sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

À BEIRA DA PISCINA 
- Alô?
- Gostosa!
- O que é isso? Quem tá ligando?
- Um cara que adora lhe ver, um voyeur.
- Ô seu tarado! Não tem o que fazer? Vai procurar uma mulher, seu onanista!
- Eu prefiro ficar observando você aí, à beira da piscina, "tomando" um solzinho...
- É só na covardia, no cinco contra um, não é?
- Você deveria gostar de receber homenagens...
- Gostar? Eu não preciso disso, seu tarado! Eu tenho um marido ótimo, que me satisfaz.
- Se ele lhe satisfizesse mesmo, não deixaria intacta uma loura maravilhosa como você, seminua...
- Ele está na empresa dele, trabalhando muito! Até queria, mas não podia ficar aqui comigo. E eu não estou nada seminua! Estou de biquíni.
- Esse micro fio-dental que você usa agora? Atrás ele só cobre o cofrinho e mostra toda a Casa da Moeda e na frente é quase um tapa-sexo...
- Olha aqui, seu idiota! Eu estou na minha casa; posso até ficar nua, se quiser.
- Quem dera que você ficasse nua...
- O que você quer comigo, seu doente?! Olha que eu chamo a polícia, hein?
- Só porque eu estou lhe admirando?
- Não. É porque você é um tarado, uma ameaça!
- Ameaça? Eu só quero lhe ver, não sou um estuprador.
- Eu já falei demais com você, vou desligar!
- Você já o teria feito, se quisesse mesmo.
- O quê?
- É isso mesmo que você ouviu. Você gosta de saber que está sendo observada, desejada...
- Que absurdo!
- Você gosta de ser chamada de gostosa, de saber que tocam umazinha pra você.
- Você é louco mesmo!
- Louco de tesão, com o pau duro a tanto tempo por ver você que daqui a pouco tem priapismo.
- Pois tomara que tenha mesmo! Que o seu pau, seu tarado, fique duro por tanto tempo que lhe deixe broxa logo!
- É só eu parar de lhe observar que com o tempo ele relaxa. Nenhuma das mulheres que eu vejo por aí me deixa assim com tanto tesão.
- Não dá pra eu curtir as minhas merecidas férias sossegada, sem um louco me espiando?
-Você não liga de estar sendo espiada. De vez em quando eu flagro você olhando à sua volta, como se perguntando se mesmo distante a observam. Não lhe dá tesão saber que lhe olham e lhe desejam?
- Não preciso disso! Me basta o meu marido me desejando.
- Toda mulher gosta de ser admirada, desejada. Vivem reclamando das cantadas, mas quando não ouvem mais gracinhas nas ruas sentem falta. E tem muito homem que se diz ciumento, mas gosta de ver a sua namorada ou esposa bonita, chamativa.
- Mas duvido que gostem de tarados como você babando ao vê-las de biquíni.
- Eu vejo umas mulheres acompanhadas com uns biquínis... E os seus pares não fazem cara de que não estão gostando, não. Acho até que eles sentem tesão de vê-las expostas daquele jeito...
- Você é muito pervertido! Ainda bem que o meu marido não é assim.
- Quem lhe garante?
- Eu o conheço bem, tá!
- Tá bom... Mas vamos esquecer um pouco esse cara que não é capaz de se atrasar pra comer você aí mesmo, na piscina. Um cara que só lhe dá um beijo e vai embora.
- Você me observa mesmo, hein? Mas como, se a vista da minha casa não é defasada? De onde você poderia estar me observando?
- Não adianta que eu não caio na sua armadilha! Sei da sua rotina, mas você não vai saber onde estou e quem eu sou. Não por enquanto.
- O que mais você sabe sobre mim?
- Que você não gosta de ir à praia porque se acha gorda. Vejo o seu marido arrumando as coisas pra ir lá com o seu filho e reclamando que é frescura sua isso, que o seu corpo é bonito, que o que é bonito é pra ser visto...
- Mas eu sou gorda. Malho pra caralho, mas sou gorda.
- Você é larga; esta é a sua estrutura física. Uma gorda esbelta, que tem cinturinha, curvilínea.
- Gorda, não. Gordinha...
- Gordinha é eufemismo! Assuma o seu tipo físico. Você é gorda e gostosa ao mesmo tempo, porra!
