíni, que viera com o texto:" Adoro transar com flamenguista".
Ele achava aquilo um absurdo, desrespeito com alguém que, provavelmente, não pedira para estar exposta daquele jeito, mas daquela vez preferiu comentar:KKKKKKK!
Foi deitar-se sem ao menos escrever uma das suas poesias, muitas vezes com críticas políticas.
Nem tentou nada com a esposa, que dormia nua.
Acordou na manhã seguinte e ligou o rádio, que estava na tal estação onde "Os locutores falam alto, como se os ouvintes fossem surdos.".
Trocou imediatamente de estação, sintonizando o Ricardo Boechat.
Ouviu e comentou alguma coisa que o radialista falava.
Foi tomar banho, mas antes reclamou com a filha da roupa que ainda estava no chão.
Em seguida arrumou-se e, antes de sair, beijou a filha e foi ao quarto despedir-se e bolinar a esposa, que estava em casa àquela hora por estar de férias no trabalho.
Não perdeu a chance de falar mal do programa da "Ana Maria Chata".
Chegando à frente do prédio notou que a porta de alumínio que protegia o hidrômetro fora roubada.
Alguém havia entrado no prédio, ou fora alguém do prédio, já que o portão estava com defeito e os vagabundos não iriam se contentar em roubar apenas aquele objeto barato.
Reclamou, em alto e bom som, que à noite resolveria aquilo e o problema causado no portão.
Definitivamente, ele estava "de volta".
E foi embora para o trabalho.
Fim.
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