quinta-feira, 5 de junho de 2014

Não corra atrás do sucesso de forma desesperada, vá no seu passo normal, deixe ele se cansar de fugir de você e o alcance mais à frente.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Super Haroldinho

É um pássaro?
Um avião?
Um triciclo?
Não, é o Super Haroldinho!
Que faz seu programa aos domingos
Quando dá 9:00 no seu redondinho
1280 am ou 96,5 fm no radinho
Ou digita Tupi.am/ Tupi.fm, fio!
E prepara o seu ouvido
Eles falam o que tem ser dito
Liga logo, menino!
Quero ouvir tudinho...
Em Nota                                                                                                         29-03-2014

Sem água em casa, que bosta!
Eu pago a conta e me fazem de idiota
Ligo pra empresa (im)prestadora
A atendente finge que se importa
Diz:" Vamos enviar uma equipe em 24 horas."
Mais um dia assim na rua onde a gente mora
Por fim o protocolo:"Por favor, anota."
Três dias se passam, minha energia se esgota
Nada de água até agora...
O vizinho diz: "Ora que melhora."
Melhor ligar pra rádio agora
Estou na espera que ela resolva
É triste, mas só atendem dessa forma
O comunicador cobra ao vivo uma resposta
E ela vem em nota
Uma desculpa que a assessoria deles bola
Porque hoje virou moda
Não falam com as pessoas
É pela internet que rola
Nos enrolam
uns manés de diploma
Que estudaram pra dizer pouca coisa
Tanto tempo de faculdade e escola
Pra transcrever o que a empresa conta
Pra que consciência se a grana é ótima?
O povinho que se exploda
É sempre esse samba de uma só nota
A solução? Em outubro não vota
Pra ser tratado de melhor forma
Mostrá-los que não são dignos de nota
E não ter mais que ler esta poesia monocórdia

Me Incomoda                                                                                                  29-03-2014

Me incomoda
Que a Coreia do Norte seu povo mata, tortura, esfola
Que a Rússia e a China, na ONU, a favor deles vota
Que aquele paiseco até sequestra gente de fora
Que todo mundo o condena e o Brasil nem dá bola
Que querem pôr no meu país o regime daquela droga
Que tem gente aqui que até as FARC adora
Que o Comunismo está voltando à moda
Que por isto um brasileiros querem os militares de volta
Que parece que aqui o que é ruim volta
Que a gente acaba repetindo a história
Que com comunas ou milicos a Democracia vai embora
Que fico tão puto que findo a poesia agora
A inteligência da pessoa é inversamente proporcional ao volume do som que ela ouve.