- Você fala igualzinho ao meu marido... Como ele, só quer me agradar.
- Se você não se acha gostosa não é problema meu! Isso não vai tirar o meu tesão por você.
- O que você quer comigo, afinal?
- Quer saber mesmo?
- Claro, quero! Fala, pra acabar com isso.
- Faz um topless pra mim.
- De jeito nenhum!
- Por que não? Não tem ninguém olhando mesmo...
- Pro meu marido eu faço, não pra um desconhecido.
- Tira, vai! Ninguém vai saber.
- Não, nem pensar!
- Vai me dizer que não acha isso excitante?
- Si... quer dizer, não!
- Quase que você se entregou... Tira, vai!
- Não.
- Vou desligar, então. E você não fala comigo nunca mais. Você já viu que o meu número é restrito.
- Ah, não sei... Nem te conheço.
- Tira, tira, tira...
- Tá bom! Mas é só isso, hein?
- Você não vai fazer nada que não queira. Mas tira, vai! Eu espero.
-  E agora que você já viu o que queria, está satisfeito?
- Eu já tinha os visto antes, mas assim é diferente. Assim eles ficam mais bonitos, mais sensuais.
- Como você já viu os meus peitos?
- Você anda bem à vontade em casa...
- Absurdo... Agora vai me deixar em paz?
- Quer?
- Quero.
- Então vou desligar. Tchau...
- Não!
- Não desliga?
- É...
- Então vamos continuar a brincadeira.
- O que você quer agora?
-  Bottomless.
- Tirar tudo, não!
- Somos só eu e você, ninguém mais pode ver a gente. Tira, vai...
- Será que os meus peitinhos não são o suficiente pra você, seu onanista, seu punheteiro?
- Peitinhos? Meu pau encaixa aí direitinho. Faço uma bela espanhola neles...
- Chega, seu tarado! Se divirta com esta cena...
- É pouco pra mim! E pra você também, que eu sei.
- Ah, não sei, isso é loucura...
- Usa depois como fantasia no sexo com ele...
- Isso é sacanagem com ele...
- Pra ele vai ser só uma fantasia, não precisa contar a verdade.
- Ah, não sei...
- Tira, porra!
- Ai, calma!
- Calma é o caralho! Tira essa porra desse quase tapa-sexo que você tá usando, merda!
- Ai, tá bom...
- Tô aqui esperando ansiosamente, como um adolescente.
- Gente, que loucura! Eu fiquei peladinha pra um desconhecido...
- Que bocetinha linda você tem!
- Você gostou?
- Claro que sim! Toda depiladinha, toda trabalhada no brazilian waxing...
- Eu prefiro assim, é mais higiênico.
- Eu também. Não esfola o meu pau e tem um gosto melhor.
- Hmmmm...
- Você deve estar toda molhadinha, não é?
- Você sabe que sim.
- Prova um pouquinho por mim.
- Um pouquinho do quê?
- Põe a mão na xotinha e leva à boca, vai!
- Isso é nojento!
- Faz, vai!
- No way!
- Não? Então, tchau...
- Espera!
- Vai fazer o que eu pedi?
- Vou. Hmmmm, aiiii!
- Isso, esfrega bem o dedinho aí! Tá bom, muito bom... Agora chupa, vai! Chupa como se você fosse uma puta gulosa com o meu pau na boca...
- Hmmm... Ai, que delícia!
- Caralho, você é um tesão! Quantos anos você tem, hein?
- Uma mulher não conta a sua idade pra qualquer um, não!
- Você fica peladinha pra mim, prova a bocetinha e não quer me contar a sua idade?
- Tá bom, 42 anos...
- Pensei que tinha no máximo uns 36.
- Obrigada.
- Eu é que agradeço pelo espetáculo.
- Acabou? Vai desligar?
- Não, é cedo ainda!
- Ah, bom!
- Mas então eu vou querer que você se masturbe.
- Nem sozinha eu já fiz isso!
- Então perde o cabaço comigo, vai!
- De jeito nenhum!
- Você tá louquinha pra fazer! Pega a sua mãozinha esquerda e faz pra mim, vai!
- Como você sabe que eu sou canhota?
- Observando.
- Você sabe demais de mim...
- É. Mas toca logo essa porra dessa siririca, caralho!
- Calma, não precisa ser grosso!
