Eu Era Um Poço de Preconceitos 21-01-2014
Eu era um poço de preconceitos
No dia a dia, entre os amigos
Destilava meu desprezo
Contra judeus, negros e nordestinos
Mas a Lei Caó veio
E agora não tem jeito
Se falo mal deles até sou preso
Então procuro outro meio
Pois não dá mais com o racismo
E como sou desocupado mesmo
Ou não sei usar o pouco tempo que tenho
Vou à cata de novos inimigos
Só assim satisfaço os meus sentidos
E nesses grupos tenho um prato cheio:
portugueses:
burros, mesmo aqui tendo ficado ricos.
Louras:
com cabelo verdadeiro ou tingido, curto ou comprido, o que conta é na cabeça o vazio. E nas piadinhas as ridicularizo, tanto faz se são burras ou mais cultas que este face reunido.
Anões:
estes, coitados, quase não vejo! São tão pequenos... E são ótimos, engraçadinhos, nos programas de auditório são os mascotezinhos. Queria ver é de um o enterro, e não se foram dignos quando vivos.
Obesos:
estes, então, são perfeitos! Me irritam a todo momento, pois não são lindos quanto os artistas e os modelos. E como não posso xingá-los na rua ou no coletivo, já que tenho medo, p(b)osto aqui como os acho feios.
E assim vou vivendo, encontrando neles defeitos
Tem outros tipos, mas agora não me lembro
E compartilho isto com quem fecha comigo
E enquanto não sou pego
Na internet esse povo eu humilho
quinta-feira, 29 de maio de 2014
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