                                                                  ou

                               SOM ALTO = INTELIGÊNCIA PEQUENA
No Brasil o POLITICAMENTE CORRETO é mais importante que o PORTUGUÊS CORRETO.
Um Dia Sem Fúria
Estava contando à mulher a ideia de um conto que teve
Falava entusiasmadamente para ela que, deitada na cama, não lhe dava lá muita atenção. Desvia-a para a filha e a sobrinha, que jantavam. Ela gritou:
- Eduarda, come a comida!
Ele olhou para ela, que continuou "solenemente" para ele, continuando a bronca na filha para não ouvi-lo.
Pelo menos aquela era a impressão que ele tinha, pois sempre que tratava de assuntos menos fúteis isso acontecia.
Saiu irritado do quarto, mas antes parou na porta e disse para a esposa:
- Seria melhor você dizer que eu falo demais, além desses assuntos não serem lá muito interessantes para você! Seria pelo menos mais educado da sua parte.
Ela - como a própria dizia - calada estava, calada ficou.
Ele foi para o computador para escrever e gravar as ideias que estava tendo, pois se deixasse para depois era bem provável que esquecesse.
Influenciado que fora pela "discussão" com a mulher, teve um bloqueio de ideias. Tudo o que pensou antes do "monólogo" lhe escapara.
Em um determinado momento chegou a se sentir um Barton Fink.
Mas a perturbação dele era devido à raiva, e não a um bloqueio emocional por medo de escrever ou inadequação ao lugar onde estava.
E, além de tudo, ali não era um cenário de um filme dos Irmãos Coen.
Achou melhor ir dormir, pois daquele jeito nada sairia.
Antes entrou rapidamente no face e, inebriado pelo sono, se perdeu lendo - e fechando os olhos - num post que dizia: "Amanhã será um dia como nunca você viveu antes!". 
E foi deitar-se, "morto" de sono.
Acordou pela manhã, se levantou e foi ler o jornal. A manchete era sobre a absolvição dos mensaleiros pelo crime de formação de quadrilha, assunto que ele já vira na televisão no dia anterior.
Estranhamente, não se interessou pelo assunto.
Logo ele, que na véspera tinha se indignado com tudo.
Mas ele não estava nem aí, e foi direto para os quadrinhos e em seguida para a coluna social.
Só amenidades...
Achou aquilo tudo estranho. Logo ele, que achava aquelas partes do jornal tão fúteis.
Mas se sentia calmo, e isso era o que interessava.
Ligou o rádio para ouvi-lo, enquanto preparava o café.
Quem falava era o Ricardo Boechat, conhecido pela sua contundência.
E o apresentador falava exatamente sobre aquela vergonhosa absolvição.
E ele, que adorava ouvir o Boechat e suas críticas aos podres poderes, não aturou-o sequer 5 minutos e trocou de emissora no rádio.
- Tá mais pra Boechato - disse.
Boechato?
Algo de estranho lhe acontecia...
Pôs em uma daquelas rádios de sala de espera de consultório, a qual as pessoas ouvem enquanto leem "Caras" e coisas do tipo. Elas sempre tocam as mesmas músicas. Tudo bem que não rola nelas um Charles Aznavour, Edith Piaf ou Pepino di Capri, já que as canções são sempre brasileiras ou americanas, mas o que toca é muito bom.
E naquele momento se ouvia "Is This Love", do Bob Marley, que ele adorava e estava estudando a letra para aprender Inglês.
Pois, at that moment, ele a achou um saco e mudou de estação de novo.
Pôs em uma daquelas rádios em que o locutor "Grita o tempo todo, achando que os seus ouvintes são surdos.", como ele costumava dizer.
Ou que tenha feito locução de anúncio do Guanabara...
Tocava uma daquelas músicas baianas de Carnaval, a qual ele gostou de imediato.
E ficou lá ouvindo, batendo o pé para acompanhar o ritmo.
Foi ao quarto dar um bom dia à esposa e beijá-la.
E nem um carinho mais audacioso, uma palavra mais sacana, como ele sempre fazia.
A esposa estranhou, mas não disse nada.
Acabou por assistir um trechinho do programa da Ana Maria "Chata", como ele a chamava.
Era alguma virose, não era possível!
Mas ele estava se sentindo muito bem.
Saiu de casa e nem reclamou da sujeira em que se encontrava o corredor  do prédio, que havia sido lavado há três dias e já se encontrava daquele jeito, devido a um vizinho louco - louco mesmo, com laudo psiquiátrico e tudo -, contumaz em fazer aquilo.
O cara louco, mas não rasgava cenzinho...
Nada o abalava naquele dia.
E saiu feliz em direção ao trabalho.
Pegou o metrô, que estava como sempre lotado.
No vagão o calor era insuportável, pois o ar condicionado era fraco demais.
E, para agravar a situação, o carro parava a toda hora, com o locutor pedindo para os passageiros aguardarem a "liberação do tráfego à frente".
A viagem demorada e aquele calor insuportável fez até alguns passageiros passarem mal.
E ele ali, todo suado.
Mas nenhuma palavra contra o governador, cuja esposa, advogada, representava os interesses daquela empresa concessionária do Metrô.