- Grosso? Quando estivermos sozinhos você vai ver como sou grande e grosso. E chega de conversinha, hein? Mete logo o dedo do fio terra na rachinha e esfrega bem esse clitóris, sua putinha!
- Hmmmm...
- Isso, se imagina dançando nuazinha no palco de uma boate! Pensa que tem um monte de gente na plateia, um monte de caras de pau duro por você...
- Ai, eu já tive esse tipo de fantasia com o meu marido...
- Pelo menos ele é criativo, não é? Mas esquece o cara, porra! Deixa só a gente aqui. Agora você está toda abertinha, se esfregando na barra do poll dance...
- Delícia... Eu já trepei várias vezes com essa fantasia.
- Isso, toca, vai! Agora eu sou o segurança da boate que tá louco pra lhe "comer". Aí você passa nuazinha por mim no corredor.
- O que você vai fazer comigo, seu safado?
- Nada que você não queira.
- Como assim?
- Exatamente: como. Mas primeiro eu lhe pego pelo braço, meto a mão na sua bocetinha e toco uma siririca em você.
- Você vai me agarrar, seu tarado?
- Como já disse, não vou fazer nada que você não queira.
- Continua.
- Aí vou "arrastar" você pra dentro de um quartinho que quase ninguém na boate conhece, vou lhe chupar todinha, vou pôr você pra chupar o meu pau, vou meter na sua bocetinha e terminar comendo o seu cuzinho.
- Ai, o cuzinho não! O cuzinho dói...
- Vou botar com jeito.
- Então tá.
- Agora vai, sua vadia! Isso, toca, se masturba, vai! Imagina eu fazendo barba, cabelo e bigode em você; o serviço completo...
- Ai, que delícia! Ai, ai... aaaaiiiiii!
- Isso, vagabunda! Goza bastante, vai! Goza aí que eu gozo aqui...
- Caralho, que delícia! Não sabia que siririca era tão bom assim.
- Foi bom também pra você?
- Adorei!
- Vem me encontrar, então!
- Na.. não! Isso, não! Isso já é passar demais dos limites; eu sou fiel a ele.
- Vem, vai... Você não vai se arrepender.
- Não, chega! That's enough!
- Então tá bom, nunca mais lhe ligo.
- Só porque eu não quero lhe dar, você não vai mais me ligar?
- Se assim já foi tão bom, imagina quando a gente se encontrar?
- Então tá bom, eu vou lhe encontrar. Mas ainda não decidi se vou lhe dar, tá?
- Como você quiser.
- Onde, então?
- Sabe o motel Manchete?
- Aquele do slogan "Aconteceu, vem pro Manchete."?
- Isso. Sabe onde é, né?
- Sei. Há tempos que ele não me leva lá...
- Pois eu lhe encontro lá na esquina daqui a uma hora. Quando eu chegar, dou três buzinadas e aceno.
- Tá bom, a gente se encontra lá.
- Não vejo a hora, gostosa! Tchau!
- Tchau.
Uma hora depois:
- Oi.
- Oi. Lhe liguei pra dizer que eu vou me atrasar um pouco. É que o trânsito... Você sabe como é aqui no Rio de Janeiro, ainda mais pelas bandas da Barra.
- Que bom que você ligou.
- Por quê?
- É que eu não quero mais...
- Como assim?
- Não quero, não quero mais! E amo demais o meu marido e só consigo fazer sexo com ele! Desde que demos o primeiro beijo, há 18 anos, que eu não sei o que é outro homem. Tudo bem que esfriou um pouco nos últimos tempos, mas não é nada que não possamos resolver com, sei lá, uma boa viagem às praias do Ceará.
- Foi tão bom pelo celular. Imagina quando a gente se tocar.
- É diferente. Aquilo foi só uma fantasia, isso já é dar um passo muito adiante; não estou preparada pra isso.
- Então quer dizer que você só me usou pra realizar uma fantasia, não é? Pra depois gastar com o oficial...
- Não, não é nada disso... Olha, vamos parar por aqui! Isso já foi longe demais. Não quero traí-lo e pronto!
- Quer dizer que eu não tenho nenhuma chance com você?
- Não.
- Que pena! Seria ótimo o nosso sexo.
- Tchau.
- Tchau, minha loura gostosa!
(Falando sozinha dentro do carro): - Foi melhor assim. Nunca traí o meu Sávio e não seria agora que eu o faria. Se não está bom, é melhor sentarmos e conversarmos. Trair, nunca! Ué, três buzinadas? E ele está acenando ali do carro? Eu não falei pra esse imbecil que não ia rolar?! Que escro... Sávio? É o Sávio ali no carro? Mas como assim? Será que ele me seguiu? Ele tá sinalizando pra entrar no Manchete. Ai, Meu Deus!
Cinco minutos depois:
- Oi, Sávio.
- É só isso que você tem pra me dizer?
- Vamos primeiro sair daqui e entrar na suíte, vai!
- E agora que a gente já está na suíte, desembucha, vai, mulher!
- Eu é que tenho que perguntar. O que você estava fazendo ali?
- Não vou inventar mais, Sinara. Era eu ao telefone.
- Você?
- É, eu! Nunca imaginei que você aceitaria aquilo tudo, que ficaria nua pra um desconhecido que você não sabia nem qual era a cara. Que se masturbaria pra ele ver e por pouco não estaria aqui fodendo com ele!
- Mas era você!
- Eu sabia disso. Você, não!
- Olha, eu não queria, mas vou ter que fazer que nem uma personagem do Nelson Rodrigues: é que eu estou frustrada, você não é mais o mesmo! Há quanto tempo que você não toca uma punheta na minha frente, por exemplo?
- O que está faltando pra você, Sinara?
- Ah, sei lá! Você não é mais o mesmo, não tem mais aquele jeito sacana, não tem tantas fantasias no nosso sexo, não vamos mais ao motel... É só trabalhar, trabalhar... ! Não tem ninguém ali pra lhe substituir de vez em quando? E hoje? Você, como tem sido ultimamente, só me deu um beijo, que não foi nem de língua, de despedida. Porra, eu entrei de férias! Estou ali me bronzeando seminua pra você, e só um beijinho? E sem língua?! Olha, você não é o culpado de tudo, mas tem deixado a desejar, deixou o nosso casamento cair na rotina.
- Por que você acha que eu fiz isso hoje?
- Sei lá! Pra me testar, eu acho.
- Tudo bem, não vou mentir. Foi também pra isso, mas a priori eu só queria brincar. Eu ia me identificar, porque eu queria o tesão daquilo, mas aí...
- Mas aí o que, Savio?
- Daí que eu resolvi lhe testar.
- Me testar? Você não confia em mim?
- Agora eu confio. Mas só em você não dar pra outro.
- E você acha certo tudo isso o que você fez? Até a voz você mudou!
- O que eu acho é que eu estou cheio de tesão por você.
- Você se masturbou mesmo?
- Nunca toquei uma punheta tão gostosa! Nem nos tempos de moleque. Mas não gozei, só tive aquela sensação boa...
- E de onde você me olhou?
- Daquela casa que está à venda. Peguei a chave com o proprietário.
- Aquela que você fotografou o telefone no outro dia? Que disse que era pro amigo?
- Pois é, fiquei ali lhe espiando.
- Mas ela é longe...
- Eu usei binóculo pra enxergar melhor, não perder nenhum detalhe. Deu pra ver direitinho você tocando aquela siririca, o movimento do dedo fio-terra passando no seu clitóris...
- Você adora o meu fio terra, hein, Sávio? E eu que achava que você não era mais safado... Tô vendo que você ficou pior.
- Você ainda não viu nada.
- Vamos viajar um pouco, amor! O Luiz já tem 16 anos, os meus pais moram perto da gente e podem ficar com ele enquanto a gente viaja sozinho pras praias do Ceará. Depois vamos pra Tambaba...
- Acho ótimo. Vou providenciar isso lá na firma, preparar o gerente Oswaldo pra tomar conta de tudo. Porra, todo mundo ali tira férias, menos eu!
- Isso, adorei! Mas e agora, o que vamos fazer?
- Você sabe. Vamos aproveitar a suíte, esta piscina...
- Seu pervertido! Vai me mostrar que é grande e grosso, vai?
- Tá bom assim? É grande e grosso o suficiente pra você?
- Deixa eu pegar pra ver, seu punheteiro, seu covarde, seu onanista...
- Vai, sua cachorra, sua exibicionista! Pega no meu pau, vai! Caralho, que delícia...
- Te amo, Savio!
- Eu também te amo, Sinara!
FIM.


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