- Como o secretário de transportes falou, vão chegar novos vagões. - Disse.
Antes de chegar ao trabalho, parou e postou no face uma daquelas mensagens edificantes, lindinhas, com uma bela paisagem ao fundo.
Os "amigos" perguntaram se era ele mesmo.
- Claro! - respondeu. - E tenham um belo dia, de paz e realizações.
- Que cidade cidade linda a nossa, sem problemas! - exclamou, na rua.
Inebriado que estava pela "beleza" da cidade, nem viu o amontoado de lixo que estava sobre a calçada e tropeçou nele.
Era a greve dos garis, que já durava três dias.
- A prefeitura faz o melhor. - pensou.
Chegando ao trabalho foi logo ao banheiro, e nem cobrou - educadamente, porém firme - do rapaz da limpeza a reposição do refil do sabonete, que ele sempre demorava para fazer, deixando os funcionários sem poder fazer a higiene completa.
Pois ele era o único que cobrava do faxineiro, e sempre obtinha resultado.
Mas naquele atípico dia nada mudava o seu humor.
Chegando à área de trabalho, encontrou os colegas indignados, pois não tinham recebido a premiação por bater a meta de produtividade relativa ao ano anterior, que era para ter vindo no contracheque daquele mês.
Sabedores do seu espírito de liderança, pediram-no para encabeçar aquela reivindicação ao chefe.
Afinal, ele sabia falar como poucos com o cara.
- A empresa deve ter suas razões. - disse, recusando-se a fazê-lo.
- Razão? Serve a viagem amanhã do chefe à Europa, de férias? - perguntou um dos indignados - e confuso com aquela estranha recusa -.
- Não, gente, eu não quero saber disso, não. - disse, para mais estranhamento dos colegas de trabalho.
E todos foram embora resignados, sem saber muito o que fazer.
Ele foi para o batente.
Mais tarde almoçou no restaurante careiro e ruim, que ele nunca havia ido antes e,como de costume, foi tomar açaí após a refeição.
Pois o açaí tinha passado de R$ 5,00 para R$ 9,00!
Ah, não! Aí já era demais, essa ele não deixaria passar!
Pois deixou, sim, e pagou os "surreais" R$ 9,00 daquele açaí padrão FIFA...
Na volta para casa o sufoco de sempre no Metrô, e nem uma palavra de reprovação do serviço, ou mesmo um sentimento de descontentamento.
Quase foi atropelado ao atravessar o sinal, que estava vermelho para os carros, mas nem uma reclamação.
Chegando em casa reparou no portão com defeito.
Era o louco - o que não rasgava cenzinho - que havia, numa de suas crises, batido o portão várias vezes e com tanta força que o havia quebrado.
Coisa que o idiota nunca fizera na porta da própria casa.
Até a vizinha que defendia aquele mentecapto, dizendo que aquilo tudo que ele costumava fazer era normal, daquela vez reclamou daquilo tudo, tão indignada que queria até chamar a polícia.
E ele nada falou em relação àquilo que o maluco fizera.
Não falou nem quando o dito cujo passou por ele encarando-o, com ar marrento de quem não aguentava sequer uma porrada.
Apenas entrou em casa.
Conversou apenas futilidades com a esposa, como era do agrado dela.
Mas até ela estranhou aquele jeito, e puxou assunto sobre algo com mais conteúdo.
Ele não queria saber daquilo, queria era falar sobre a música do tal do "Funk Ostentação", que ele havia ouvido de um bar, em som altíssimo.
- Enlouqueceu - pensou a esposa.
Foi tomar banho e nem reclamou com a filha de oito anos das roupas espalhadas no chão do banheiro, que ela sempre deixava.
Ligou o computador e compartilhou no facebook a imagem de uma mulher gorda, de biquíni, que viera com o texto:" Adoro transar com flamenguista".
Ele achava aquilo um absurdo, desrespeito com alguém que, provavelmente, não pedira para estar exposta daquele jeito, mas daquela vez preferiu comentar:KKKKKKK!
Foi deitar-se sem ao menos escrever uma das suas poesias, muitas vezes com críticas políticas.
Nem tentou nada com a esposa, que dormia nua.
Acordou na manhã seguinte e ligou o rádio, que estava na tal estação onde "Os locutores falam alto, como se os ouvintes fossem surdos.".
Trocou imediatamente de estação, sintonizando o Ricardo Boechat.
Ouviu e comentou alguma coisa que o radialista falava.
Foi tomar banho, mas antes reclamou com a filha da roupa que ainda estava no chão.
Em seguida arrumou-se e, antes de sair, beijou a filha e foi ao quarto despedir-se e bolinar a esposa, que estava em casa àquela hora por estar de férias no trabalho.
Não perdeu a chance de falar mal do programa da "Ana Maria Chata".
Chegando à frente do prédio notou que a porta de alumínio que protegia o hidrômetro fora roubada.
Alguém havia entrado no prédio, ou fora alguém do prédio, já que o portão estava com defeito e os vagabundos não iriam se contentar em roubar apenas aquele objeto barato.
Reclamou, em alto e bom som, que à noite resolveria aquilo e o problema causado no portão.
Definitivamente, ele estava "de volta".
E foi embora para o trabalho.
Fim.